
Petróleo avança com frente diplomática fragilizada no Oriente Médio
Ontem (08/07), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta de 5,2%, cotado a USD 78,02/bbl — o nível mais alto desde 19 de junho. O WTI encerrou a USD 73,52/bbl (+4,4%), com ambos os índices atingindo avanços intradiários próximos de 9% antes de reverterem parte dos ganhos após o presidente Trump descartar um conflito pleno com o Irã.
O movimento foi desencadeado pela declaração de Trump de que o memorando de entendimento com o Irã estava "encerrado", combinada com ataques norte-americanos contra ativos militares do Irã e ofensivas iranianas a bases dos EUA no Bahrein e no Kuwait, reacendendo o prêmio de risco sobre os fluxos de petróleo da região. Simultaneamente, a Rússia baniu exportações de diesel após ataques ucranianos a refinarias, com o diferencial entre Heating Oil e Brent atingindo USD 75 bbl - maior valor desde início de abril.
Nesta manhã (09/07), por volta das 08h40, o Brent avançava 0,76% para USD 78,6/bbl. As atenções do mercado seguem voltadas à fragilidade diplomática no Oriente Médio, com a continuidade de ataques entre EUA e Irã na região resultando na retomada dos prêmios de risco, ainda que com intensidade menor frente à sessão passada.
Estreito de Ormuz: fluxos caem a 71% do nível pré-guerra com nova escalada
Forças armadas iranianas atacaram hoje infraestrutura militar americana em Kuwait e Bahrein, em resposta a ofensivas dos EUA nas províncias costeiras do sul e leste do Irã — colocando pressão adicional sobre uma trégua de três semanas já fragilizada. Seguradoras de guerra passaram a recomendar às companhias de navegação a suspensão de rotas pelo Estreito de Ormuz, e os fluxos de petróleo do Golfo Pérsico recuaram para 71% do nível normal, ante 83% atingidos nos primeiros dez dias após a reabertura parcial em junho.
Por que isso importa: O Estreito de Ormuz responde por um quinto da oferta global de petróleo e GNL, e cada retração nos fluxos representa restrição real à oferta disponível para refinarias asiáticas e europeias. A retomada plena exigiria incremento de 6,6 mbpd nos fluxos — volume que depende de negociações, isenções de sanções sobre o Irã e garantias de segurança para navegação, nenhuma das quais está assegurada no momento.
O que esperar? O cenário atual é de volatilidade pronunciada dentro da faixa USD 75–85/bbl enquanto as negociações entre EUA e Irã não se consolidam ou colapsam definitivamente. Caso as tratativas avancem e seguradoras retirem as recomendações de suspensão de rota, o alívio do prêmio de risco pode pressionar o Brent para a parte inferior da faixa. Caso ataques a navios tanqueiros e ativos militares da região se intensifiquem, os fluxos do Golfo Pérsico podem recuar ainda mais, influenciando em uma ampliação do déficit observado no mercado hoje.
Rússia bane exportações de diesel com refinarias sob ataque ucraniano
A Rússia proibiu exportações de diesel na quarta-feira para conter escassez doméstica provocada por ataques contínuos de drones ucranianos a refinarias, incluindo à maior do país, em Omsk, que paralisou operações esta semana. O diesel americano (ULSD) saltou 11,6% no fechamento de quarta, maior ganho diário em mais de quatro anos, e o crack spread 3-2-1 atingiu as máximas históricas desde 2001.
Por que isso importa: Com estoques de diesel nos EUA já 7% abaixo da média de cinco anos (103,6 milhões de barris na semana até 3 de julho), o banimento russo retira oferta de um mercado global já comprimido por reservas baixas e uma produção depreciada na Ásia e Europa. Nações que dependem do diesel russo buscarão substituição no Atlântico, pressionando preços ao consumidor nos EUA e abrindo arbitragem para refinarias americanas — mas reduzindo volumes disponíveis para importadores como o Brasil.
Panorama: Exportações americanas de diesel atingiram 1,7 mbpd na semana até 3/7 — recorde histórico para o início de julho. Enquanto isso, os estoques do derivado fóssil caíram 5 milhões de barris, ante expectativa de alta de 0,6 milhão de barris.
O que esperar? Enquanto os ataques ucranianos a refinarias russas persistirem e os estoques globais de diesel permanecerem abaixo da média histórica, as margens de refino devem continuar elevadas e os preços do combustível sob pressão altista. Vale destacar que o banimento de gasolina e QAV seguem vigentes, adicionando pressão ao balanço desses combustíveis, com maior escala ao querosene de aviação. Caso refinarias russas retomem operações antes do previsto - o que é improvável -, o prêmio de risco tende a cair, mas de maneira lenta, dado que a situação atual do balanço global inviabiliza crack-spreads mais baixos.
Variação intradiária dos preços no setor energético

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.