
Petróleo avança pela oitava sessão consecutiva
Ontem (28), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 111,26/bbl (+2,8%). Os futuros do WTI seguiram trajetória mais pronunciada, encerrando o dia em USD 99,93/bbl (+3,7%).
O avanço foi sustentado pela combinação de negociações de paz estagnadas e pela manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz. A decisão dos Emirados Árabes Unidos de deixar a OPEP+ foi absorvida pelo mercado sem maiores reações, dada a incapacidade logística de escoar o eventual aumento de produção do país pelo Golfo.
Hoje pela manhã (29), o contrato do Brent para vencimento em junho opera com alta de 3,0%, cotado a USD 114,59/bbl até as 08h40 - horário de Brasília. O movimento reflete as expectativas de que o conflito se estenda por um período mais longo, com o balanço global de petróleo ficando ainda mais sobrecarregado pela falta da oferta de barris que chegam do Golfo Pérsico.
Bloqueio naval a portos iranianos deve se estender
De acordo com publicação do Wall Street Journal, o presidente dos EUA, Donald Trump, instruiu assessores a se prepararem para um bloqueio prolongado dos portos iranianos, elevando as perspectivas de uma interrupção de oferta ainda mais duradoura. Em paralelo, Trump publicou mensagem nas redes sociais convocando Teerã a "ser inteligente e assinar um acordo logo".
Por que isso é importante: A possibilidade de um período mais extenso da suspensão de parte das exportações de petróleo e derivados pelo Golfo Pérsico contribui para a percepção de que o balanço global da commodity deve seguir amplamente impactado pela restrição de oferta da região, com cerca de 10 mbpd – ou 10% da oferta global – fora do mercado por um período de dois meses.
Panorama: A posição negociadora de ambos os lados permanece distante. O Irã exige o encerramento formal do conflito antes de qualquer discussão sobre o programa nuclear, enquanto os EUA condicionam o avanço das negociações justamente à inclusão desse tema na mesa.
- Fontes governamentais indicam que agências de inteligência dos EUA estudam como o Irã reagiria caso Trump declare vitória unilateral no conflito, o que sugere que os cenários de saída do impasse são ainda altamente especulativos.
O que esperar? A mudança clara do comportamento dos agentes que operam no mercado financeiro – que passam a adotar uma postura de menor otimismo em relação às negociações diplomáticas – deve seguir contribuindo para um avanço contínuo dos preços do petróleo.
- Vale destacar que esse ímpeto altista se mantém por oito dias consecutivos, com o mercado mostrando uma forte recuperação após as quedas expressivas registradas no dia 17/04, quando o Irã anunciou uma reabertura do Estreito de Ormuz – revertida logo no dia seguinte.
- Nesse sentido, o mercado volta a precificar o amplo déficit deixado pelo conflito, com as expectativas de uma manutenção desse cenário pesando sobre os futuros das commodities energéticas.
Saída dos EAU da OPEP+ não alivia mercado enquanto Ormuz permanecer fechado
Os Emirados Árabes Unidos formalizaram ontem a saída da OPEP+, com vigência a partir de 1º de maio, encerrando uma participação que colocava o país como quarto maior produtor do bloco.
Por que isso importa? A saída emiradense é estruturalmente relevante para o equilíbrio de médio prazo da OPEP+, mas seu efeito imediato é neutralizado pela situação logística: com o Estreito de Ormuz fechado, o volume adicional não tem rota de exportação viável pelo Golfo.
Panorama: A decisão de Abu Dhabi sinaliza o desgaste crescente dentro da OPEP+ e pode aprofundar a fragmentação do bloco, especialmente se o conflito prolongar a impossibilidade de exportações pelo Estreito de Hormuz.
- A ADNOC realizou o primeiro carregamento de GNL pelo Estreito desde o início do conflito em 28 de fevereiro, indicando que algum tráfego seletivo permanece possível, ainda que irregular e limitado.
- A saída dos EAU formaliza tensões de longa data sobre cotas de produção, mas o mercado ainda está precificando a variável geopolítica acima da variável institucional.
- Vale destacar que o país foi um dos mais impactados pela guerra, com uma redução da sua produção em 45% entre fevereiro e março, passando a operar ao redor dos 1,9 mbpd.
O que esperar? No curto prazo, até que o Estreito de Ormuz volte a operar em volume normal, a saída dos EAU da OPEP+ terá impacto marginal sobre os preços. A relevância da decisão deve crescer no horizonte de longo prazo, quando — caso haja normalização do fluxo no Golfo — o volume adicional do ex-membro passará a exercer pressão baixista sobre a curva de preços.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.