
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

Ontem (10), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta, encerrando a sessão a USD 93,10/bbl (+1,8%), enquanto o WTI avançou para USD 90,03/bbl (+2,0%). Ambos os contratos chegaram a acumular ganhos de até USD 3,0/bbl durante o pregão, antes de recuarem parcialmente após declarações do presidente Trump sobre uma operação militar sigilosa de escolta de navios pelo Estreito de Ormuz.
O movimento foi impulsionado pela combinação das ameaças de Trump de atacar o Irã "muito duramente" caso nenhum acordo seja fechado, com o conflito registrando um dos episódios de troca de fogo mais intensos desde o cessar-fogo de abril. Ao mesmo tempo, o DOE reportou queda de 7,2 milhões de barris nos estoques norte-americanos na semana até 5 de junho — quase o dobro das expectativas —, com utilização de refino a 95,3%, sinalizando pressão crescente sobre o balanço doméstico e fragilidade dos estoques globais.
Esta manhã (11), por volta das 08h30, o Brent recuava para USD 92,1/bbl (-1,1%) e o WTI para USD 89,1/bbl (-1%), após ambos acumularem alta de mais de USD 2,0/bbl no início da sessão. O mercado precifica simultaneamente o fechamento formal do Estreito de Ormuz pelo Irã e sinalizações de que negociações entre Washington e Teerã se intensificaram, reduzindo o prêmio de risco em relação à abertura.
O Irã anunciou o fechamento formal do Estreito de Ormuz, com a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico sinalizando que embarcações que tentem a passagem serão atacadas. O fechamento foi declarado após novos ataques norte-americanos contra alvos iranianos, incluindo uma ofensiva contra um navio no Golfo de Omã que transportava petróleo iraniano, gerando incidente diplomático com a Índia, que reportou três marinheiros mortos. Apesar da retórica, os EUA confirmaram que embarcações comerciais continuam em trânsito e que nenhum navio de guerra norte-americano foi atingido; ao mesmo tempo, três tanqueiros de GNL deixaram o Estreito com transponders desligados com destino à Ásia.
Por que isso importa: A divergência entre o anúncio formal de fechamento e o trânsito parcial em curso é o principal fator de contenção do prêmio de risco, com o mercado apostando que o bloqueio total ainda não se materializou. No médio prazo, a manutenção das restrições limita as exportações do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, EAU, Kuwait, Iraque) e comprime ainda mais o balanço global já deficitário. A possibilidade real do bloqueio total, que eliminaria o resto dos fluxos físicos transportados pelo estreito, deve resultar em um avanço mais significativo dos futuros da commodity.
O que esperar? Enquanto o trânsito parcial persistir e as negociações avançarem, o Brent tende a se manter na faixa de USD 90–100/bbl, ainda que com ampla volatilidade. Caso o Irã efetivamente impeça a passagem de embarcações comerciais ou ocorra novo episódio militar de grande escala, a reprecificação altista pode ser abrupta, com os investidores demonstrando menor otimismo em relação a um potencial memorando de entendimento entre as partes.
As importações chinesas de petróleo em maio recuaram 29% em relação ao mesmo período do ano passado, para 7,8 mbpd — menor nível em oito anos —, após queda de 20% em abril. O movimento combina uso de estoques acumulados em períodos de preços baixos com uma queda surpreendente no consumo de combustíveis: vendas de gasolina da Sinopec recuaram 8% e de diesel 6% na comparação anual em abril. A aceleração da eletrificação de frotas e a migração para transporte ferroviário e coletivo elétrico indicam mudança comportamental com potencial de permanência, especialmente em gasolina.
Por que isso importa: A redução conjuntural da demanda chinesa por derivados líquidos — por conta da menor oferta de petróleo vinda do Golfo Pérsico — atua como teto para os preços da commodity, compensando parcialmente a contração da oferta do Oriente Médio. No médio prazo, se o declínio das importações chinesas se consolidar abaixo de 8,5 mbpd de forma sustentada, o reequilíbrio do balanço global ocorrerá em patamar de preços mais baixo do que os modelos pré-conflito projetavam. O risco é que, esgotados os estoques estratégicos chineses, a retomada das importações eleve a pressão sobre o mercado físico simultaneamente a uma eventual resolução do conflito.
O que esperar? Enquanto a China mantiver o consumo de estoques acumulados e o comportamento de demanda permanecer deprimido, os preços do petróleo devem seguir em patamares abaixo de USD 100/bbl. Caso a China retome importações em volume próximo ao pré-guerra (acima de 10 mbpd), o balanço global — já fragilizado — sofreria reprecificação altista expressiva.
Os estoques comerciais norte-americanos recuaram 7,2 milhões de barris na semana até 5 de junho, para 426,5 milhões de barris. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, os estoques totais dos EUA, incluindo a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR), acumulam queda de 79 milhões de barris, com a SPR atingindo seu menor nível desde agosto de 2023. As taxas de utilização das refinarias chegaram a 95,3%, nível historicamente elevado, refletindo esforço para compensar a contração dos fluxos físicos do Golfo Pérsico.
Por que isso importa: A aceleração nas retiradas de estoques comerciais, combinada com a SPR em mínimos históricos recentes, estreita a margem de manobra norte-americana para amortecer choques adicionais de oferta. O aumento de importações líquidas e a queda das exportações de petróleo dos EUA em 1,03 mbpd sugerem que o papel dos EUA como exportador global está sendo temporariamente revertido. A fragilidade do balanço global eleva a sensibilidade dos preços a qualquer deterioração adicional no Estreito de Ormuz e em outras regiões, com o recuo das exportações russas contribuindo para esse aperto do balanço global.
O que esperar? O cenário atual é de estoques sob pressão contínua enquanto o conflito limitar exportações do Golfo Pérsico e as refinarias operarem em capacidade máxima nos EUA e na Europa. Caso a transferência da SPR ao estoque comercial não seja suficiente para compensar as quedas semanais, a pressão sobre os preços domésticos nos EUA tende a se intensificar — com eventual impacto sobre a inflação e a política monetária do Federal Reserve. Vale lembrar que o período atual é crítico, com a proximidade da driving season podendo resultar em um cenário pior para o balanço de gasolina no país — a depender, é claro, do contexto geopolítico nas próximas semanas.

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Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.


7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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