Ontem (31), o contrato mais ativo do Brent fechou com queda de 3,2%, cotado a USD 103,4/bbl. Os futuros do WTI seguiram a mesma trajetória, encerrando o dia a USD 101,4/bbl, com recuos de 1,5%.
Rumores em relação à consideração por parte do regime iraniano de acabar com a guerra no Oriente Médio resultaram em fortes pressões baixistas sobre os preços do petróleo, que voltaram a operar próximo dos USD 100 bbl.
Hoje pela manhã (01), o contrato do Brent com vencimento em junho de 2026 opera com queda de 2,6%, cotado a USD 101,3/bbl (-2,6%) às 09h20. O mercado precifica uma possível redução das tensões no Oriente Médio em meio às recentes falas de Trump sobre uma eventual retirada de ativos militares no Golfo Pérsico.
Trump segue afirmando possível fim do conflito
Em entrevista ontem, o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que o país pode finalizar a sua campanha militar no Golfo Pérsico sem um acordo de cessar-fogo com o Irã ao longo das próximas três semanas, o que contribuiria para uma forte diminuição dos riscos geopolíticos associados à continuidade do conflito.
Por que isso é importante: A confirmação feita pela segunda vez na semana sobre a possibilidade de retirada de parte dos ativos militares no Oriente Médio sinaliza ao mercado que a Casa Branca tem a intenção de reduzir as tensões e os riscos associados à manutenção do conflito, o que contribuiu para pressionar para baixo os preços do petróleo entre ontem e hoje.
- Somado a isso, rumores sobre a intenção do presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, de acabar com a guerra contribuiu para impulsionar o ímpeto baixista no mercado, com os investidores precificando um possível retorno dos fluxos de petróleo pelo Estreito de Hormuz.
Panorama: Nos últimos dias, Washington vem sinalizando um maior interesse em acabar com a guerra, com o envio de uma nova proposta de paz para Teerã e as recentes falas de Trump evidenciando essa movimentação.
- Ao mesmo tempo, o regime iraniano elevou o tom sobre os EUA, negando negociações e mantendo a política de ataque contra navios que tentam atravessar o estreito sem autorização prévia do Irã, como no caso de um navio tanqueiro do Kuwait.
- Paralelo a isso, algumas fontes confirmaram que o Irã vem aplicando uma política de taxas para embarcações que querem fazer a travessia – parecido ao que ocorre com o Canal de Suez, por exemplo. Ao mesmo tempo, Teerã vem limitando a passagem de navios de algumas origens, principalmente de aliados dos EUA.
O que esperar: Agora, as movimentações norte-americanas devem seguir no centro das atenções do mercado. Os investidores aparentemente “compraram o boato”, sem uma confirmação oficial por Teerã sobre a intenção de acabar com o conflito.
- Nesse sentido, caso o Irã siga negando as negociações ou os EUA promova invasões terrestres, o preço do petróleo deve voltar a operar com uma trajetória altista.
- Por outro lado, uma eventual movimentação para a retirada dos ativos militares da região deve manter a tendência de queda observada.
Pesquisas apontam forte queda da produção pela OPEP
De acordo com pesquisa feita pela Refinitiv, a produção de petróleo pela OPEP12 registrou queda de 7,3 mbpd em março, operando no menor valor desde junho de 2020.
Por que isso é importante: O recuo produtivo pelos países do grupo que ficam localizados no Golfo Pérsico evidenciam o expressivo impacto causado pela suspensão dos fluxos no Estreito de Hormuz, com grande parte dos produtores optando por diminuir a extração da commodity em meio à limitação de estocagem de barris.
Panorama: Os dados da pesquisa apontam que o Iraque foi o mais impactado, reduzindo a sua oferta de 4,1 mbpd para 1,4 mbpd entre fevereiro e março. Ao longo do mês, o país havia confirmado a redução em cerca de 80% da produção de petróleo, com a falta de rotas alternativas pesando sobre a capacidade de exportação.
- A Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também sofreram com quedas produtivas, apesar dos dois países trabalharem com vias alternativas de maior porte para escoar a commodity.
- Dados da Bloomberg apontam que os sauditas escoaram em março cerca de 3 mbpd pelo porto de Yanbu, no Mar Vermelho, em comparação aos 0,9 mbpd transportados em fevereiro.
- Ainda assim, as exportações totais do país recuaram em cerca de 3,3 mbpd no mês passado, dado que o volume escoado pelo Estreito de Hormuz foi de 5,3 mbpd em fevereiro para 0,1 mbpd em março.
Exportações de petróleo pela Arábia Saudita – mbpd

Fonte: BBG. Elaboração: StoneX.
O que esperar: A retomada da produção pelos países da OPEP concentrados no Golfo Pérsico está diretamente ligada à reabertura do Estreito de Hormuz. Apesar de haver rotas alternativas, a principal infraestrutura logística desses produtores está no golfo, ficando dependentes da abertura do estreito.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.