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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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Petróleo supera USD 119 bbl nessa manhã

Ontem (18), o contrato mais ativo do Brent fechou com uma alta de 3,8%, totalizando USD 107,6 bbl. Os futuros do WTI seguiram trajetória diferente, encerrando o dia em USD 96,2 bbl (+0,1%).

O diferencial entre o Brent e o WTI atingiu o maior patamar em 11 anos, refletindo a diferença dos balanços no mercado norte-americano e europeu. Enquanto os dados do DOE apontaram para um aumento dos estoques de petróleo nos EUA na semana passada, a situação no Oriente Médio segue afetando severamente a oferta da commodity para a Europa e a Ásia, influenciando nas altas expressivas das cotações.

Hoje pela manhã (19), o contrato do Brent para vencimento em maio de 2026 opera com avanços de 5,9%, cotado a USD 113,8 bbl até as 07h50. A referência chegou a superar os USD 119 bbl na manhã de hoje, com os ataques contra ativos energéticos no Oriente Médio resultando no forte suporte observado.

Ataques contra ativos energéticos no Oriente Médio seguem suportando as cotações

Após o Iraque atacar South Pars – importante campo de gás natural no Irã –, o exército iraniano lançou uma série de ofensivas contra ativos energéticos na região do Golfo Pérsico, resultando na interrupção das atividades de uma planta de GNL em Ras Laffan, no Catar. Plantas de gás natural na Arábia Saudita e uma refinaria no Kuwait também foram alvos de Teerã, apesar de resultar em impactos menores sobre as operações desses centros produtivos.

 

Porque isso é importante: O aumento dos ataques contra ativos de petróleo e gás no Golfo Pérsico eleva ainda mais a percepção de um risco sistêmico do mercado petrolífero, com os receios se estendendo para disrupções de oferta ainda mais significativas a nível global, sem um horizonte para o fim do conflito no Oriente Médio.

  • O mercado parece começar a precificar os efeitos reais sobre o balanço mundial de petróleo, com a terceira onda de aumento dos preços do petróleo refletindo os riscos reais associados à redução dos fluxos da commodity pelo Estreito de Hormuz, com a Ásia e a Europa sendo as regiões mais afetadas por esse cenário.
  • Com a guerra completando 20 dias e sem uma perspectiva clara sobre quando o conflito deve acabar, os preços do petróleo passam a adotar um ritmo de aumento mais acelerado, com os países consumidores buscando outras fontes para abastecer seus mercados internos.
  • Vale lembrar que o Golfo Pérsico produz cerca de um quarto de toda a oferta global, de modo que a redução severa das exportações pelo estreito por um período mais extenso deve resultar em problemas significativos no balanço global da commodity. Além disso, algumas estimativas apontam que cerca de 11,9 mbpd – ou 12% da produção mundial – segue travada no golfo, sem uma perspectiva de quando esse volume voltará ao mercado.

 

Panorama: Após os ataques israelenses contra South Pars, o presidente dos EUA, Donald Trump, negou o envolvimento norte-americano nas ações militares movidas por Jerusalém, buscando atenuar as tensões no Oriente Médio.

  • Ao longo dos últimos dias, a capacidade do regime iraniano de se manter no poder mesmo em meio à morte de importantes lideranças do governo diminuiu as expectativas de um fim da guerra no curto prazo.
  • Após os ataques aéreos contra a ilha de Kharg – origem de 80% das exportações de petróleo pelo Irã – alguns rumores confirmaram que os EUA estudam a possibilidade de incursões militares terrestres para tomar a ilha, o que também influencia no avanço das precificações em meio aos receios de um recuo das vendas iranianas ao exterior.

 

O que esperar: Sem novos sinais de uma interrupção do conflito no curto prazo, os preços do petróleo devem seguir avançando, com o mercado precificando a indisponibilidade da commodity ofertada pelo Golfo Pérsico por um período maior do que o esperado anteriormente.

  • Ainda é incerto o quanto as cotações do óleo bruto podem avançar, com a falta de rotas alternativas para escoar o petróleo produzido pelos produtores do Oriente Médio influenciando diretamente na manutenção do crescimento dos preços.
  • Mesmo com o anúncio da liberação de 450 milhões de barris das reservas estratégicas por países da IEA, as expectativas são de que a decisão auxilie de maneira tímida na recomposição da oferta global, de modo que, sem uma resolução do conflito no Golfo Pérsico, o ímpeto altista seguirá.

Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

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Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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Comentários de Abertura

6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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