No dia 19, o contrato mais ativo do Brent fechou com queda de 0,3%, posicionando-se em USD 63,94 bbl.
Os futuros do petróleo operaram estáveis, com o fechamento das bolsas dos EUA por conta do Feriado de Martin Luther King reduzindo o fluxo de negociações no mercado financeiro. Ainda assim, a redução das tensões no Oriente Médio contribuiu para a movimentação baixista das cotações, com os prêmios de risco de oferta seguindo trajetória de queda.
Hoje pela manhã (20), o contrato do Brent para vencimento em março de 2026 opera com uma leve alta de 0,84%, cotado a USD 64,48 bbl até as 09h30. Os futuros do petróleo recuperam as perdas de segunda-feira, influenciados pelas incertezas do contexto geopolítico entre Estados Unidos, União Europeia e Groenlândia, além de expectativas de uma redução na produção de países da OPEP+.
Volumes de petróleo venezuelano com destino à China se aproximam do fim
Diversos navios que se abasteceram de petróleo venezuelano antes da intervenção norte-americana no país entram em águas asiáticas com destino à China. É entendido que estes navios sejam um dos poucos restantes que se deslocariam para a China, trazendo incerteza ao maior importador de petróleo do mundo, que não contará com as exportações de seu parceiro latino-americano.
Segundo estimativas de mercado, aproximadamente 24 milhões de barris de petróleo venezuelano estão armazenados fora do país, em estoques flutuantes ou navios em movimento, enquanto os navios a caminho da China acumulam quase 4 milhões de barris, com previsão de chegada em fevereiro.
Dessa forma, a China deve se movimentar para buscar outros fornecedores no mercado de petróleo pesado. Vale lembrar que, em dezembro, a China registrou um amplo aumento das compras de petróleo russo, em meio aos descontos praticados pelo país do Leste Europeu e a redução dos fluxos de barris enviados pela Rússia à Índia. Além disso, existe a expectativa de que o mercado chinês possa ampliar ainda mais a compra de petróleo fornecido pelo Irã, em um contexto de redução das tensões geopolítica no Oriente Médio.
Trump ameaça impor tarifas sobre a União Europeia
Na sexta-feira, Trump ameaçou impor tarifas progressivas sobre países europeus, até que pudesse adquirir a Groenlândia. Segundo post nas redes sociais, o presidente norte-americano prometeu tarifas de 10% sobre produtos que chegam aos Estados Unidos, dos seguintes países: Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia. As tarifas iniciariam no dia 1° de fevereiro, e no dia 1° de junho, seria elevado para 25%.
Após a ameaça, os países da União Europeia se reuniram em caráter emergencial, no domingo, dia 18. Segundo notícias, os países do bloco consideram impor tarifas de 93 bilhões de euros aos Estados Unidos, ou restringir o acesso de empresas americanas ao mercado europeu. É provável que a medida já teria sido desenhada desde o início das guerras tarifárias no ano passado, e voltaram a ser pauta de discussão. Cabe ressaltar que a segurança da ilha da Groenlândia vem sendo reforçada pelos países europeus desde o início das ameaças de Trump.
Por fim, ainda nesta semana, autoridades europeias e Trump devem se encontrar em Davos, na Suíça, para o Fórum Econômico Mundial, onde haverá uma reunião para discutir sobre a Groenlândia, mas Trump já alertou que “não há como voltar atrás”.
As tensões entre EUA e União Europeia acabam por adicionar novos receios em relação à possíveis impactos na oferta de petróleo a nível global, com o mercado precificando uma possível mudança logística em um cenário de disputa territorial no Ártico.