Além da oferta, o mercado acompanhará também o lado da demanda, que também desempenha um papel fundamental na precificação dos grãos. Apesar de as perspectivas, no geral, serem de uma demanda aquecida, com o avanço da vacinação da Covid-19 em vários países e as medidas adotadas pelos governos ao redor do mundo para incentivar a economia, o comportamento da China inspira atenção.
O ritmo das vendas de exportação de soja dos EUA para a safra 2021/22 está consideravelmente mais lento que no mesmo período do ano passado, com uma diferença que superava 16 milhões de toneladas ao final da primeira quinzena de outubro. O USDA estima que as exportações do ciclo 2021/22 serão um pouco mais fracas, mas com uma diferença consideravelmente menor, de 4,78 milhões de toneladas.
A China é a principal responsável por esse ritmo mais fraco de vendas da soja norte-americana e o que acontece internamente no país asiático é acompanhado de perto. Após os graves surtos de peste suína africana, que dizimaram parte considerável do rebanho chinês, houve massivos investimentos na recuperação, inclusive com uma maior profissionalização das indústrias de carnes. Contudo, com o rebanho praticamente recuperado, os preços da carne suína estão baixos, o que alimenta as preocupações quanto ao consumo de ração. Além disso, a China enfrenta uma crise energética, com o fechamento de plantas de esmagamento de soja em algumas regiões do país.
Mesmo assim, por enquanto, as estimativas das importações chinesas indicam mais de 100 milhões de toneladas em 2021/22, volume que também depende das compras de soja dos EUA, uma vez que a oferta da oleaginosa é muito concentrada.
No caso do cereal, o Departamento estima que as exportações norte-americanas totalizem 63,5 milhões de toneladas, 6,42 milhões a menos que na temporada passada. Contudo, o USDA espera que as importações de milho da China totalizem 26 milhões de toneladas, mesmo volume estimado para a safra 2020/21, levando à conclusão de que o milho norte-americano deverá perder espaço no mercado do gigante asiático, especialmente para a Ucrânia, que está em processo de colheita da sua safra 2021/22 e caminha para uma produção recorde.
Exportações norte-americanas de soja e milho (milhões de toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração StoneX.
Diante desse cenário e apesar de o ano safra só terminar em agosto de 2022, as vendas e embarques norte-americanos precisam ganhar força nas próximas semanas, especialmente no caso da soja, uma vez que a melhor janela de exportação dos EUA é o quarto trimestre do ano. Nos primeiros meses de 2022, a soja brasileira já deve retomar o protagonismo nas exportações, ainda mais com a grande possibilidade de uma nova safra recorde. Dessa forma, ainda é possível uma recuperação das vendas dos EUA, mas esse movimento precisa ocorrer logo, destacando que, nessa mesma época de 2020, as vendas semanais de exportação do país superavam 2 milhões de toneladas, enquanto atualmente os volumes estão ao redor de 1 milhão.