Ontem (29/07), o contrato mais ativo do Brent fechou em alta de 6,50%, cotado a USD 90,74/bbl. O WTI encerrou a USD 84,4/bbl (+7,9%).
Os principais fatores que deram suporte aos preços do petróleo foram a retomada dos ataques entre EUA e Irã no Golfo Pérsico e o relatório do DOE evidenciando uma queda de 7,2 milhões de barris nos estoques comerciais no mercado norte-americano - valor muito acima das expectativas de 1,3 milhão.
Nesta manhã (30/07), por volta das 08h50, o Brent operava a USD 87,1/bbl (-1,2%), enquanto o WTI recuava para USD 83,5/bbl (-1,20%). O aumento dos fluxos por Bab el-Mandeb contribui para pressionar os preços para baixo, enquanto os investidores aguardam novos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
CENTCOM atinge dezenas de alvos do exército iraniano
O CENTCOM executou uma operação contra quartéis-generais militares, instalações de drones e capacidades marítimas dos Guardiões da Revolução Iraniana, em retaliação ao lançamento de mísseis balísticos pelo Irã contra bases americanas na Jordânia. Paralelamente, ataques conjuntos entre EUA e Arábia Saudita atingiram bases das Forças de Mobilização Popular no Iraque, marcando a primeira ação pública conjunta de Riad com Washington.
Por que isso importa: Cada escalada militar amplia o prêmio de risco estrutural no Brent, com a capacidade iraniana de interditar o Estreito de Ormuz mantendo-se ativa mesmo após os ataques promovidos pelos EUA. Paralelamente, a ampliação do conflito para Iraque e Egito introduz novos vetores de restrição logística que o mercado ainda não precificou integralmente.
Panorama: Exportações dos países do Golfo Pérsico recuaram para ~6,2 mbpd — menos da metade do observado após assinatura do MoU, de 13,4 mbpd, registrado em junho; antes do conflito, a região exportava mais de 20 mbpd.
- Ministro da Defesa saudita reuniu-se com JD Vance para pedir contenção de novos ataques aos houthis e milícias no Iraque, sinalizando divergência tática entre Riad e Washington.
O que esperar? Enquanto o Irã mantiver capacidade operacional de interdição no Estreito de Ormuz, o prêmio de risco no Brent dificilmente cederá, com a atenção dos investidores se voltando para os fundamentos físicos da commodity, que seguem debilitados. Caso novos ataques iranianos atinjam infraestruturas de exportação saudita e emiradense, ou passem a mirar ativos logísticos como o Canal de Suez, a tendência é de avanço acelerado do prêmio de risco embutido nas cotações do petróleo.
Estoques comerciais dos EUA no menor nível desde 2018
Os estoques comerciais de petróleo dos EUA caíram 7,2 milhões de barris na semana encerrada em 24 de julho, para 404,5 milhões de barris — o menor patamar desde 2018 e quase seis vezes acima da expectativa de analistas (1,3 milhão de barris). Os estoques em Cushing recuaram para 18,6 milhões de barris, abaixo do nível operacional mínimo de 20 milhões, atingindo o menor volume desde 2014. Incluindo a Reserva Estratégica de Petróleo (SPR), os estoques totais caíram para 712,2 milhões de barris — o menor nível desde 1983.
Por que isso importa: A utilização das refinarias atingiu 97,2% — o maior patamar desde 2018 —, com processamento de 17,3 mbpd, pressionando os estoques físicos em um contexto de oferta do Oriente Médio já comprometida. Cushing abaixo do nível operacional mínimo cria risco de disrupção logística no mercado doméstico americano e pode encurtar o diferencial entre WTI e Brent.
Panorama: Estoques de gasolina praticamente estáveis, em 211,3 milhões de barris, apesar da utilização recorde, com demanda implícita de gasolina em 9 mbpd (+94 mil bpd).
- Estoques de diesel subiram 1,1 milhão de barris, para 110,6 milhões — ligeiramente acima das expectativas, mas insuficientes para aliviar preocupações estruturais de oferta.
O que esperar? Com Cushing abaixo do nível operacional e a SPR no menor patamar desde 1984, a margem de segurança dos EUA para absorver novos choques de oferta é menor. O cenário atual é de pressão altista contínua no WTI, com risco de aceleração caso a produção doméstica não acompanhe o ritmo de processamento. Caso a SPR continue sendo drenada sem reposição e o conflito no Oriente Médio persista, o WTI tende a se aproximar do Brent, estreitando o spread atual.
Refinaria Lukoil em Perm atingida por drone ucraniano
Um ataque de drone ucraniano causou incêndio na refinaria Lukoil de Perm, forçando o desligamento da unidade de destilação primária CDU-5, que responde por 34% da capacidade total da planta. A refinaria, uma das dez maiores da Rússia, com capacidade de 13,1 milhões de toneladas/ano, deve operar a ~75% da capacidade nominal com as unidades CDU-4, CDU-1 e CDU-2 restantes. A Ucrânia também atingiu um terminal de exportação na região de Rostov na mesma operação.
Por que isso importa: A perda de 34% da capacidade de Perm reduz a oferta de diesel e gasolina russos disponíveis para exportação em um mercado já tensionado pela restrição de oferta do Oriente Médio; para o Brasil, que desde 2022 importou derivados russos em períodos de escassez, qualquer restrição adicional à exportação russa de diesel eleva o custo de abastecimento.
O que esperar? O cenário atual é de operação reduzida em Perm por período indeterminado, com pressão marginal altista sobre o diesel no mercado europeu e nos mercados emergentes que dependem de exportações russas. Caso os reparos se estendam por mais de 30 dias e outros ataques ucranianos atinjam refinarias adicionais, a restrição de derivados russos tende a ampliar ainda mais os crack spreads do combustível globalmente — com impacto direto no custo de importação para o Brasil.
Variação intradiária de preços do setor energético

Fonte: ICE, NYMEX. Elaboração: StoneX.