
Petróleo avança com ameaça de bloqueio naval houthi à Arábia Saudita
Ontem (20/07), o contrato mais ativo do Brent fechou com alta de 1,3%, cotado em USD 89,2/bbl. O WTI acompanhou o movimento altista, encerrando na faixa de USD 83,2/bbl (+0,9%).
O driver central foi o anúncio do grupo iemenita Houthi de um bloqueio naval à Arábia Saudita — potencialmente fechando o Estreito de Bab el-Mandeb e ameaçando os 4,5 mbpd exportados pelo porto de Yanbu. Em contrapartida, a confirmação por Teerã do recebimento de uma proposta de cessar-fogo de dez dias reativou as expectativas de reabertura do Estreito de Ormuz, limitando as altas observadas.
Por volta das 09h00 desta terça-feira (21/07), o Brent operava com alta de 1,8%, a USD 90,8/bbl, enquanto o contrato mais ativo do WTI avançava 1,7%, a USD 83,9/bbl. O mercado precifica a possibilidade de um bloqueio efetivo em Bab el-Mandeb, que resultaria em uma disrupção de oferta global de petróleo ainda mais relevante.
Bloqueio houthi a Yanbu ameaça rota alternativa ao Estreito de Ormuz
Os houthis anunciaram ontem bloqueio naval à Arábia Saudita, direcionando a ameaça diretamente ao porto de Yanbu — principal alternativa logística ao Estreito de Ormuz desde o fechamento do Golfo Pérsico. A Arábia Saudita vem embarcando mais de 4,5 mbpd por Yanbu desde abril, com cerca de 70% destinados à Ásia; o fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb forçaria desvio pelo Cabo da Boa Esperança, adicionando aproximadamente um mês de trânsito para refinarias asiáticas.
Por que isso importa: Yanbu era o colchão logístico que continha o prêmio de risco mesmo com o Estreito de Ormuz parcialmente fechado; sua interrupção eliminaria a principal rota alternativa, expondo mais de 3 mbpd de petróleo saudita destinado à Ásia a atrasos severos e disparando gargalos em navios do tipo VLCC, que não transitam pelo Canal de Suez carregados.
O que esperar? Enquanto o bloqueio houthi a Bab el-Mandeb permanecer como ameaça concreta, o prêmio de risco tende a se ampliar, com possibilidade de reajuste expressivo nos preços à vista. O cenário atual é de pressão crescente sobre importadores asiáticos, que podem migrar para produtos alternativos do Atlântico, abrindo arbitragem. Caso o bloqueio se materialize operacionalmente, o Brent tende a buscar a faixa de USD 100/bbl rapidamente.
Diferenciais do diesel seguem sustentados, principalmente na Ásia
Os mercados de diesel na Ásia estenderam os ganhos, com a margem de refino do combustível superando USD 85/bbl e sustentada nos maiores patamares em três meses, enquanto compradores regionais para agosto começaram a emergir, ampliando a demanda pelo derivado fóssil em um contexto de estoques globais apertados e baixa expectativa de nova oferta entrante no mercado.
Por que isso importa: O aperto logístico no Estreito de Ormuz restringe fluxos físicos de derivados, sustentando o backwardation e pressionando margens de refino para cima; se os ataques no Golfo Pérsico se intensificarem, o QAV e o diesel destinados à Ásia enfrentarão novos desvios de rota, com impacto potencial sobre os custos de importação do Brasil.
O que esperar? Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer com tráfego reduzido — apenas quatro navios de commodities cruzaram na segunda-feira, ante sete no dia anterior —, o diferencial do primeiro contrato do diesel em relação aos demais tende a se manter elevado. O cessar-fogo de dez dias, se confirmado, aliviaria os spreads temporariamente, mas não reverteria o aperto estrutural de curto prazo. Caso o bloqueio de Bab el-Mandeb se concretize, o tempo para recebimento de petróleo pelo continente asiático aumentaria, elevando também o período necessário para a produção de derivados e ampliando a possibilidade de novas disrupções de oferta em alguns países.
Variação intradiária de preços do setor energético

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.