
Diesel enfrenta três riscos para a oferta global em 2026
Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.

- Energia
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By: Bruno Santos, Market Intelligence Analyst

Ontem (01/07), o contrato mais ativo do Brent fechou em queda de aproximadamente 1,8%, cotado a USD 71,57/bbl, enquanto o WTI encerrou a USD 68,60/bbl (–1,3%). A sessão estendeu a tendência de baixa da véspera, com o Brent testando suportes próximos aos níveis pré-conflito.
O movimento refletiu o alívio do mercado após o Qatar confirmar "progresso positivo" nas conversas entre EUA e Irã em Doha sobre o Estreito de Ormuz, reduzindo o prêmio de risco que havia sustentado os preços desde o início do conflito em fevereiro. O fluxo pelo Estreito retomou cerca de 50% dos níveis pré-conflito, enquanto liberações de reservas estratégicas e demanda ainda retraída da China ampliam a pressão baixista sobre o balanço global.
Por volta das 08h10 desta manhã (02/07), o Brent operava a USD 70,51/bbl (–1,48%) e o WTI a USD 67,52/bbl (–1,55%), atingindo os menores níveis desde 27 de fevereiro. O sentimento permanece majoritariamente baixista, com investidores precificando normalização gradual da oferta do Oriente Médio e possível alta dos limites produtivos da OPEP+ a partir de agosto.
As conversas em Doha entre EUA e Irã avançaram sobre questões ligadas ao memorando que suspendeu o conflito em junho, com a próxima rodada prevista após 9 de julho. Apesar do progresso, não há indicação de acordo de paz duradouro, e o Irã reiterou que qualquer interferência dos EUA no Estreito de Ormuz provocaria resposta "decisiva e rápida".
Por que isso importa: A normalização do fluxo pelo Estreito — já em 50% dos níveis pré-conflito, segundo estimativas do mercado — derruba o prêmio de risco que elevou o Brent a USD 120/bbl no pico, com o contrato agora testando suportes pré-guerra próximos a USD 70/bbl. No médio prazo, a velocidade de reabertura do Estreito e a durabilidade do memorando determinam se o mercado se consolida nesse patamar ou reverte para os níveis observados em semanas anteriores.
O que esperar? O cenário atual é de pressão baixista persistente enquanto o fluxo pelo Estreito de Ormuz continuar se normalizando e as liberações de reservas estratégicas seguirem em curso até julho. Caso o memorando seja mantido e a OPEP+ confirme novo aumento de produção em agosto, o Brent tende a se manter em níveis mais baixos. Caso haja ruptura do acordo ou nova escalada militar, a possibilidade de os futuros voltarem a trabalhar em patamares mais altos é grande, dada a fragilidade do balanço físico em nível global neste momento.
A OPEP+ deverá aprovar novo aumento das cotas produtivas a partir de agosto na reunião de domingo (05), possibilitando a adição de maior oferta em um contexto de preços em queda e reabertura gradual do Estreito de Ormuz. Paralelamente, a Aramco retomou carregamentos de Ras Tanura após quase quatro meses de interrupção e ofertou 6 milhões de barris de petróleo com entrega em julho para clientes asiáticos, migrando para precificação spot para agilizar vendas.
Por que isso importa: O desconto do Dubai ao swap caiu USD 1,37 para USD 4,18/bbl — o maior desde maio de 2020 —, sinalizando excesso de oferta do Oriente Médio na Ásia e compressão das margens de refino regionais. A combinação de volumes da Arábia Saudita voltando ao mercado com sinais de um aumento dos limites de produção da OPEP+ aprofunda as expectativas de um volume maior de exportações pelo Golfo Pérsico, limitando uma eventual recuperação de preços.
O que esperar? O mercado segue monitorando de perto a situação dos fluxos físicos no Estreito de Ormuz, com sinais de uma reabertura mais rápida do que o antecipado influenciando as pressões baixistas sobre as cotações. Daqui para frente, a evolução da produção pela OPEP+ será um importante driver para a precificação dos contratos futuros, dado que há incertezas quanto à velocidade da retomada da oferta por alguns players da região. O possível aumento das cotas em agosto entrega ao mercado a percepção de que o grupo pode estar apostando em uma recuperação mais acelerada da oferta, contribuindo para a queda dos preços neste momento.
Os estoques comerciais de petróleo dos EUA caíram 3,8 milhões de barris na semana encerrada em 26 de junho, para 408,4 milhões de barris. O volume total de estoques dos EUA, incluindo reservas estratégicas, atingiu 734 milhões de barris, o menor desde maio de 1984, após queda acumulada de 120,7 milhões desde o início do conflito com o Irã.
Por que isso importa: A utilização das refinarias americanas atingiu 96,6%, indicando demanda interna robusta por petróleo processado, com a região de Cushing permanecendo com níveis de estocagem em mínimas operacionais (~20 mbpd), tornando o sistema vulnerável a qualquer nova disrupção de oferta. A demanda por gasolina superou 9,13 mbpd — nível sazonal historicamente forte —, enquanto as reservas de diesel surpreenderam com um avanço semanal, o que limita o avanço do crack spread do diesel.
O que esperar? A combinação de refinarias operando próximas à capacidade máxima e estoques comerciais baixos reduz a capacidade de exportação dos EUA no curto prazo, o que pode oferecer suporte parcial ao Brent mesmo com viés baixista dominante. Enquanto isso, a necessidade de o mercado norte-americano continuar escoando derivados fósseis ao exterior em um contexto de demanda interna elevada por combustíveis acaba resultando na manutenção de crack spreads altos, com pouco espaço para um recuo dos indicadores neste momento.

