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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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Petróleo deve fechar pela quinta semana consecutiva em alta

Ontem (19), o contrato mais ativo do Brent fechou com uma alta de 1,2%, totalizando USD 108,6 bbl. Os futuros do WTI seguiram trajetória diferente, encerrando o dia em USD 96,1 bbl (-0,2%).

Apesar de superar os USD 119 bbl na manhã de ontem – influenciados pelos ataques à ativos energéticos no Oriente Médio –, os futuros do petróleo registraram uma forte redução dos ganhos após o Secretário de Tesouro dos EUA confirmar que a Casa Branca considera remover as sanções sobre barris iranianos estocados em plataformas marítimas.

Hoje pela manhã (20), o contrato do Brent para vencimento em maio de 2026 opera com queda de 0,7%, cotado a USD 107 bbl até as 09h00. A possibilidade de remoção das sanções sobre parte do petróleo iraniano segue pressionando as cotações da commodity. Ainda assim, é esperado que, pela quinta semana consecutiva, os preços do óleo bruto fechem em alta, sem uma perspectiva de solução para o conflito no Oriente Médio.

EUA avalia remoção de sanções contra petróleo iraniano

Na tarde de ontem, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, comentou sobre a possibilidade da Casa Branca remover as sanções sobre barris iranianos estocados em plataformas marítimas. De acordo com Bessent, a medida representaria a liberação de aproximadamente 140 milhões de barris para o mercado.

 

Por que isso é importante: A expectativa ao redor da retirada das sanções aliviou os temores dos investidores em relação à situação do balanço global, resultando na diminuição acelerada dos ganhos das cotações registradas na sessão passada. Vale destacar, no entanto, que não houve até o momento nenhum decreto oficial por parte de Washington.

  • Outro ponto importante na fala de Bessent se deu nos comentários em relação à consideração por parte da Casa Branca de anunciar um novo volume unilateral de liberação das reservas estratégicas, além dos 172 milhões já anunciados na movimentação coordenada com os países da IEA, que irão entregar um total de 301 milhões de barris de petróleo ao mercado ao longo dos próximos meses.
  • Diante disso, o mercado aguarda atualizações em relação à decisão do governo norte-americano, que pode aliviar – mas não sanar – os problemas relacionados à indisponibilidade dos barris do Golfo Pérsico.
  • É importante frisar que, atualmente, cerca de 11,9 mbpd (milhões de barris por dia) estão travados na região, o que inviabiliza uma total compensação desse volume pela liberação das reservas estratégicas, que é considerada uma medida de emergência de curto prazo para conter disrupções regionais de oferta da commodity.

 

Panorama: Nos últimos dias, os temores ao redor da situação no Oriente Médio seguiram crescendo, sem uma perspectiva clara sobre quando o conflito entre EUA, Israel e Irã deve terminar. Com isso, a circulação de navios pelo Estreito de Hormuz se mantém restrita, com poucas embarcações dispostas a cruzar a via e uma parte significativa do petróleo produzido no Golfo Pérsico parado na região.

  • Somado a isso, os ataques contra ativos energéticos no Irã, Kuwait, Catar e Arábia Saudita ampliou os alertas em relação à problemas que vão além dos logísticos, com os investidores precificando uma dificuldade de ampliar os fluxos de exportação de petróleo, gás e derivados mesmo em um eventual cenário de retomada da passagem de navios pelo estreito.
  • Hoje pela madrugada, foram relatados novos ataques entre Irã e Israel, com os dois países evitando atingir a infraestrutura energética, mirando principalmente em alvos militares.

 

O que esperar: Nos próximos dias, o mercado deve se manter atento à novos anúncios da Casa Branca, com a liberação de mais reservas e eventuais movimentações militares devendo influenciar na volatilidade dos preços do petróleo.

  • É importante frisar, mais uma vez, que a liberação promovida pela IEA e a consideração de remoção das sanções sobre os estoques marítimos de petróleo iraniano não é capaz de substituir completamente a quantidade de barris travados no Golfo Pérsico, sendo uma medida temporária para suprir parte da oferta perdida.
  • Nesse sentido, conforme o bloqueio segue no Estreito de Hormuz, os preços do petróleo também se manterão elevados. Por outro lado, uma eventual solução para a situação pode diminuir os prêmios existentes, com os futuros seguindo trajetória contrária à atual. Dos dois, o primeiro cenário segue parecendo o mais provável.

 

ANP anuncia medidas para conter riscos de desabastecimento

No Brasil, a ANP anunciou medidas para diminuir os riscos associados à um desabastecimento de combustíveis por conta do conflito no Oriente Médio. Dentre elas estão:

  1. Envio dos dados diários de estoques de derivados pelas distribuidoras, refinarias e importadoras;
  2. Flexibilização do nível mínimo de estoques de gasolina e diesel;
  3. Liberação imediata dos volumes de gasolina e diesel da Petrobras que eram previstos para irem aos leilões;
  4. Notificação sobre práticas abusivas de preços.

 

Por que isso é importante: As decisões tomadas pela ANP reduziram parte dos receios em relação à oferta plena de combustíveis no Brasil, principalmente de diesel, em um período marcado pela colheita de soja em importantes regiões produtoras do grão. Além disso, as atividades aquecidas do setor de mineração e indústria também geram preocupação sobre a disponibilidade de diesel para essas frentes.

 

Panorama: Ao longo dos últimos dias, foi observado um aumento dos temores em relação à oferta de derivados de petróleo no Brasil, após as notícias relacionadas ao redirecionamento de navios que transportavam diesel ao país ampliando os receios sobre o balanço de combustíveis no mercado interno.

  • Algumas fontes confirmaram que, diante da situação no Golfo Pérsico, tradings de outros países vinham oferecendo um prêmio maior pelo produto importado, com os fornecedores cancelando parte dos pedidos brasileiros e redirecionando seu produto para outras regiões.
  • A preocupação se dá principalmente com a oferta de diesel para abril, com o mercado ainda incerto sobre a quantidade do combustível que deve chegar aos portos brasileiros no período.

Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

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Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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Comentários de Abertura

6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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