Ontem (06/07), o contrato mais ativo do Brent fechou em queda, cotado a USD 71,99/bbl. O WTI encerrou a USD 68,55/bbl, acompanhando o movimento baixista.
O driver dominante foi a combinação entre o maior corte de preços da Aramco em mais de duas décadas e a decisão da OPEP+ de elevar as cotas produtivas em 188 kbpd a partir de agosto, somando quase 800 kbpd em aumentos desde abril. O mercado interpretou o movimento como sinal de um possível superávit estrutural nos próximos meses, acelerando as quedas observadas.
Esta manhã (07/07), o Brent operava em alta de 0,96%, a USD 72,68/bbl, por volta das 08h30, após relatos de ataques a navios tanqueiros próximos ao Estreito de Ormuz reintroduzirem prêmio de risco geopolítico. Paralelo a isso, o aumento das ofensivas ucranianas contra portos russos volta a gerar preocupação sobre a capacidade de escoamento de petróleo pelo país do Leste Europeu.
Ataques no Estreito de Ormuz retomam prêmio de risco após relativa estabilização
Um navio tanqueiro saudita foi danificado próximo ao Estreito de Ormuz, após um navio tanqueiro de GNL catariano ser atingido na mesma área, com fontes de segurança marítima apontando mísseis dos Guardiões da Revolução Iraniana como causa provável. O episódio ocorre em meio a declarações do chanceler iraniano de que negociações com Washington não prosseguirão sob ameaças, elevando a incerteza sobre a sustentabilidade do cessar-fogo de 60 dias acordado em junho.
Por que isso importa: Qualquer novo fechamento do Estreito de Ormuz reverteria abruptamente a narrativa de superávit que vem comprimindo o Brent para a faixa de USD 70/bbl. A combinação de trégua frágil e ataques pontuais mantém elevado o custo de frete para cargas dentro do Golfo — fator que já limita a demanda asiática pelo petróleo saudita mesmo após o corte histórico de preços.
O que esperar? Enquanto os ataques permanecerem pontuais e o cessar-fogo se mantiver operacional, o Brent deve oscilar entre USD 71 e USD 75/bbl, com prêmio de risco limitado. Caso haja nova escalada militar ou fechamento do Estreito de Ormuz, os preços podem retornar rapidamente a USD 80/bbl ou acima, revertendo a tendência baixista dominante. Caso as negociações EUA-Irã avancem para um acordo final, o movimento seria na direção oposta, acelerando a pressão vendedora.
Aramco corta OSP em USD 11/bbl, mas petróleo saudita ainda perde competitividade
A Aramco fixou o preço oficial de venda (OSP) do Arab Light para agosto na Ásia em USD 1,50/bbl abaixo do benchmark Oman/Dubai — corte de USD 11/bbl sobre julho, o maior desde 2003, com a referência atingindo o nível mais baixo desde junho de 2020. Ainda assim, refinarias asiáticas relatam que grades concorrentes, como o Upper Zakum dos Emirados Árabes Unidos e o petróleo iraquiano, são ofertados a descontos de USD 6–8/bbl sobre Dubai, tornando o petróleo saudita comparativamente caro quando somado ao frete elevado para cargas dentro do Golfo Pérsico — estimado em até USD 15/bbl a mais do que cargas transferidas fora do estreito.
Por que isso importa: A perda de competitividade do Arab Light comprime a participação de mercado da Aramco na Ásia — que absorve cerca de 80% de suas exportações — em momento em que as importações chinesas caíram para 5,84 mbpd em junho, o menor nível em mais de uma década. A concorrência se intensifica ainda com o waiver de sanções ao petróleo iraniano, que adiciona oferta de baixo custo ao mercado asiático.
Panorama: Exportações sauditas atingiram 4,53 mbpd em junho, ante 3,74 mbpd em maio, sendo a mínima histórica na desde 2013. Para julho, as projeções são de uma recuperação expressiva, totalizando 6,4 mbpd,
- Importações chinesas de petróleo saudita estimadas em 0,71 mbpd em julho, recuperação parcial ante mínima de 12 anos de 0,63 mbpd em junho, mas ainda menos da metade da média pré-guerra, de 1,48 mbpd.
O que esperar? O cenário atual é de guerra de preços entre produtores do Golfo, com a Arábia Saudita resistindo a descontos ainda maiores para não corroer receitas adicionais. Refinarias independentes chinesas devem retomar compras gradualmente à medida que os preços recuam, mas a volta ao mercado dos grandes refinadores estatais ainda é incerta. Caso a Arábia Saudita aprofunde os descontos para competir diretamente com UAE e Iraque, o Brent enfrentaria pressão vendedora adicional, com risco de novas quedas frente ao patamar atual de preços.
Refinaria de Omsk atacada por drones ucranianos
Drones ucranianos atingiram a refinaria de Omsk, na Sibéria, com capacidade de processamento de cerca de 0,46 mbpd — a maior refinaria da Rússia e uma das duas entre as dez maiores que nunca havia sido atacada. O ataque representa o maior alcance registrado por drones ucranianos (aproximadamente 2.700 km), e ocorreu simultaneamente a ataques aos portos exportadores de petróleo de Ust-Luga e Vysotsk, no Mar Báltico.
Por que isso importa: A Refinaria de Omsk funcionava como uma das reservas estratégicas russas de refino para compensar a escassez de combustível gerada pela campanha ucraniana contra a infraestrutura energética do país. Sua interrupção — mesmo parcial — aperta ainda mais o balanço doméstico russo de derivados. Para o mercado global, o impacto mais relevante é a potencial redução das exportações russas de diesel, que já enfrenta restrições de oferta no mercado internacional. Ao mesmo tempo, ataques simultâneos em Ust-Luga e Vysotsk ameaçam exportações de petróleo russo pelo Mar Báltico, rota alternativa após sanções ocidentais.
O que esperar? Caso os danos à refinaria de Omsk sejam confirmados como substanciais, a Rússia enfrentará nova pressão sobre a disponibilidade doméstica de combustíveis, com possível aumento de preços ao consumidor final russo. Para o mercado global, restrições nas exportações russas de diesel podem sustentar margens de refino na Ásia e Europa, com o diferencial entre Heating Oil e Brent se mantendo acima dos USD 60 bbl. O Brasil, dependente de importações de diesel, estaria exposto a pressão adicional de preços caso a oferta russa se contraia de forma duradoura.
Variação intradiária dos preços no setor energético

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.