
Petróleo recua em meio ao cessar-fogo temporário entre Irã e Israel
Ontem (08), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta de 1,3%, totalizando USD 94,25/bbl, após atingir pico intradiário acima de USD 94,80 e mínima em USD 92,90. O WTI encerrou a sessão cotado a USD 91,30/bbl (+0,8%). O movimento reverteu a pressão baixista da sessão anterior, impulsionado por escalada de ataques mútuos entre Irã e Israel, com impacto direto sobre expectativas de risco geopolítico e oferta via Estreito de Ormuz.
A alta de segunda-feira foi sustentada inicialmente pelo temor de novas interrupções logísticas, com Israel atingindo instalações petroquímicas iranianas e o Irã retaliando com ofensivas na região de Haifa. A confirmação, no início do dia, de uma interrupção da ofensiva entre os dois lados contribuiu, no entanto, para uma redução dos ganhos registrados.
Na manhã de hoje (09), por volta das 08h00, Brent recuava 1,9%, cotado a USD 92,4/bbl, com o WTI em queda de 2,1%, a USD 89,37/bbl. Participantes do mercado interpretam o anúncio de trégua entre Irã e Israel como uma normalização parcial, reduzindo temporariamente o prêmio de risco, mas a manutenção de bloqueios no Estreito de Ormuz e o impasse em Beirute sustentam a volatilidade. O cenário precifica um cessar-fogo frágil, com estresse persistente nos fluxos físicos e possibilidade de reversão na curva caso hostilidades se intensifiquem.
Cessar-fogo parcial e manutenção dos bloqueios no Estreito de Ormuz
Após três meses de conflito, Irã e Israel anunciaram a suspensão de ataques mútuos em resposta a um apelo do presidente Donald Trump, sem resolução quanto à campanha israelense em Beirute e aos bloqueios logísticos.
Por que isso importa: Mesmo com o cessar-fogo, controles adicionais e a taxa de trânsito elevam custos, limitando a arbitragem e a disponibilidade de barris, especialmente para os mercados asiáticos. Houve normalização parcial de voos e da movimentação portuária em Teerã, mas persistem riscos de reversão e escassez. A manutenção do bloqueio logístico implica volatilidade pronunciada e prêmio de risco estrutural, com impacto potencial nos spreads regionais e na estocagem, no limite, em grandes produtores concentrados no Golfo Pérsico.
O que esperar? Enquanto persistirem restrições operacionais no Estreito de Ormuz e a instabilidade em Beirute, o Brent tende a oscilar entre USD 90–100/bbl, com sensibilidade à retomada de hostilidades.
- Caso os ataques sejam retomados ou haja endurecimento das condições de trânsito, os futuros do petróleo podem superar USD 100/bbl rapidamente, com os investidores voltando a precificar a fragilidade no balanço global da commodity.
Queda na produção russa limita exportações de petróleo ao exterior
De acordo com estimativas do mercado, a Rússia reduzirá as exportações de petróleo em junho para 1,7 mbpd — volume 32% menor do que o observado em maio —, diante do aumento do processamento interno e da queda da produção provocada por ataques ucranianos.
Por que isso importa: O declínio das exportações russas reduz a disponibilidade global de petróleos mais pesados, elevando o prêmio de risco e dificultando a recomposição de estoques, especialmente na Europa e na Ásia. A incapacidade de restaurar rapidamente a produção torna o alívio do balanço dependente de fontes alternativas. O estresse logístico pode aumentar a oscilação dos preços, intensificando a volatilidade em caso de persistência das interrupções.
O que esperar? Caso as condições de manutenção e reparo não avancem, as exportações russas tendem a permanecer restritas, ampliando o déficit global e sustentando os preços do petróleo em patamares mais elevados.
- Se os ataques à infraestrutura prosseguirem, o mercado deve observar uma menor oferta também vinda do Leste Europeu, o que resultaria em problemas ainda mais expressivos para o balanço global de petróleo e derivados.
- Vale destacar que, no final do mês passado, o governo russo declarou o banimento das exportações de QAV, com rumores apontando para uma possível limitação das exportações de diesel a ser anunciada nas próximas semanas. Apesar de improvável, o banimento das vendas de diesel ao exterior impactaria o mercado brasileiro de maneira expressiva, dado que a Rússia segue como principal fornecedor do combustível ao país.
Tabela diária - Variação dos preços na sessão passada

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.