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Diário de Petróleo

By: Isabela Garcia, Market Intelligence Analyst

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Brent em alta conforme o Irã direciona ataques para rota alternativa de exportação 

Ontem (16), o contrato mais ativo do Brent fechou em queda, totalizando USD 100,21 bbl (-2,84%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 93,5 bbl (-5,28%).

O contraste entre a negociação de futuros com o mercado físico na Ásia chamou a atenção do mercado, conforme contratos em Dubai ou Singapura operam com um prêmio de até + USD 50 bbl. Entretanto, a expectativa de resolução do choque de oferta nos próximos meses, especialmente com a premissa de uma liberação alta de estoques estratégicos, limita maiores altas dos contratos.

Hoje pela manhã (17), o contrato do Brent para vencimento em maio de 2026 opera com alta de 2,46%, cotado a USD 102,68 bbl até as 09h25. Com novos ataques ao terminal de Fujairah nos EAU, mercado se preocupa com a sabotagem de rotas de escoamento alternativas no Golfo do Omã e no Mar Vermelho.

Retomada dos fluxos em Ormuz (?)

Nos últimos dias, agências de rastreamento de navios identificam que embarcações com bandeira do Paquistão e Índia estariam atravessando o Estreito de Ormuz, alimentando expectativa de que negociações entre países poderia liberar a travessia na região.

  • Os reportes indicam uma média de 4-8 navios por dia, contra uma média acima de 130 embarcações no período antes da guerra. Ademais, os volumes reportados eram modestos;
  • Até então, grande parte do fluxo reportado por Ormuz era de navios iranianos, que estariam escoando cerca de 1,2 mbpd, além de algumas embarcações chinesas.

Por que isso importa? Com esse cenário, o mercado espera que alguns navios consigam autorizações para travessia a depender do país de origem, alinhado com a sinalização do Irã de que não seja aliado dos EUA. Essa articulação na região poderia aliviar parte do choque de oferta registrado.

Avaliação: Apesar do otimismo dos dados recentes, o histórico de ataques por Ormuz/Golfo Pérsico não indica um padrão, ou seja, a estratégia do Irã tem sido causar bastante insegurança para inibir o tráfego na região, independente da nacionalidade. Conforme as semanas avancem, as pressões sobre as partes envolvidas – especialmente por compradores estratégicos, como a China - pode levar a algum acordo para travessia, mas esse não parece ser o cenário que se tem atualmente.    

Irã ataca terminal de Fujairah no EAU

O terminal de Fujairah foi alvo de novo ataque nessa terça-feira, levando a suspensão das operações de carregamento. Trata-se da sexta ofensiva na região, com o porto tendo capacidade de exportação de 1,8 mbpd.

  • O terminal é um dos poucos caminhos alternativos dentro do Golfo Pérsico para evitar o Estreito de Ormuz, e tem sido utilizado em capacidade máxima pelos EAU nas últimas semanas;
  • Com os riscos de travessia por Ormuz, a produção de países árabes reduziu em 8 mbpd, de acordo com a IEA;
  • Apesar de pedido de Donald Trump, aliados dos EUA indicam que não irão enviar navios para escoltar embarcações civis pelo Estreito de Ormuz.

Por que isso importa? Com a manutenção de ofensivas contra o terminal, mesmo os caminhos alternativos para exportação de petróleo e derivados se encontra ameaçado, tornando ainda mais difícil superar o gap existente de oferta, que soma quase 13 mbpd.

Iraque busca alternativas para exportação

O Iraque informou que voltará a usar o oleoduto de Kirkuk-Ceyhan com volume esperado de 250 kbdp na próxima semana. O caminho estava interrompido desde 2014 por disputas regionais envolvendo o Iraque, Turquia e Curdistão.

  • Analistas se mostraram céticos quanto o volume anunciado e o prazo, especialmente pelo histórico problemático do oleoduto;
  • Antes da guerra, o Iraque exportava cerca de 3,7 mbpd via terminais portuários. Assim, a retomada do oleoduto significaria uma recuperação de até 7% do volume exportável do país.
  • Adicionalmente, o país busca contornar a crise direcionando petróleo para portos na Síria, Jordânia e Turquia pela via rodoviária, em um volume que somaria mais 200 kbpd.

Panorama: O Iraque passa por uma situação dramática, pois conta com uma capacidade de estocagem pequena frente países vizinhos, e com rotas alternativas que não comportam a produção. O petróleo corresponde a quase 90% da receita do país, e por conta desses problemas já foi anunciado uma redução de 2,7 mbpd (-65%) devido à crise em Ormuz.

O que esperar? A necessidade de adaptação com a guerra, sem previsões de retomada de fluxos pelo Estreito de Ormuz, deve forçar mais criatividade do mercado para escoar a oferta já reduzida dos países árabes. Entretanto, essas rotas tendem a ser mais custosas, e ainda não atendem o grande déficit forçado pelo conflito.

Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

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Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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