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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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Petróleo recua após atingir maior valor desde março de 2022

Ontem (29), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 118,03/bbl (+6,10%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 106,88/bbl (+7,00%).

O movimento refletiu tanto o recuo expressivo dos estoques norte-americanos – com o DOE registrando um volume recorde de exportações da commodity pelos EUA na semana passada –, quanto o impasse nas negociações entre Washington e Teerã, que alimentou receios de uma interrupção prolongada no fornecimento do Oriente Médio.

Hoje pela manhã (30), o contrato do Brent para vencimento em junho de 2026 opera com queda de 3,6%, cotado a USD 114,74/bbl até as 10h16 GMT, após ter atingido a máxima intradia de USD 126,4/bbl — o nível mais alto desde março de 2022. A ampla volatilidade reflete as incertezas sobre a decisão norte-americana em relação aos próximos passos do conflito.

EUA considera estratégias para liberar o Estreito de Ormuz

Relatos da imprensa apontaram que o Comando Central dos EUA (CENTCOM) preparou um conjunto de opções militares a serem apresentadas ao presidente Trump nesta quinta-feira (30). Os planos contemplam desde uma série de ataques "curtos e poderosos" à infraestrutura iraniana até uma operação para assumir controle parcial do Estreito de Ormuz com uso de forças terrestres.

Por que isso é importante: A possibilidade de uma nova escalada do conflito através de operações militares dos EUA no Irã contribuiu para elevar os preços ao maior patamar desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022, com os investidores precificando os riscos associados a uma extensão das tensões no Oriente Médio e um período mais longo do bloqueio no Estreito de Ormuz.

  • Logo após atingir os USD 126 bbl, os futuros do petróleo tipo Brent recuaram de maneira extensiva, sem uma explicação concreta até o momento. A movimentação pode ter refletido uma realização de lucros de agentes que vinham operando comprado, com os avanços expressivos da madrugada sendo completamente revertidos em meio a esse cenário.
  • Vale considerar, também, que ao longo dos últimos dias, foi observado uma queda dos preços no mercado spot, influenciada pela redução dos pedidos da commodity por refinarias europeias e asiáticas, com o cenário de desabastecimento gerado pela guerra acarretando destruição de demanda em alguns países – fator que também pode limitar altas mais significativas dos preços.

Panorama: Um dos planos avaliados pelo CENTCOM prevê ataques a infraestrutura produtiva do Irã, o que também contribuiu para um aumento dos temores sobre uma redução da capacidade da oferta iraniana.

  • Paralelo a isso, os EUA formalizaram, por meio do Departamento de Estado, um convite a aliados para integrar a chamada "Maritime Freedom Construct", coalizão voltada a restaurar a navegação no Estreito de Ormuz. França, Reino Unido e outros parceiros manifestaram interesse, mas condicionam participação efetiva ao fim das hostilidades.
  • Vale destacar que, dois meses após o início do conflito, o Estreito segue bloqueado e os esforços diplomáticos chegaram a um impasse. O Paquistão atua como intermediário, mas Teerã pediu prazo até o fim da semana para responder às últimas "observações transmitidas por Washington.

O que esperar: Enquanto não houver uma solução definitiva para a reabertura do Estreito de Ormuz, os preços do petróleo devem seguir avançando.

  • Mesmo com a destruição de demanda causada pela crise no Oriente Médio, espera-se que a suspensão das exportações pelo Golfo Pérsico resulte em um déficit no balanço global entre 4 e 6 milhões de barris por dia (mbpd).
  • Essa diminuição da disponibilidade de barris já afeta os níveis de estocagem da commodity em diversas regiões, incluindo os EUA, com os dados do Departamento de Energia divulgados ontem apontando para uma diminuição de 13 milhões de barris dos estoques norte-americanos na semana passada (considerando reservas comerciais e estratégicas). Essa pressão sobre os estoques estadunidenses é reflexo principalmente das exportações, que atingiram um novo recorde histórico, superando 6,2 mbpd.

Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

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Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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