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Entenda como paradas em refinarias, ataques e gargalos no refino global podem restringir a oferta de diesel nos próximos meses.


7 de agosto – A economia dos EUA inesperadamente perdeu 23 mil vagas em julho, dramaticamente abaixo das expectativas do mercado de um aumento de 80 mil e marcando a pior leitura de Non-Farm Payrolls desde fevereiro. Além disso, maio e junho foram ambos revisados fortemente para baixo, com as revisões combinadas mostrando 103 mil vagas a menos do que o previamente reportado. Fora o setor de saúde, que adicionou 22 mil vagas em julho, as perdas foram bastante disseminadas. As folhas de pagamento do governo registraram a maior queda, cortando 53 mil vagas em julho, a maior observada desde outubro de 2025, enquanto junho foi revisado para baixo, passando a mostrar uma perda de 10 mil vagas também. O setor privado ao menos registrou crescimento, adicionando 30 mil vagas em julho, agora igualando o mês anterior após este ser revisado para baixo, ante os 49 mil inicialmente reportados, e ficando substancialmente aquém das previsões de 78 mil vagas adicionadas. Trata-se de uma reversão acentuada de curso em relação aos dados de emprego dos EUA amplamente melhores do que o esperado observados no início desta semana.


6 de agosto – Os dados de emprego dos EUA mais fortes do que o esperado nesta manhã ofereceram algum alívio aos mercados, reforçando a confiança na economia ao mesmo tempo em que dão ao Fed maior flexibilidade para elevar os juros caso as pressões inflacionárias reacelerem nos dados de julho da próxima semana. Os futuros das ações apontam para uma abertura mista no início do dia, com o Nasdaq, de forte peso em tecnologia, mostrando a maior fraqueza. O VIX caiu notavelmente em relação ao salto de ontem acima de 18,4, iniciando o dia rondando logo abaixo da marca de 16. O dólar está discretamente em alta, operando logo acima de 99,8, mantendo-se na faixa estreita observada até aqui nesta semana enquanto os operadores continuam a digerir os dados para moldar as expectativas quanto ao próximo movimento do Fed, no qual nos aprofundaremos mais abaixo. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo cairram ligeiramente em relação ao salto recente, com os rendimentos de 30 anos iniciando o dia operando logo acima de 5,19%, enquanto os rendimentos de 10 anos operam acima de 4,64% e os de 2 anos situam-se abaixo de 4,22%. O petróleo bruto está moderadamente em alta para começar a sessão, após fortes quedas no início da semana, com o WTI para entrega próxima em alta de 1,8%, operando a US$76,40, e o Brent para entrega próxima em alta de 2,4%, operando a US$81,40. Enquanto isso, os commodities agrícolas estão discretamente mistos para começar o dia.

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