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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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Petróleo avança com menor otimismo sobre acordo de paz

Ontem (25), o contrato mais ativo do Brent fechou com queda de 2,2%, cotado a USD 102,2/bbl. Os futuros do WTI seguiram a mesma trajetória, encerrando o dia a USD 90,3/bbl, com recuo de 2,2%.

Os futuros do petróleo foram amplamente pressionados após o envio de um plano de cessar-fogo pelos Estados Unidos ao Irã, ampliando as expectativas de um possível alívio nas tensões no Oriente Médio. Durante a tarde, no entanto, parte das perdas foram revertidas após o governo iraniano negar qualquer tratativa de paz com Washington.

Hoje pela manhã (26), o contrato do Brent com vencimento em maio de 2026 opera com alta de 4,5%, cotado a USD 106,8/bbl às 09h00. As baixas expectativas em relação à consolidação de um acordo de paz entre EUA e Irã permite o retorno do ímpeto altista no mercado.

Discussões sobre paz seguem incertas

Ontem pela noite, o Ministro do Interior do Irã confirmou que o país está analisando uma proposta de paz enviada pelos EUA. Em contrapartida, foi afirmado também que o regime iraniano não considera iniciar conversas com Washington para aprovar medidas de contenção das tensões, mas sim de suspensão completa do conflito.

Por que isso é importante: Apesar da reaproximação diplomática entre os dois países, há um entendimento no mercado de que Washington e Teerã trabalham com diversos pontos de divergência nas negociações, de modo que as expectativas de consolidação de um acordo em um horizonte de curto prazo voltam a ceder.

  • O menor otimismo acerca de um alinhamento entre EUA e Irã, somado a continuidade do bloqueio do Estreito de Hormuz, acaba entregando suporte aos preços do petróleo, com os investidores precificando uma disrupção de oferta de maiores proporções na Ásia, que já dá sinais de estresse mais amplo com a indisponibilidade do produto ofertado pelo Golfo Pérsico.

Panorama: Nos últimos dias, o mercado vem observando uma busca pela Casa Branca de alcançar um acordo em comum com o Irã para o fim da guerra. Ao mesmo tempo, Washington segue sugerindo que, caso as negociações não saiam, é considerado medidas de escalada da guerra, incluindo incursões terrestres em território iraniano.

  • Na terça-feira (24), o Wall Street Journal confirmou o envio de 3 mil soldados norte-americanos para o Oriente Médio, ampliando os temores sobre uma invasão por terra.
  • Além disso, na noite de ontem, a Secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que, caso Teerã não aceite os termos norte-americanos, a Administração Trump “irá bater mais forte” no Irã, dando sinais de uma possível escalada do conflito.

O que esperar: O conflito entre EUA e Irã parece estar chegando à um outro nível, com a saturação do mercado de petróleo por conta do bloqueio do estreito resultando na necessidade de reabertura do canal que conecta o Golfo Pérsico ao restante do mundo.

  • Com cerca de 12 mbpd de petróleo travados na região, as medidas de contenção dos impactos – incluindo a liberação de estoques estratégicos pela IEA e as permissões para compra de petróleo russo e iraniano travados no mar – não são capazes de garantir o pleno abastecimento do mercado, com políticas de restrição do consumo já sendo avaliadas em alguns países asiáticos.
  • No Brasil, a principal preocupação se dá com as cargas de diesel que chegarão ao país em abril, com a intensa competição a nível internacional diminuindo a capacidade das tradings de adquirir todo o volume programado para o período.

 

DOE registra alta dos estoques de petróleo nos EUA

Petróleo: De acordo com os dados do DOE, os estoques comerciais de petróleo nos Estados Unidos operaram em alta na semana passada, seguindo tendência esperada pelo mercado.

  • O avanço foi reflexo de uma produção elevada e importações aquecidas, com o indicador de estocagem operando próximo à média dos últimos cinco anos para o período.
  • Em contrapartida, a demanda pela commodity se manteve aquecida, com fator de utilização das refinarias superando os 93 pontos.
  • No geral, a margem extremamente elevada de refino, principalmente do diesel, contribuiu para esse consumo alto do óleo bruto.
  • É importante lembrar, ao mesmo tempo, que os dados refletem a situação do mercado na semana passada, de modo que as recentes confirmações relacionadas a um aumento expressivo do uso da capacidade de exportação norte-americana de petróleo e derivados para países asiáticos ainda não se concretizou no relatório do DOE, com esses números devendo ser apresentados somente no relatório da próxima semana.

Diesel: Os estoques do diesel também seguiram em alta, se distanciando das mínimas dos últimos cinco anos para o período.

  • O aumento expressivo da produção do combustível, que trabalha com margens mais atrativas frente a outros derivados fósseis, foi o principal fator que resultou no superávit do balanço ao longo dessa semana.
  • Além disso, a demanda por diesel nos Estados Unidos para calefação voltou a recuar, o que contribuiu para esse cenário.
  • Por conta disso, o diferencial entre Heating Oil e Brent voltou a cair, marcando um recuo diário de 12,9%. Ainda assim, o indicador segue bem mais elevado frente às últimas semanas, operando ao redor dos USD 66 bbl.

Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

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Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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Comentários de Abertura

6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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