Ontem (13/07), o contrato mais ativo do Brent fechou em forte alta, cotado a USD 83,30/bbl (+9,6%), enquanto o WTI encerrou a sessão a USD 78,10/bbl (+9,4%). A sessão estendeu a tendência altista da véspera, com ambos os contratos atingindo os maiores níveis em um mês.
O driver central foi a reativação do bloqueio naval norte-americano ao Irã no Estreito de Ormuz e a proposta de Trump de cobrar uma taxa de 20% sobre cargas que transitem pelo estreito, o que reacendeu o prêmio de risco sobre os fluxos físicos da região, com o mercado reprecificando a probabilidade de ruptura duradoura nas exportações do Golfo Pérsico após o colapso prático do memorando de entendimento assinado em 17 de junho.
Nesta manhã (14/07), o Brent operava a USD 87,30/bbl (+4,8%) por volta das 08h20, após mísseis iranianos atingirem dois navios-tanque dos Emirados Árabes Unidos no Estreito de Ormuz, levando investidores a buscar proteção e a precificar risco crescente de interrupção nos fluxos da região.
Irã promove novos ataques contra embarcações dos EAU
Mísseis iranianos atingiram dois tanqueiros da frota da ADNOC no Estreito de Ormuz. O ataque reverteu os mercados físicos de Oman, Dubai e Murban de descontos para prêmios, com o Cash Dubai saltando de USD 72,30 para USD 83,20/bbl em uma única sessão — a primeira vez em cerca de um mês que esses benchmarks entraram em backwardation, sinalizando percepção de aperto imediato na oferta.
Por que isso importa: A mudança brusca nas referências do Golfo indica que o mercado físico está precificando escassez de curto prazo, não apenas risco geopolítico abstrato, com refinadores asiáticos relatando preocupação com entregas nas próximas semanas. O número de navios-tanque transitando pelo Estreito de Ormuz caiu ao menor nível em dois meses na segunda-feira, o que, combinado à hesitação de armadores em entrar no Golfo, pode comprimir os fluxos físicos antes mesmo de qualquer bloqueio formal.
Panorama: Desde o início do conflito, os estoques globais caíram 360 milhões de barris entre março e maio (~3,9 mbpd), com queda adicional de 96 milhões de barris em junho (~3,2 mbpd), segundo a IEA. Ao mesmo tempo, os estoques norte-americanos totais (petróleo + derivados) atingiram o menor nível desde 2003, sinalizando a situação preocupante em que o mercado global se encontra neste momento.
O que esperar? Enquanto o risco de novos ataques a navios no Estreito de Ormuz persistir, a tendência é de preços mais altos na ponta, pressionando as margens de refino asiáticas. Caso os armadores suspendam a travessia pelo estreito em ampla escala, a interrupção nos fluxos físicos poderia superar a capacidade de absorção dos estoques globais já debilitados, com os futuros do petróleo voltando a operar em patamares parecidos com os registrados no pico do conflito.
Demanda chinesa por petróleo recua ao menor nível em uma década
As importações chinesas de petróleo caíram 41,3% em junho, para 7,12 mbpd — mínima desde outubro de 2016 —, com a taxa de utilização das unidades de destilação recuando para 57,72%, piso de dez anos. A contração reflete a combinação de demanda doméstica fraca, restrições às exportações de derivados e impacto direto do conflito no Irã sobre a disponibilidade de petróleo do Oriente Médio.
Por que isso importa: A queda abrupta na demanda chinesa foi o principal amortecedor de preços durante o conflito, ao liberar volumes para outros compradores e evitar o choque que analistas temiam no início da guerra. A tendência de normalização é contrabalançada pelos acontecimentos desta semana, com as refinarias chinesas em compasso de espera para retornar ao mercado. Nesse sentido, grande parte da demanda interna acaba sendo atendida pela produção doméstica, por importações remanescentes e por estoques, que foram reabastecidos de maneira acelerada em 2025.
Panorama: As importações marítimas da China caíram de 10,66 mbpd no período pré-conflito para 5,96 mbpd em junho, de acordo com dados da Kpler. As importações iranianas pela China recuaram 40% mês a mês, para abaixo de 0,8 mbpd em junho. Ao mesmo tempo, as exportações chinesas de derivados no 1º semestre de 2026 caíram 13,2% na comparação anual, resultando em aperto no balanço asiático de derivados fósseis.
- Diesel e QAV na Ásia atingiram máximas de dois meses em margens de refino e diferenciais à vista, com o crack de diesel fechando a sessão em USD 65/bbl — máxima de três meses.
O que esperar? Apesar dos sinais de que as refinarias privadas chinesas pretendiam voltar ao mercado entre julho e agosto, as expectativas agora são de que esses agentes sigam em compasso de espera para retomar as compras enquanto a situação no Golfo Pérsico não for solucionada. Caso a renovação do conflito prolongue o fechamento do estreito além de setembro, existe o risco de nova rodada de cortes nas taxas de processamento e de impacto sobre a demanda global.
Variação intradiária de preços do setor energético

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.