O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

Banner Currencies

Brent volta a avançar com escalada de ataques entre Irã e EUA

Ontem (27), o contrato mais ativo do Brent encerrou em baixa acentuada, totalizando USD 94,29/bbl (−5,3%), enquanto o WTI fechou a USD 88,68/bbl (−5,5%). Ambos os benchmarks tocaram seus menores níveis desde 17 de abril, revertendo o avanço de 3,6% na sessão anterior em meio a especulações sobre um possível acordo de paz entre EUA e Irã.

A queda foi alimentada por reportagens sobre um suposto acordo preliminar entre Washington e Tehran para restaurar a navegaçã no Estreito de Ormuz e retirar bloqueios, reduzindo o prêmio de risco geopolítico e induzindo vendas técnicas. No entanto, a Casa Branca e Trump negaram proximidade de entendimento, enquanto divergências permanecem quanto ao controle do estreito, sanções e questões nucleares.

Nesta manhã (28), o Brent reagiu e opera com alta de 2,5%, a USD 96,67/bbl até as 08h20 - horário de Brasília, impulsionado por ataques mútuos entre EUA e Irã e sanções adicionais sobre autoridades iranianas. O mercado pondera que, diante da escalada militar e do impasse diplomático, a chance de reabertura total de Hormuz no curto prazo diminuiu, restaurando o prêmio de risco na curva.

Ataques aéreos e bloqueios mantêm prêmio de risco sobre Hormuz

Horas após a rejeição do acordo preliminar, ataques cruzados entre Irã e EUA - incluindo investidas aéreas em Bandar Abbas - intensificaram o ambiente de incerteza sobre a estabilidade na região do Golfo Pérsico. O movimento envolveu ainda retaliação do Irã contra bases americanas e novos bombardeios de Israel no sul do Líbano.

Por que isso importa: Os ataques e impasse diplomático mantêm limitada a oferta de petróleo e elevam o prêmio de risco nos contratos, impactando formação de preço de curto prazo. O efeito é imediato, com os prêmios de Dubai crescendo frente ao Brent - dado que o mercado interpreta essa retomada das ofensivas como um dificultador do avanço das negociações diplomáticas. O mercado volta a monitorar a movimentação de navios no estreito e desdobramentos nas sanções.

Panorama: Relatos apontam que dois VLCCs e um navio de GNL cruzaram Ormuz com transponders desligados nesta semana, rumo a Índia e China. As indicações apontam que essa movimentação foi feita sob a política de pedágios (toll system) aplicado por Teerã.

  • Apesar disso, dados marítimos indicam que apenas cargas de menor risco operacional está atravessando o estreito, reforçando a sustentação dos preços.
  • O U.S. Treasury ampliou sanções à Autoridade do Estreito de Golfo Pérsico, entidade iraniana de gestão do estreito criada na semana passada - impactando diretamente nas conversas entre os dois países.

O que esperar? Caso o conflito militar se agrave, a reabertura de Hormuz tende a atrasar e o Brent pode voltar a operar em patamares acima de USD 100/bbl. É importante frisar que essa dificuldade de retomar os diálogos vem ocorrendo de maneira recorrente, entregando fôlego para a retomada do ímpeto altista das cotações.

  • Enquanto isso, a atenção do mercado segue para o "prazo" de reabertura entre julho e agosto, período considerado de extrema importância para a normalização dos fluxos de petróleo pelo Golfo Pérsico.

Estoque dos EUA: sexta semana consecutiva de queda

Os dados da API apontaram nova queda nos estoques de petróleo nos EUA (2,8 milhões de barris), acelerando a redução de reservas e realçando o impacto da crise de Hormuz sobre o balanço global. Os estoques de gasolina recuaram 3,2 milhões de barris, enquanto os de diesel subiram 1,1 milhão.

Por que isso importa: A contínua redução dos estoques americanos sustenta o argumento de escassez global e pressiona o balanço petrolífero dos EUA. O impacto é gradual, materializando-se à medida que as reservas globais começam a recuar de maneira mais acelerada, com um volume maior de consumidores direcionando seus pedidos para o mercado norte-americano, que segue trabalhando com uma produção elevada da commodity.

Panorama: O recuo semanal de estoques dos EUA se mantém desde abril, reforçando a vulnerabilidade do mercado físico diante da crise.

  • Gasolina apresenta comportamento altista, sugerindo demanda resiliente e restrições logísticas, especialmente em meses de verão no Hemisfério Norte.
  • Os estoques de diesel seguem estáveis, apesar de bem menores em comparação com a média histórica dos últimos cinco anos para o período. Apesar de um consumo fragilizado, as vendas ao extreior seguem em patamares bem elevados, impactando os níveis de estocagem.
  • Dados oficiais da DOE serão publicados hoje, as 13h, com as novas informações devendo pesar sobre os preços dos derivados fósseis.

Demanda na Índia: cortes de voos sinalizam abalo

As duas maiores companhias aéreas da Índia anunciaram cortes de voos domésticos para junho e julho, sugerindo ajuste à demanda e possíveis efeitos secundários do choque de preços e instabilidade regional.

Por que isso importa: O enfraquecimento da demanda como resultado da menor disponibilidade de produtos no mercado global é canal importante para o ajuste de preço da gasolina e refinados. O efeito é gradual, com impacto inicial sobre crack spreads de produtos e expectativa em torno do consumo asiático. A variável-chave passa a ser o ritmo de recuperação dos fluxos e consumo.

Panorama: O mercado asiático, responsável por absorver grande parte do excedente do Oriente Médio, sofre impacto direto da instabilidade em Ormuz.

  • Dados de importação de petróleo para Índia e China permanecem baixos, em função da incerteza logística e do risco de interrupção de fluxos.
  • Desta forma, essa destruição de demanda de combustíveis é causada principalmente pela redução de petróleo ofertado aos centros de processamento, com as companhias aéreas buscando medidas para reduzir os impactos inflacionários nas suas operações mas, ao mesmo tempo, ajustando capacidade e sinalizando menor propensão a repassar preços elevados ao consumidor final.

O que esperar? Apesar da destruição de demanda causada pela oferta mais escassa, a redução de oferta é significativamente maior, o que acaba resultando em um recuo acelerado dos estoques a nível global. Destaca-se que, desde o início da guerra, a IEA estima um recuo de mais de 250 milhões de barris das reservas globais de petróleo e derivados, com essa tendência se mantendo enquanto o Estreito de Ormuz não for completamente reaberto.

 Tabela diária - Variação dos preços na sessão anterior

image 131968

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Artigos relacionados para Energia

Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026

Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

Liderança Inovadora
Liderança Inovadora
  • Energia

Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

Mike Castle
Mike Castle
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

Mike Castle
Mike Castle
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais
Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.