
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

Ontem (26), o contrato mais ativo do Brent encerrou em alta de aproximadamente 3,6%, atingindo USD 99,58/bbl, após os EUA realizarem novos ataques a instalações iranianas próximas ao Estreito de Ormuz, descartando expectativa de acordo imediato. O WTI seguiu trajetória contrária, passando por correções após o feriado do Memorial Day.
Os futuros foram suportados tanto pela escalada militar quanto por sinais contraditórios diplomáticos, com Marco Rúbio afirmando que um acordo "pode levar alguns dias", enquanto o Irã acusou os EUA de violar o cessar-fogo vigente desde abril. O mercado reagiu ao risco de prolongamento do conflito, precificando maior incerteza sobre as possibilidades de reabertura do Estreito de Ormuz no curto prazo.
Esta manhã (27), o Brent opera com queda de 3,1%, a USD 96,47/bbl às 08h30, revertendo quase integralmente os ganhos de ontem. O sentimento se deslocou para o lado vendedor diante de evidências de progresso nos bastidores das negociações em Doha e de relatos de tanqueiros transitando pelo Estreito — sinal que o mercado interpreta como precursor de reabertura.
Tanqueiros de GNL e VLCCs - capazes de transportar até 2 mihões de barris de petróleo - voltaram a transitar pelo Estreito de Ormuz nos últimos dias, ainda que em um volume bem menor em relação ao observado no período pré-guerra. O dado alimentou expectativas de reabertura gradual, mesmo que sob o sistema de pedágios aplicado por Teerã, comprimindo o prêmio de risco embutido nos preços.
Por que isso importa: A passagem de embarcações representa uma flexibilização do controle iraniano sobre a rota, e sua repetição sinaliza que o corredor pode estar sendo reaberto de forma negociada — o que tende a reduzir o risco de choque de oferta de forma gradual, não abrupta. Cada sinal de retorno à normalização dos fluxos retira parte do prêmio geopolítico incorporado ao Brent desde fevereiro, ainda que de maneira tímida, dadas as incertezas em relação ao retorno das exportações pelo Golfo Pérsico.
Panorama: Desde o fechamento efetivo do Estreito, os preços físicos de petróleo no Oriente Médio atingiram máximas históricas, com o diferencial FOB Ras Tanura, dos EAU, chegando a prêmios inéditos frente ao Dated Brent;
O que esperar: Caso os trânsitos pelo Estreito se consolidem e um memorando de entendimento seja anunciado nos próximos dias, o Brent pode recuar para a faixa entre USD 80 e 90 bbl, com desmonte de posições compradas e redução do prêmio geopolítico.
Um carregamento de 616 mil barris de petróleo dos estoques estratégicos dos EUA saiu do Texas com destino às Filipinas, marcando o primeiro envio de SPR para a Ásia desde novembro de 2022. O cargueiro, afretado pela Shell, chega a Bataan no início de julho.
Por que isso importa: O fluxo de SPR para a Ásia confirma que a reconfiguração de fornecimento forçada pelo fechamento do Estreito já produziu efeitos permanentes de curto prazo — compradores asiáticos, antes dependentes do Golfo Pérsico, agora acessam volumes comerciais e estratégicos dos EUA. O gesto político reforça a coordenação entre os países membro da IEA para reduzir as dificuldades de fornecimento causadas pela guerra, com o mercado norte-americano servindo como um fornecedor de última instância ao restante do mundo.
Panorama: As Filipinas não recebiam petróleo americano desde fevereiro de 2020 e dependem estruturalmente de Arábia Saudita, UAE e Iraque para garantir o abastecimento interno;
O que esperar: Enquanto o Estreito permanecer fechado ou com trânsito instável, novas cargas de SPR para a Ásia devem se multiplicar — especialmente para países sem acordos alternativos consolidados. É importante frisar que o continente asiático era o principal destino da commodity fornecida pelo Golfo Pérsico.

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Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.


7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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