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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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Divergências entre Rússia e Ucrânia suporta petróleo

Ontem (17), o contrato com maior liquidez do Brent fechou com queda de 1,8%, posicionando-se em USD 67,4 bbl. Os contratos do WTI seguiram a mesma trajetória, operando ao redor dos USD 62,3 bbl (-0,9%).

Os futuros do petróleo recuaram após autoridades dos EUA e do Irã confirmarem que os dois países chegaram em um entendimento sobre quais pontos devem ser considerados para a formalização de um acordo nuclear, resultando na diminuição dos prêmios de risco de oferta no Oriente Médio.

Hoje pela manhã (18), o contrato do Brent para vencimento em abril de 2026 opera em alta, cotado a USD 69,2 bbl (+2,8%) até as 09h20. Apesar do avanço das negociações entre EUA e Irã, a frustração das conversas entre Kiev e Moscou para um possível cessar-fogo no Leste Europeu acaba entregando suporte aos preços do petróleo nesse início de sessão.

Situação no Leste Europeu segue incerta

Além das conversas entre EUA e Irã, a cidade de Genebra também foi palco das discussões entre Rússia e Ucrânia sobre o conflito no Leste Europeu. Ao longo da manhã de hoje, no entanto, o presidente da Ucrânia, Volodymir Zelensky, acusou Moscou de dificultar a consolidação de um acordo de cessar-fogo entre as partes, encerrando as negociações.

Por que isso é importante: As dificuldades entre os dois países de consolidar um acordo de paz acaba por manter os prêmios de risco de oferta no Leste Europeu elevados, com as perspectivas de que a guerra se estenda no longo prazo crescendo.

Panorama: A guerra entre Rússia e Ucrânia está perto de completar quatro anos, com o conflito resultando, em alguns períodos, em disrupções de oferta de petróleo e derivados que são originados no Leste Europeu e escoado para outras regiões;

  • Desde dezembro, o mercado vem observando um aumento expressivo da quantidade de barris russos em plataformas marítimas com algumas estimativas apontando para um volume ao redor de 150 milhões de barris.
  • A situação acaba refletindo principalmente a diminuição das compras indianas após um novo acordo comercial entre EUA e Nova Délhi firmado em janeiro, que limita as aquisições de barris russos pela Índia.
  • Com isso, uma maior parcela do produto russo descontado acaba sendo destinado para o mercado chinês, com algumas rastreadoras marítimas confirmando que a China deve adquirir cerca de 2,1 mbpd de petróleo da Rússia em fevereiro – volume recorde da série histórica.
  • Esse cenário acaba por garantir uma sustentação dos preços da commodity no mercado internacional, visto que uma parte significativa da produção russa está ficando fora do mercado, ou se direcionando para a recomposição dos estoques estratégicos chineses, sem uma perspectiva clara sobre quando esses barris devem retornar ao mercado global.

 

Conversas entre EUA e Irã avançam

Ontem (17), após as conversas entre delegações do Irã e dos EUA em Genebra, o Ministro do Exterior do Irã confirmou que Teerã e Washington chegaram a um entendimento em comum sobre os principais pontos que devem ser considerados para a formalização de um acordo nuclear.

Por que isso é importante: O maior otimismo em relação à um novo acordo nuclear acaba reduzindo as tensões entre os dois países, com os investidores passando a precificar uma redução dos prêmios de risco de oferta no Leste Europeu.

Panorama: Desde o início do ano, o mercado vem observando um aumento significativo das tensões entre EUA e Irã após a forte repressão aos protestos populares em Teerã, ocorrido em meados de janeiro.

  • Após essa situação, os EUA enviaram diversos ativos militares para o Golfo Pérsico, com a Casa Branca pressionando o governo iraniano para que fosse formalizado um novo acordo nuclear.
  • Além disso, o governo norte-americano requisitou a discussão sobre a redução do arsenal de mísseis balísticos do Irã. No entanto, as expectativas seguem centradas no acordo nuclear.
  • A preocupação não se restringe somente à disrupções da produção iraniana, como também de todos os países que escoam barris pelo Estreito de Hormuz – com cerca de 24% de toda a oferta global de petróleo passando por essa via.

O que esperar: Agora, o mercado aguarda novas informações sobre as discussões entre os dois países, que devem se estender nas próximas semanas. Vale destacar que, apesar dos avanços, os investidores se mantêm céticos em relação à consolidação de um acordo nuclear, dadas as experiências passadas de frustração em relação à um senso comum entre as partes.

Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

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Fonte: CmdtyView. Elaboração: StoneX.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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Comentários de Abertura

6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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