
Petróleo recua pela terceira sessão consecutiva com otimismo sobre negociações EUA-Irã
Ontem (27/07), o contrato mais ativo do Brent fechou em queda de aproximadamente 7,5%, cotado a USD 88,36/bbl, com mínima intradiária em torno de USD 87,4 e máxima próxima a USD 93,6. O WTI acompanhou o movimento, encerrando a USD 82,61/bbl (–8,7%). A sessão estendeu a tendência de queda pela terceira sessão consecutiva.
O driver central foi o anúncio da suspensão dos ataques entre EUA e Irã contra ativos militares no Golfo Pérsico, ampliando as expectativas de uma retomada das negociações diplomáticas. Ao mesmo tempo, Omã apresentou ao Irã uma proposta de mecanismo regional conjunto para gestão do Estreito de Ormuz com tarifas voluntárias, recebendo apoio de países do Oriente Médio. O mercado precificou o alívio geopolítico, ignorando parcialmente a ausência de recuperação concreta nos fluxos pelo Estreito de Ormuz — que permanecem deprimidos — e o ataque houthi à refinaria de Jazan e ao porto de Yanbu.
Esta manhã (28/07), por volta das 08h40, o Brent operava a USD 86,7/bbl (–1,9%) e o WTI a USD 81,4/bbl (–1,5%), atingindo mínimas em mais de uma semana. Investidores mantêm viés baixista enquanto precificam maior probabilidade de acordo diplomático, mas o prêmio de risco associado à infraestrutura saudita impede queda mais acentuada nesse momento.
Refinaria de Jazan paralisada após ataque houthi
A Saudi Aramco interrompeu as operações da refinaria de Jazan, com capacidade de 400 kbpd, após ataque houthi promovido ontem, que danificou o complexo de gaseificação IGCC e a área de tanques. A Aramco projeta reinício até 15 de agosto. O porta-voz militar houthi confirmou ataques simultâneos a Jazan e Yanbu, sinalizando ampliação do front de guerra para a infraestrutura de refino saudita além do Estreito de Ormuz.
Por que isso importa: A paralisação de Jazan retira do mercado capacidade equivalente a cerca de 2% da demanda global de derivados refinados, pressionando especialmente o abastecimento de diesel e nafta para mercados asiáticos e africanos que dependem de exportações sauditas. No médio prazo, ataques recorrentes à infraestrutura de refino elevam o prêmio de risco mesmo em cenários de desescalada no Estreito de Ormuz, pois diversificam os vetores de disrupção da oferta.
O que esperar? Enquanto os reparos em Jazan não forem concluídos e os ataques à infraestrutura saudita continuarem, o mercado manterá prêmio de risco residual mesmo com avanço das negociações EUA-Irã. Caso novas instalações sejam atingidas antes da reabertura do Estreito de Ormuz, a pressão sobre derivados tende a se intensificar em um cenário já marcado por margens de refino elevadas e pouco espaço para novas disrupções de oferta.
Estreito de Ormuz: fluxos ainda deprimidos limitam reprecificação baixista
Apesar das sinalizações diplomáticas, os fluxos de navios tanqueiros pelo Estreito de Ormuz permanecem baixos, sem recuperação concreta registrada pelos dados da Kpler até 28 de julho. O tráfego pelo Bab el-Mandeb subiu para 28 embarcações na segunda-feira — máxima de quatro dias, apesar de se manter distante do registrado no período prévio ao bloqueio promovido pelos houthis.
Por que isso importa: Sem normalização dos fluxos físicos, a queda dos futuros reflete expectativa, não fundamento, com qualquer ruptura adicional de oferta podendo provocar volatilidade pronunciada de alta, enquanto o potencial baixista depende de confirmação operacional da reabertura.
O que esperar? O cenário atual é de recuo gradual dos preços condicionado ao avanço diplomático, mas a falta de recuperação mensurável nos fluxos pelo Estreito de Ormuz mantém o balanço global frágil. Caso as negociações entre Omã, Irã e EUA avancem sem contrapartida operacional de reabertura do estreito, os preços devem estabilizar na faixa atual no curto prazo, enquanto uma nova escalada militar ou ataque adicional à infraestrutura saudita reverteria rapidamente o movimento baixista.

Reservas estratégicas dos EUA atingem menor nível desde 1983
Os estoques da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA (SPR) recuaram 3,7 milhões de barris na semana passada, para 307,7 milhões de barris — o menor patamar desde março de 1983. O movimento faz parte de um acordo de liberação de 172 milhões de barris comprometido pelo governo americano para conter pressões de preços decorrentes do conflito no Oriente Médio.
Por que isso importa: Com a SPR em mínimas históricas, a capacidade do governo americano de amortecer novos choques de oferta via liberações adicionais está estruturalmente limitada, reduzindo o colchão de segurança disponível para uma eventual reescalada do conflito. A produção doméstica próxima a 13,8 mbpd oferece alguma compensação, mas refinarias já operam perto da capacidade máxima e estoques de gasolina estão 9% abaixo do nível de um ano atrás.
O que esperar? Com a SPR em nível crítico e a produção doméstica próxima ao teto, qualquer novo choque de oferta oriundo do Oriente Médio encontrará menor capacidade de resposta dos EUA via reservas estratégicas. Caso o conflito se prolongue e os fluxos pelo Estreito de Ormuz não se normalizem no 3T26, a pressão sobre derivados nos mercados globais — e sobre o custo de importação de diesel pelo Brasil — tende a se ampliar.
Variação intradiária de preços do setor energético

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.