
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

Ontem (04), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 114,44/bbl (+5,80%). Os futuros do WTI seguiram trajetória parecida, encerrando o dia em USD 106,42/bbl (+4,40%).
O movimento reflete a escalada mais severa desde o cessar-fogo anunciado há um mês, com o Irã atacando navios no Estreito de Ormuz e incendiando o porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos — considerado um hub estratégico de estocagem de petróleo e derivados do Oriente Médio.
Nesta manhã (05), o Brent opera em USD 113,51/bbl, pressionado pela combinação de alívio parcial após a passagem escoltada de um navio pela Marinha dos EUA e o ceticismo quanto à sustentabilidade da iniciativa. O mercado pondera se o episódio representa o início de uma reabertura gradual ou apenas um evento pontual em meio a hostilidades ainda em curso.
O presidente Donald Trump anunciou a "Operação Liberdade", mobilizando 15 mil militares, mais de 100 aeronaves e navios de guerra para escolta de embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz. A iniciativa representa a primeira tentativa de uso de força desde o cessar-fogo de abril para desbloquear a rota.
Por que isso importa: Em um primeiro momento, a passagem do Alliance Fairfax aliviou parcialmente o prêmio de risco embutido nas cotações, contribuindo para a retração das cotações nesta manhã. Já em um segundo momento, o ceticismo prevalece, com o mercado entendendo essa movimentação como um evento isolado e não de uma reabertura completa. Enquanto o estreito permanecer sob bloqueio efetivo, o choque de oferta segue ativo e o viés altista se mantém estruturado nos contratos futuros.
Panorama: A Maersk confirmou que o navio de bandeira norte-americana Alliance Fairfax cruzou o estreito com escolta militar — o único caso confirmado na sessão.
O que esperar? Caso as negociações mediadas pelo Paquistão evoluam para um acordo de cessar-fogo com reabertura negociada do estreito, a tendência é de correção expressiva nas cotações, com o mercado reprecificando rapidamente a normalização dos fluxos. Sem esse acordo, novos episódios de escalada militar tendem a reativar o prêmio de risco geopolítico nos patamares observados ontem.
O ataque iraniano ao porto de Fujairah representa uma escalada qualitativa relevante no conflito. Fujairah é um dos poucos terminais de exportação de petróleo do Golfo que opera fora do Estreito de Ormuz — justamente por isso era considerado uma válvula de escape logística para o escoamento de cargas do Golfo Pérsico em meio ao bloqueio.
Por que isso importa: Vale notar que o ataque a Fujairah elimina, ao menos temporariamente, uma das poucas rotas alternativas de escoamento de petróleo do Golfo que não dependia do estreito. Isso aprofunda a reconfiguração de fluxos já em curso e reduz a capacidade de compensação logística das exportações regionais. O prêmio de risco geopolítico embutido no Brent tende a se manter elevado enquanto a incerteza sobre o acesso a Fujairah persistir.
Panorama: Um tanker vazio da ADNOC, empresa estatal dos Emirados, foi atingido por drones iranianos ao tentar cruzar o estreito.
O que esperar: O ataque ao Porto de Furaijah, nos EAU, ampliou os temores relacionados à travessia pelo Estrito de Ormuz, com o mercado considerando as ofensivas de Teerã como um “sinal” para que os navios não cruzem a via.
A mídia estatal iraniana reportou que Washington transmitiu sua resposta à proposta de 14 pontos do Irã via Paquistão, com Teerã avaliando o conteúdo. O documento iraniano propõe postergar discussões sobre o programa nuclear para uma fase posterior ao acordo de encerramento da guerra e ao levantamento dos bloqueios marítimos.
Por que isso importa: O fôlego curto do alívio observado nesta manhã está diretamente ligado às declarações de Trump sugerindo que o conflito pode se estender por mais duas a três semanas. O mercado pondera que cada extensão projetada de prazo tem sido sistematicamente superada por novos episódios de escalada desde fevereiro — o que limita a credibilidade de qualquer sinalização de encerramento próximo e mantém o prêmio de risco geopolítico nos preços.
O que esperar? Caso as negociações via Paquistão avancem para um cessar-fogo formal com acordo sobre os bloqueios marítimos, o Brent deve recuar de forma expressiva. O nó nuclear permanece como o principal ponto de impasse e tende a prolongar as tratativas mesmo que um acordo operacional sobre o estreito seja alcançado.

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Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.


7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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