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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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IEA projeta que déficit global de petróleo deve se estender até o terceiro trimestre

Ontem (12), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta de USD 3,56, totalizando USD 107,77/bbl (+3,42%). O WTI seguiu trajetória parecida, encerrando a USD 102,18/bbl (+3,21%).

O driver principal foi a deterioração das expectativas de um acordo de paz, com o presidente dos EUA, Donald Trump, reforçando a postura menos conciliadora ao afirmar que não precisa da ajuda chinesa para vencer a guerra "de forma pacífica ou não", reduzindo as expectativas de que a cúpula com Xi Jinping pudesse destravar negociações.

Nesta manhã de quarta-feira (13), o Brent operava estável em USD 108,00/bbl (+0,2%) às 09h00, com o mercado em compasso de espera pela reunião Trump-Xi marcada para quinta e sexta-feira. Vale destacar que o relatório divulgado pela IEA indicando um déficit que se estende até o terceiro trimestre acaba contribuindo para manter os preços em patamares elevados.

IEA confirma maior choque de oferta da história e projeta déficit até o terceiro trimestre

O relatório mensal da Agência Internacional de Energia divulgado nesta quarta-feira evidencia a dimensão da crise deixada pelo conflito no Golfo Pérsico, com perdas acumuladas de mais de 1 bilhão de barris desde o início do conflito e uma queda dos estoques globais em 246 milhões de barris entre março e abril.

A agência revisou amplamente as suas projeções, com a oferta global em 2026 devendo cair 3,9 mbpd. Nesse sentido, a agência, que esperava em dezembro um superávit de quase 4 mbpd nesse ano, agora projeta um déficit de 1,8 mbpd.

Por que isso importa: Mesmo assumindo o fim do conflito em junho e reabertura gradual do estreito a partir do terceiro trimestre, a IEA espera que o mercado permanecerá severamente subofertado até setembro, com déficit de 6 mbpd no segundo trimestre.

  • Isso significa que os estoques continuarão caindo durante o pico de demanda do verão do Hemisfério Norte Global, elevando volatilidade e sustentando preços em patamares altos.
  • A liberação coordenada de 400 milhões de barris de reservas estratégicas — a maior da história — já consumiu 164 milhões de barris, evidenciando que essa absorção adicional de barris das SPR não foi capaz de reduzir os impactos causados pela guerra.

O que esperar? O relatório da IEA projeta retorno do mercado à um leve superávit apenas no quarto trimestre, caso o estreito reabra gradualmente a partir dos próximos meses.

  • Caso o conflito se prolongue além de junho ou a reabertura seja mais lenta que o esperado, o déficit pode se estender para 2027, forçando nova rodada de liberação de reservas estratégicas e potencialmente empurrando o Brent para patamares parecidos com o observado após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, em 2022.

 

Irã institucionaliza controle sobre Ormuz via acordos bilaterais com Iraque e Paquistão

Ao longo dessa semana, Teerã fechou acordos com Bagdá e Islamabad para permitir trânsito de cargas específicas pelo Estreito de Ormuz. Dois VLCCs  do Iraque carregando cerca de 4 milhões de barris cruzaram o estreito no domingo, enquanto dois navios com GNL do Catar seguem para o Paquistão sob proteção iraniana.

Por que isso importa: Ao conceder passagens seletivas a aliados e países dependentes do petróleo provido pelo Golfo, Teerã consegue promover a sua política de controle sobre o estreito, com o mercado esperando uma continuação da medida iraniana, que deve seguir com uma política de “pedágios” para a travessia.

Panorama: Antes da guerra, cerca de 3.000 embarcações cruzavam Ormuz mensalmente; o tráfego atual está em aproximadamente 5% desse nível, segundo dados de rastreamento marítimo, evidenciando a magnitude do estrangulamento logístico.

  • O Iraque está montando equipes especializadas no Ministério do Petróleo para fornecer informações detalhadas às autoridades iranianas, formalizando processo burocrático que antes inexistia e que pode servir de modelo para outros países.
  • O Qatar não participou diretamente das negociações com Paquistão, mas informou os EUA antes dos embarques de GNL, sinalizando tentativa de manter canal aberto com Washington enquanto viabiliza exportações via Teerã.

O que esperar? No curto prazo, os acordos aliviam marginalmente a pressão sobre Iraque e Paquistão, mas não resolvem o déficit global.

  • Caso mais países formalizem acordos com Teerã, a pressão internacional para reabertura incondicional do estreito pode diminuir, prolongando o cenário atual.
  •  Por outro lado, se os EUA interpretarem esses trânsitos como violação do bloqueio, há risco de interceptação naval e escalada adicional do conflito, o que contribuiria para manter os preços do petróleo elevados.

 

Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

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Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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