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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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Retomada das hostilidades no Golfo Pérsico e advertência da IEA ampliam prêmio de risco do petróleo

Ontem (02), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, totalizando USD 96,00/bbl (+1,1%), após oscilar entre mínimas de USD 94,20/bbl e máximas de USD 96,19/bbl. O WTI encerrou cotado em USD 93,76/bbl (+1,7%), ambos atingindo o maior patamar desde 26 de maio. A sessão foi marcada por investidores reagindo à sinalização da IEA de risco crítico nas reservas globais e à incerteza diplomática entre Irã e Estados Unidos.

O principal elemento de sustentação foi a paralisação das comunicações entre Teerã e Washington quanto à proposta de trégua, prolongando o fechamento do Estreito de Ormuz. Além disso, a IEA afirmou que os estoques globais podem atingir mínimas críticas no verão do Hemisfério Norte, com estimativas de queda semanal nas reservas americanas, sinalizando aceleração do déficit ao redor do globo. A interrupção das comunicações e a ausência de uma decisão concreta sobre a reabertura do estreito ampliaram a percepção de risco, com elevada sensibilidade a qualquer desdobramento diplomático.

Nesta manhã, o Brent segue em alta, cotado a USD 98,49/bbl (+2,6%) por volta das 08h30, expandindo o prêmio de risco diante da retomada de ataques pela Guarda Revolucionária do Irã contra o Kuwait e de novos bombardeios dos EUA na ilha de Qeshm. Nesse sentido, os investidores ajustam o posicionamento apostando que o impasse geopolítico e o quadro de estoque apertado prolongam a sustentação dos preços.

Escalada militar amplia percepção de risco e reduz expectativa de trégua

Ataques com mísseis e drones por parte do Irã contra Kuwait e Bahrein, além de bombardeios dos EUA a instalações iranianas em Qeshm, intensificaram a escalada militar e frustraram as expectativas de avanço nas negociações entre as partes. O prolongamento do conflito e as sinalizações contraditórias do governo Trump e de autoridades iranianas convergem para um cenário de impasse, mantendo os investidores em postura defensiva.

Por que isso importa: Cada rodada de hostilidade amplia o prêmio de risco embutido nos preços spot e futuros, elevando a volatilidade e dificultando a normalização do balanço de petróleo. A persistência do impasse trava iniciativas diplomáticas e reduz a previsibilidade dos fluxos físicos, com risco de novas rupturas logísticas. No curto prazo, cada ataque ou fracasso nas negociações tem potencial para acelerar movimentos abruptos nos preços.

  • Vale destacar que o Kuwait, atingido pelos ataques iranianos, é um dos países mais afetados pela guerra no Oriente Médio, com sua produção caindo mais de 2 mbpd (70% do total) desde o início do conflito entre Irã e EUA.
  • Outros importantes produtores, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Iraque, também sofrem com esse cenário, operando com estoques no limite da capacidade e sem rotas alternativas para escoar seus produtos.

O que esperar? O cenário atual é de manutenção do impasse e de expectativas de escalada, sustentando os preços. Caso uma nova trégua seja formalizada, o prêmio de risco pode recuar, sem eliminar completamente a volatilidade; por outro lado, um agravamento dos bombardeios pode impulsionar novamente o Brent para além de USD 100/bbl em curto espaço de tempo.

Estreito de Ormuz permanece fechado, amplificando restrição mundial de oferta

O Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% dos fluxos mundiais de petróleo e GNL, segue fechado há mais de três meses. A Guarda Revolucionária do Irã mantém restrições a navios não iranianos, enquanto os EUA prosseguem com bloqueios a portos iranianos.

O impasse compromete o escoamento das exportações dos países do Golfo, ampliando o déficit de oferta internacional. As sinalizações de negociação continuam, mas o hiato nas comunicações desde a última mensagem enviada por Teerã agrava a percepção de que um acordo para a reabertura ainda está distante.

Por que isso importa: O prolongamento das restrições no Estreito de Ormuz mantém a dependência de estoques para o suprimento global, elevando os prêmios de risco nos preços. A ampliação do déficit logístico pressiona distribuidoras e refinarias, com potencial de transferir custos de energia ao consumidor, especialmente no pico de demanda do verão. O risco reside em uma eventual interrupção dos fluxos alternativos, exacerbando o estresse nas curvas e podendo levar Brent e WTI a patamares inéditos caso não haja sinalização concreta de trégua.

• Vale destacar que os dados do API mostraram um recuo de 6,8 milhões de barris nos estoques comerciais de petróleo dos EUA nesta semana, evidenciando que o mercado norte-americano segue pressionado pelo aumento da demanda asiática, que busca alternativas ao petróleo ofertado pelo Golfo Pérsico.

O que esperar? Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado e a ausência de acordos dominar o quadro diplomático, os preços tendem a se manter elevados, sustentados pelo prêmio de risco.

Acúmulo de quedas nas reservas globais intensifica o estresse de curto prazo

A IEA advertiu ontem que as reservas globais podem atingir mínimas históricas antes do pico de demanda do verão. Dados preliminares do API indicam a retirada de 6,8 milhões de barris das reservas americanas na última semana, o sétimo declínio consecutivo, acima da média quinquenal de 2,7 milhões de barris.

Por que isso importa: A queda persistente nas reservas intensifica a vulnerabilidade do mercado a choques de oferta, limitando a capacidade de amortecer a volatilidade causada por conflitos e bloqueios. No médio prazo, o risco de escassez operacional pode resultar em um esgotamento mais acelerado das reservas de petróleo e derivados, potencialmente elevando ainda mais o prêmio de risco. Caso seja confirmado um novo ciclo de quedas nas reservas globais, o estresse sobre os preços tende a ser ampliado.

O que esperar? Com a continuidade dos bloqueios e da retirada de estoques, os futuros do petróleo devem permanecer com viés altista. Caso seja confirmada uma nova queda nos dados semanais da EIA/API, o estresse de curto prazo tende a se intensificar, limitando a reação de baixa. Um aumento inesperado nas reservas pode amenizar temporariamente o fôlego altista, mas não elimina o prêmio estrutural.

Tabela diária - Variação dos preços na sessão passada

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Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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Comentários de Abertura

7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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