
Petróleo opera estável, com foco nas possíveis negociações em Doha
Ontem (29/06), o contrato mais ativo do Brent fechou com alta de 1,8%, cotado a USD 73,9/bbl. O WTI acompanhou o movimento altista, trabalhando ao redor dos USD 70,8 bbl (+2,2%).
A escalada das tensões no Estreito de Ormuz ao longo do final de semana restringiu o fluxo de navios tanqueiros pela região, comprimindo a oferta disponível e elevando o prêmio de risco embutido nos contratos. O movimento refletiu a reação dos participantes ao risco de uma nova interrupção dos fluxos físicos pelo principal corredor de exportação de petróleo do Golfo Pérsico.
Nesta manhã (30/06), por volta das 08h30, o contrato mais ativo do Brent operava a USD 73,9/bbl (+0,43%), enquanto o WTI agosto avançava a USD 71,02/bbl (+0,38%). Sinalizações de possível retomada de negociações entre EUA e Irã em Doha pesam sobre o prêmio de risco, mas a incerteza sobre a realização do encontro mantém o viés moderadamente altista.
Estreito de Ormuz: fluxos parcialmente recuperados, fragilidade persiste
O tráfego de navios tanqueiros pelo Estreito de Ormuz avança de forma intermitente desde o acordo de cessar-fogo de 17 de junho, com o volume de cargas exportadas ainda rodando em torno de 50% dos níveis pré-conflito. A frota global reposiciona-se antecipando a retomada plena, com embarcações vazias retornando ao Golfo Pérsico, mas o fluxo efetivo de cargas carregadas permanece restrito por riscos operacionais e de segurança.
Por que isso importa: A divergência entre o reposicionamento da frota e os fluxos físicos reais indica que o mercado está precificando uma recuperação que ainda não se materializou, o que sustenta volatilidade pronunciada nos fretes e nos preços do petróleo. No curto prazo, qualquer reversão nas negociações EUA-Irã ou novo incidente no estreito pode provocar reprecificação brusca para cima. No médio prazo, a normalização depende de definição dos corredores de trânsito.
O que esperar? Enquanto o acordo de cessar-fogo de 17 de junho permanecer frágil e os corredores de trânsito não forem formalizados, os fluxos físicos devem continuar abaixo da capacidade pré-conflito, sustentando prêmio de risco residual no Brent. As expectativas são de recuperação gradual e volátil ao longo de julho, com normalização do balanço apenas no quarto trimestre de 2026 - em um cenário de acordo entre Washington e Teerã para retomada plena dos fluxos em Ormuz.
Petróleo recua expressivamente em junho
O Brent acumula queda de aproximadamente 20% em junho e encerra o segundo trimestre de 2026 no maior declínio trimestral desde a pandemia de Covid-19. O movimento combina retorno de oferta iraniana ao mercado após o acordo interino, pressão de vendas por parte de produtores do Golfo Pérsico — EAU, Catar, Kuwait e Iraque — e revisão baixista das expectativas. O Iraque, por meio da SOMO, ofereceu descontos amplos em relação aos preços oficiais de venda para estimular compradores a retirar petróleo Basrah em julho diretamente do terminal no Golfo.
Por que isso importa: Os descontos iraquianos sinalizam dificuldade de escoamento mesmo com demanda asiática em recuperação moderada, pressionando os diferenciais de petróleo médio do Oriente Médio e abrindo espaço para arbitragem. Enquanto isso, as importações indianas de petróleo russo devem atingir recorde em junho; Japão registrou queda de 38,4% nas importações em maio em base anual, com avanço das compras de petróleo americano.
O que esperar? O cenário atual é de excesso de oferta no curto prazo, com produtores do Golfo competindo agressivamente por participação de mercado via descontos, o que tende a manter os diferenciais pressionados em julho. Vale destacar que essa oferta maior virá principalmente via liberação de barris iraniano sancionados e dos amplos estoques de países do Golfo Pérsico que vinham se acumulando desde o início do conflito.
Variação intradiária dos preços no setor energético

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.