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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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Petróleo segue avançando em meio à frustração nas negociações de paz

Ontem (22), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 101,91/bbl (+3,48%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 92,96/bbl (+3,67%).

Os preços do petróleo foram suportados tanto pelo recuo dos estoques de derivados nos EUA, quanto pelos relatos de novos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e a ausência de avanços diplomáticos entre Teerã e Washington para uma resolução definitiva de paz no Oriente Médio.

Hoje pela manhã (23), o contrato do Brent para vencimento em junho de 2026 opera com alta de 1,44%, cotado a USD 103,38/bbl até as 09h31 GMT. O movimento reflete a ´falta de qualquer sinal concreto de reabertura do Estreito de Ormuz, com o Irã reforçando publicamente seu controle sobre a via marítima após o colapso das negociações de paz.

Conversas entre Teerã e Washington travam, sem expectativa para retomada das negociações

De acordo com as autoridades paquistanesas, apesar das tentativas de retomar os diálogos entre Washington e Teerã, o regime iraniano vem negando a possibilidade do envio de delegações para Islamabad, justificando essa atitude como uma contrapartida à manutenção do bloqueio dos EUA contra embarcações que saem de portos iranianos com destino ao Oceano Índico.

Por que isso é importante: A falta de progresso nas conversas entre EUA e Irã acabam influenciando na percepção de que o bloqueio no Estreito de Ormuz deve se manter em um horizonte de médio a longo prazo, enquanto os governos de ambos os países apresentam dificuldades em relação a um alinhamento nos principais pontos de divergência, incluindo o programa nuclear e o arsenal militar iraniano.

  • Tal situação permite que os preços negociados na bolsa passem a se aproximar dos preços físicos, com o Dated Brent voltando a superar os USD 110 bbl. No geral, as disrupções de oferta a nível global mais relevantes acabam sendo incorporadas nas cotações pelos investidores, com as incertezas sobre o período de suspensão das exportações pelo Golfo Pérsico pesando sobre os futuros das commodities energéticas.
  • Vale destacar que, ao longo da sessão passada, foram registradas as apreensões de dois navios pela marinha iraniana e três navios pela marinha dos EUA, evidenciando que o bloqueio aplicado tanto por Teerã quanto por Washington vem se traduzindo, em última instância, na suspensão quase que total dos fluxos de navios pela região.

O que esperar: Sem data marcada para uma retomada das negociações entre EUA e Irã, o mercado deve voltar a precificar cada vez mais o déficit relevante no balanço global causado pela falta dos produtos providos pelo Golfo Pérsico.

  • Ao mesmo tempo, os esforços para uma solução diplomática devem se manter, dado que tanto Washington como Teerã vêm sofrendo pressões para uma solução do conflito no curto prazo.
  • Enquanto isso, a redução acelerada dos níveis de estocagem de petróleo e derivados e as incertezas relacionadas a uma retomada dos fluxos pelo Estreito de Ormuz devem seguir pesando sobre as cotações.

 

DOE registra recorde das exportações de petróleo e derivados

Pela segunda semana consecutiva, os dados do DOE apontaram para um volume de exportações recordes de petróleo derivados dos Estados Unidos, evidenciando os impactos da circulação do Golfo Pérsico sobre a balança comercial e energética norte-americana.

Por que isso é importante: A falta de produtos provido pelo Oriente Médio acaba resultando em uma busca maior por países asiáticos e europeus ao petróleo e combustíveis fornecidos pelos EUA, pressionando de maneira mais intensa os estoques dessas commodities energéticas no mercado norte-americano.

  • Apesar de um avanço em 1,9 milhão de barris nos estoques comerciais de petróleo, foi registrado, ao mesmo tempo, um recuo de mais de 4 milhões de barris dos estoques estratégicos, evidenciando que a alta das reservas disponibilizadas ao mercado só foi garantida por conta da transferência das SPR, conforme medida anunciada pela Agência Internacional de Energia para conter os danos causados pelo bloqueio no Estreito de Ormuz.
  • Somada a isso, o DOE mostrou um recuo dos estoques de diesel e de gasolina na ordem de 3,4 e 4,6 milhões de barris, respectivamente. Apesar do aumento da produção de combustíveis nos EUA, a redução das reservas desses derivados fósseis é resultado direto de um aumento das exportações e uma demanda doméstica ainda aquecida.

O que esperar: Ao longo das últimas semanas, os dados do Departamento de Energia dos Estados Unidos começaram a mostrar os impactos cada vez mais relevantes da situação do Golfo Pérsico sobre o balanço norte-americano, com o recuo dos estoques de diesel e gasolina pesando sobre os preços desses derivados fósseis no mercado financeiro.

  • Conforme a guerra se estende e não é observada uma solução definitiva, a tendência se mantém de uma maior pressão sobre o balanço de petróleo e derivados dos Estados Unidos, conforme os países asiáticos e europeus seguem buscando o produto provido pelos norte-americanos, que apresentam um balanço mais confortável em comparação com as demais regiões do globo.

Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

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Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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