
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

No dia 21, o contrato mais ativo do Brent fechou com alta de 0,49%, posicionando-se em USD 65,2 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, operando ao redor dos USD 60,6 bbl.
Os preços do petróleo seguiram suportados pelos receios ao redor de uma menor oferta pelo Cazaquistão, com os problemas operacionais no campo de Tengiz e no oleoduto CPC – que conecta o campo aos terminais de exportação da Rússia – resultando na expectativa de um balanço europeu de curto prazo mais apertado.
Hoje pela manhã (22), o contrato do Brent para vencimento em março de 2026 opera com uma queda de 1,5%, cotado a USD 64,2bbl até as 09h30. Os prêmios de risco de oferta voltam a recuar, em meio às negociações entre EUA e União Europeia sobre a Groenlândia e uma retomada das conversas para um possível acordo de paz no Leste Europeu.
API registra forte avanço dos estoques de petróleo e gasolina
De acordo com os dados divulgados pelo API, os estoques de petróleo nos EUA cresceram 3 milhões de barris ao longo dessa semana, volume acima do projetado pelo mercado (1,8 milhão). O avanço acaba refletindo um recuo da demanda pelas refinarias, com o fator de utilização do refino caindo 1%, como também uma ampliação das importações, que aumentaram em cerca de 707 mil barris.
Paralelo a isso, o instituto registrou também registrou um aumento significativo dos estoques de gasolina, em 6,2 milhões de barris, ao passo que as reservas de diesel operaram estáveis, com uma leve queda de 33 mil barris. Caso confirmado pelo DOE hoje, as 13h00 (horário de Brasília), o avanço dos níveis de estocagem da gasolina deve influenciar em novos recuos do diferencial entre o RBOB e o Brent, que já vinha operando em uma trajetória baixista em meio ao aumento significativo das reservas registrada nas últimas semanas.
Ao mesmo tempo, é importante destacar que as expectativas da chegada de um vórtex polar e o fechamento de algumas refinarias na Costa do Golfo pode ser um impeditivo para esse cenário. Vale destacar que, ao longo das últimas sessões, a margem de refino cresceu de maneira acelerada, principalmente no caso do diesel, em meio ao entendimento de que a chegada de fortes ondas frias deve resultar em uma diminuição da produção de combustíveis no mercado norte-americano – além de ampliar a busca por diesel para calefação de ambientes.
Vendas de diesel e gasolina avançam em dezembro
Ontem, a ANP divulgou os dados prévios de venda de combustíveis em dezembro. De acordo com os dados, as vendas de diesel B seguiram aquecidas, totalizando 5,4 milhões de m³ - alta de 6,8% frente ao observado no mesmo período de 2024. Vale destacar que o resultado é recorde histórico para o último mês do ano, superando o volume registrado em dezembro de 2023 (5,3 milhões de m³).
Apesar do avanço refletir, assim como o observado ao longo de todo ano, um mercado agropecuário e industrial mais aquecido, parte da justificativa por trás desse crescimento se deu na antecipação das compras do combustível pelos postos e demais pontas consumidoras, buscando evitar os impactos do aumento dos impostos sobre o diesel B em janeiro, quando houve o reajuste do ICMS em R$ 0,05/L, indo de R$1,12/L para R$ 1,17/L.
A demanda por diesel B em 2025 também superou as máximas históricas, alcançando 69,4 milhões de m³ (+3,0% a.a.). O número foi bem próximo ao projetado pela StoneX, que estimava vendas ao redor de 69,1 milhões de m³, com o resultado atípico de dezembro contribuindo para essa adição de volume. Vale destacar que o bom resultado do consumo do combustível é motivado pelas excelentes safras agrícolas e pela manutenção de indicadores industriais aquecidos, resultando em um aumento do transporte de bens gerados por esses setores para os centros demandantes domésticos e terminais de exportação. Com isso, o fluxo de veículos pesados nas principais rotas pedagiadas medido pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias apresentou um crescimento anual de 2,6%.
No caso do Ciclo Otto (gasolina C + etanol hidratado) , os impactos da antecipação das compras por conta do aumento de impostos para janeiro foram ainda maiores, com as vendas atingindo 5,99 milhões de m³, marcando um avanço de 8,8% no comparativo com dezembro/24 e se posicionando como o melhor resultado mensal da série histórica.
Vale destacar que o fluxo de veículos leves cresceu de maneira acelerada no período, com o indicador ABCR apontando para um aumento de 3,4% frente ao mesmo período do ano passado. A gasolina C continuou ampliando o share nas vendas, totalizando 4,6 milhões de m³ (+12% a.a.), atingindo um novo recorde histórico, ao passo que o etanol hidratado apresentou um recuo no consumo (-1,5% a.a.), com o share do biocombustível no Ciclo Otto ficando em 25,3%.
No acumulado anual, as vendas de Ciclo Otto totalizaram 61,5 milhões de m³ (+2,9% a.a.). Assim como no diesel B, a demanda por combustíveis leves também atingiu um novo recorde histórico, influenciado pelos bons resultados econômicos e o avanço do consumo das famílias no país.

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Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.


7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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