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Diário de Petróleo

By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

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Petróleo cai para mínima de três meses com acordo EUA-Irã 

Ontem (15/06), o contrato mais ativo do Brent fechou em queda de 4,76%, cotado a USD 83,17/bbl. O WTI encerrou a USD 80,75/bbl (–4,87%), com ambos os contratos registrando o menor nível de fechamento desde 4 de março.

O movimento refletiu a assinatura de um memorando de entendimento entre EUA e Irã para encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, eliminando parte do prêmio de risco acumulado nos últimos meses. Investidores reagiram à expectativa de normalização dos fluxos físicos pelo estreito nos próximos meses, ainda que detalhes sobre o cronograma e as condições de reabertura permaneçam incompletos.

Por volta das 08h00 desta terça-feira (16/06), o Brent operava a USD 80,9/bbl (–2,7%). O mercado continua precificando retomada gradual da oferta, mas mantém cautela diante da ausência de acordo final e dos riscos de execução logística no Golfo Pérsico.

Acordo EUA-Irã: reabertura do Estreito de Ormuz em 30 dias, mas incertezas persistem

O memorando de entendimento foi assinado por representantes dos EUA e pelo presidente do parlamento iraniano, com cerimônia oficial prevista para sexta-feira (19) em Genebra. O acordo prevê a reabertura do Estreito de Ormuz em até 30 dias sob arranjos iranianos, cessar-fogo permanente em todas as frentes — incluindo Líbano — e início de negociações finais em um período de 60 dias, cobrindo o programa nuclear iraniano e a liberação de até USD 25 bilhões em ativos iranianos congelados.

Por que isso importa: O Estreito de Ormuz permaneceu fechado por mais de três meses, removendo do mercado mais de 14 mbpd — cerca de 14% da demanda global — e comprimindo os estoques mundiais ao menor nível desde 2003. A reabertura elimina o principal prêmio de risco geopolítico embutido nos preços, mas a velocidade de normalização da oferta depende da remoção de minas, reativação de seguros marítimos e retomada operacional das refinarias e terminais do Golfo Pérsico — processo que pode levar de semanas a meses.

O que esperar? O cenário atual é de queda sustentada do prêmio de risco, com Brent tendendo a se aproximar da faixa de USD 75–80/bbl nas próximas semanas conforme a reabertura do Estreito avançar. A normalização plena da oferta deve ser gradual, dado o prazo para remoção de minas e reativação logística, sustentando algum suporte técnico nos preços no curto prazo. Caso a cerimônia de sexta-feira não avance para acordos concretos sobre o programa nuclear iraniano ou Israel retome operações militares no Líbano, a volatilidade pode se intensificar com reversão parcial do movimento de queda.

Ataques de drones ucranianos atingem depósitos de combustível na Rússia

Drones ucranianos causaram incêndio em um depósito de petróleo na região de Krasnodar, no sul da Rússia, nesta terça-feira (16), sem vítimas reportadas. Na região de Yaroslavl, um depósito em Rybinsk permanecia em chamas após ataque registrado nesse domingo (14). A Ucrânia derrubou ainda duas pontes que conectavam a região de Kherson à Crimeia na segunda-feira (15), agravando a crise de combustível na península e gerando corridas aos postos na região de Krasnodar.

Por que isso importa: A Crimeia e a região de Krasnodar já enfrentavam escassez de combustível antes dos novos ataques, e a interrupção adicional de rotas logísticas limita o abastecimento local sem impacto material sobre os fluxos globais de petróleo. O padrão de ataques ucranianos à infraestrutura energética russa mantém um prêmio de risco residual, mas insuficiente para reverter a tendência de queda gerada pelo acordo EUA-Irã.

O que esperar? A continuidade dos ataques ucranianos à infraestrutura energética russa deve manter perturbações regionais no abastecimento de combustíveis, sem alterar o balanço global de petróleo de forma significativa. O impacto sobre os preços internacionais permanece marginal enquanto o foco do mercado estiver no processo de reabertura do Estreito de Ormuz.

  • Caso os ataques atinjam infraestrutura de exportação de maior escala — como terminais do Mar Negro —, há risco de reprecificação pontual do Brent. Vale destacar que, no início do mês, Moscou anunciou o banimento das exportações de QAV, evidenciando a crise causada pelo avanço dos ataques ucranianos. Em paralelo, especulações iniciais apontaram para uma possível medida similar para o diesel, apesar de, até o momento, o Kremlin não ter se pronunciado sobre o assunto.
  • Energia

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

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7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.

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6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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