Na última quarta-feira, 1º de dezembro, a StoneX atualizou sua estimativa de safra de grãos (clique aqui para acessar o relatório completo). Em função das irregularidades climáticas observadas no Rio Grande do Sul, a produção da 1ª safra 2021/22 de milho foi reduzida para 29,6 milhões de toneladas, corte de 2,8% em relação ao relatório de novembro.
Por outro lado, em relação à safrinha do cereal, a StoneX elevou sua estimativa de produção para um novo recorde, de 88,9 milhões de toneladas, número 1,5% acima da primeira estimativa. Desse modo, considerando as 3 safras, a produção total brasileira está estimada em 120,1 milhões de toneladas, um novo recorde para o país.
Apesar das expectativas muito favoráveis para a produção nesta próxima temporada, o cenário não deverá ser de um balanço folgado de oferta e demanda, ao menos no primeiro semestre de 2022. Um dos motivos para isso é a balança comercial brasileira. Em função do ritmo de embarques observado até então e do recente aumento na atratividade dos preços de exportação, a StoneX promoveu um aumento nas exportações referentes ao ciclo 2020/21 para 18,5 milhões de toneladas, contra 16 milhões no relatório anterior. Mesmo com um aumento para 3 milhões de toneladas na importação, 500 mil toneladas a mais do que no relatório passado, os estoques finais recuaram para 10,25 milhões de toneladas.
Desse modo, se a disponibilidade do milho no primeiro semestre de 2022 estava estimada em 42,67 milhões de toneladas (12,25 milhões de estoques finais em 2020/21 + 30,42 milhões de produção da primeira safra 2021/22), agora está estimada em 39,82 milhões de toneladas.
Disponibilidade do milho no 1º semestre - Brasil (milhões de toneladas)
Fonte: StoneX e Conab. Elaboração: StoneX. *Estimativa.
A partir do gráfico acima, tem-se que, apesar de uma menor disponibilidade em relação à metade inicial das safras 2017/18 e 2018/19, o volume está acima do registrado nas demais temporadas, o que poderia levar a conclusão que o cenário não seria de um balanço mais apertado nos primeiros meses do ciclo 2021/22. Contudo, para realizar tal análise, é essencial observar também a questão da demanda.
Em meio à expectativa de continuidade da elevada demanda pelo cereal para o uso como ração, a StoneX projeta o consumo interno em 75,5 milhões de toneladas, 2 milhões a mais do que o projetado no relatório de novembro e 4 milhões a mais que a estimativa para a temporada 2020/21.
Ademais, para compreender esse aumento da demanda, é importante também observar o setor de etanol de milho no Brasil. A produção do biocombustível no país vem aumentando ano a ano, tendência que deve continuar de maneira firma nas próximas temporadas. Segundo o último relatório de estimativa de safra de Cana-de-Açúcar da StoneX, divulgado em 30 de novembro, a produção de etanol de milho no Centro-Sul deverá alcançar cerca de 3,5 milhões de m³ em 2021/22 (abr/21-mar/22), representando avanço anual de 37,1%. Em relação à temporada 2022/23, a StoneX projeta um crescimento de 12,8% no comparativo anual, para 4 milhões de m³.
Clique aqui para acessar o relatório completo.
Dessa forma, de maneira simplificada e dividindo-se a projeção para o consumo interno, na primeira metade do ano, a demanda doméstica brasileira seria de cerca de 37 ou 38 milhões de toneladas de milho, nível muito próximo da soma dos estoques finais da safra 2020/21 com a produção da primeira safra 2021/22. Assim, a primeira metade de 2022 ainda deve ser de oferta e demanda bastante ajustada.
Pelo lado do mercado externo, a StoneX estima que ao longo desta próxima temporada, o Brasil destine 41 milhões de toneladas ao exterior, volume praticamente em linha com o recorde registrado em 2018/19 e que possivelmente devolverá o posto de 2º maior exportador global de milho ao Brasil. Cabe lembrar, contudo, que os embarques se concentram no segundo semestre, com a disponibilidade de produto da safrinha.
Demanda total por milho - Brasil (milhões de toneladas)
Fonte: StoneX e Conab. Elaboração: StoneX. *Estimativa.
Considerando os números acima citados, a demanda total pelo milho brasileiro em 2021/22 totalizaria 116,50 milhões de toneladas, 26,5 milhões de toneladas a mais do que o observado na temporada 2020/21 e a maior demanda total já registrada.
Desse modo, a relação entre o total ofertado na primeira metade da safra 2021/22 e a demanda total na temporada seria de 31,3%, o menor valor dos últimos anos. Portanto, por mais que as expectativas apontem para um aumento dos estoques ao final da próxima temporada, o balanço de O&D tenderá a ficar apertado e os preços sustentados até a chegada da safrinha. Contudo, a temporada ainda está em seu início e, como a safra de inverno é naturalmente mais arriscada, as estimativas estão sujeitas a mudanças significativas. Além disso, vale ressaltar que com os recentes problemas climáticos no Rio Grande do Sul, é possível que haja novo corte na produção da safra de verão, apertando ainda mais o balanço de O&D na primeira metade do próximo ano.
Pelo lado do mercado externo, a StoneX estima que ao longo desta próxima temporada, o Brasil destine 41 milhões de toneladas ao exterior, volume praticamente em linha com o recorde registrado em 2018/19 e que possivelmente devolverá o posto de 2º maior exportador global de milho ao Brasil. Cabe lembrar, contudo, que os embarques se concentram no segundo semestre, com a disponibilidade de produto da safrinha.
Relação entre oferta no primeiro semestre** e demanda total (Brasil)
Fonte: StoneX e Conab. Elaboração: StoneX. *Estimativa. **Oferta primeiro semestre = Estoque inicial + Produção 1ª safra