
Fonte: UNICA. Elaboração: StoneX
Como ressaltado em relatórios anteriores, a atual safra tem demonstrado uma moagem superior à safra recorde 2023/24 devido ao clima mais seco nos meses iniciais de colheita. Comparando-se o volume de chuvas ponderadas pelas regiões canavieiras, no período de abril a julho, a atual temporada apresentou 26,4% menos chuvas do que a temporada 2023/24 e 25,7% menos que a média dos últimos 10 anos. Dessa forma, com pouco impedimento climático, as atividades de colheita avançaram de maneira mais acelerada no início da atual safra.
O clima mais seco ao final de 2023 e início de 2024, contudo, já demonstra impacto sobre a produtividade da atual temporada. Segundo dados preliminares do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a produtividade média do Centro-Sul durante o mês de julho ficou em 87,5 ton/ha – retração de 10,5% em relação a julho/23. Desde o início da safra, a redução na produtividade é de 5%.
Dessa forma, o efeito do clima sobre a produtividade tem se tornado mais claro ao longo da safra. Segundo divulgado pela UNICA, para o estado de São Paulo, a queda na produtividade foi superior a 15% em julho. Por outro lado, a segunda metade de julho também mostrou melhora na qualidade da matéria-prima, que passou de 143,3 kg/ton para 146,86 kg/ton. Em relação ao mesmo período da safra anterior, o aumento é de 1,93%, sendo o aumento acumulado desde o início da safra de 0,14%.
No que diz respeito ao mix açucareiro, ele se apresentou em 50,28% na quinzena, abaixo dos 50,63% da safra anterior, em vista do grande aumento na demanda por etanol hidratado. Diante desses dados, a produção de açúcar se posicionou em 3,61 MMt na quinzena, queda de apenas 2,16% em relação à quinzena recorde de 2023/24 e 10,5% acima da média dos últimos 3 anos.
Fonte: UNICA. Elaboração: StoneX.
Com relação ao etanol, os elevados números de vendas de hidratado nas bombas seguem motivando um crescimento na produção do biocombustível. Nesse contexto, a segunda metade de julho/24 indicou uma produção de 1,6 milhão de m³ de etanol hidratado (+8,3% y/y) e 0,94 milhão de m³ de anidro (-3,7% y/y), totalizando um aumento de 18,5% na produção de etanol total.


Fonte: UNICA. Elaboração: StoneX.
Considerando o cenário para as vendas das usinas, seguindo a tendência das quinzenas anteriores, a segunda metade de julho indicou um forte avanço na demanda por etanol hidratado. No período, as saídas de hidratado das usinas para o mercado interno ficaram em 935 mil m³ (+42,4% y/y), enquanto as de anidro se posicionaram em 480 mil m³ (-1,2% y/y).
Apesar de uma leve retração no share de hidratado durante o mês de junho/24, os números de julho seguem indicando um elevado nível de vendas de hidratado das usinas, refletindo o contexto de demanda aquecida por hidratado observado desde o início de 2024. Apesar de ter aumentado em uma série de estados, a paridade entre o etanol e a gasolina segue favorecendo o biocombustível, indicando que a produção e a demanda pelo biocombustível devem se manter elevadas ao longo da safra.
Resumo do dia
No pregão desta terça-feira (13), o contrato de outubro/24 do NY#11 encerrou o dia em alta de 0,55%, finalizando na marca de US¢ 18,39/lb. Para o contrato branco SWV4, o dia se encerra em US$ 523,1/ton (+0,71%). O movimento ocorre apesar da divulgação do relatório quinzenal de acompanhamento da UNICA, que indicou uma moagem e produção de açúcar acima das expectativas do mercado. A produção de açúcar para a quinzena ficou 10% acima da média dos últimos 3 anos e apenas 2,16% abaixo da produção recorde de 23/24. Dessa forma, foi observado que, após atingir uma máxima diária de US¢ 18,70/lb, o açúcar SBV4 recuou conforme o mercado foi absorvendo as implicações do relatório e o prognóstico para a safra 2024/25. Apesar da produção elevada de açúcar, o mix açucareiro seguiu decepcionando, ficando abaixo do mesmo período em 2023/24. De maneira geral, mesmo com a grande produção da quinzena, a resistência das cotações nesta terça-feira indica que o mercado segue atento à movimentação das variáveis da safra, particularmente ao mix açucareiro, atentando-se também à produtividade, que deve passar a mostrar os resultados do clima mais seco já a partir de agosto/24.



