Após a pandemia da Covid-19 ter pressionado a procura por combustíveis ao redor do mundo em 2020, 2021 tem se mostrado mais positivo para a recuperação da demanda por gasolina e, consequentemente, etanol. Vale lembrar que, com exceção do Brasil, o álcool costuma ser utilizado como aditivo nos principais players consumidores globais, isto é, Estados Unidos, União Europeia e China.
Apesar do progresso da vacinação e aumento dos níveis de mobilidade ao redor do mundo, os preços elevados do petróleo se colocam como fator de entrave ao crescimento mais significativo do consumo de combustíveis fósseis. Ao mesmo tempo, a urgência de enfrentamento da crise climática, tal como abordado na
COP26, indica a necessidade de se investir cada vez mais no setor de biocombustíveis e veículos elétricos.
O etanol ganha destaque nesse contexto, ainda que a intensificação da Covid-19 em algumas regiões possa limitar o consumo no curto prazo. Diante desse contexto, a Inteligência de Mercado da StoneX traçou perspectivas para o ambiente macroeconômico e, consequentemente, para o consumo de combustíveis nos principais players mundiais em 2022 – destacando também as expectativas para a eletrificação da frota nesses países.
Estados Unidos
As últimas estimativas para o crescimento do PIB dos Estados Unidos foram reduzidas tanto para 2021 como para 2022. Em função dos estímulos fiscais e monetários para auxiliar na recuperação econômica, após as medidas de distanciamento social adotadas em função da pandemia de Covid-19, a demanda interna se recuperou rapidamente, especialmente para o setor de bens duráveis. Contudo, pelo lado da oferta, a capacidade de produção não se recuperou na mesma velocidade, o que provocou rupturas globais nas cadeias produtivas, gargalos logísticos, escassez de matérias-primas e pressões inflacionárias. Ademais, uma forte onda de infecções da variante delta do coronavírus durante o verão, juntamente com a ocorrência de furacões no Sul do país, levou a uma taxa de expansão no terceiro trimestre significativamente abaixo das expectativas de analistas. Tais desequilíbrios produtivos, que se agravaram neste ano, devem perdurar até o próximo ano e resultar em uma moderação no ritmo de crescimento econômico.
Sob a ótica da procura por combustíveis, apesar do início de 2021 ter registrado um consumo de gasolina abaixo das médias sazonais, o avanço das campanhas de vacinação e dos níveis de mobilidade permitiram uma recuperação da sua procura nos EUA. Com isso, a driving season de 2021 encerrou com uma demanda em linha com o observada em anos anteriores.
Consumo de gasolina nos EUA (em kbpd)
Fonte: EIA. Elaboração: StoneX.
Mesmo com a recente valorização dos preços dos combustíveis, é possível observar uma tendência crescente no consumo norte-americano, que segue superando a média de 5 anos. Apesar do rali das cotações domésticas de gasolina, a venda deste combustível teve o segundo maior avanço mensal em outubro, na ordem de 3,9%.
Com isso, as preocupações com a inflação e pesquisas pessimistas no que diz respeito ao sentimento do consumidor ainda não se traduziram em uma deterioração significativa dos gastos da população americana com combustíveis. Diante disso, a expectativa é de que o consumo de gasolina encerre 2021 superando 510 milhões de m³, representando avanço anual de 9,0%. Considerando que a taxa de mistura do etanol se mantenha próxima de 10,3%, a demanda pelo biocombustível deve se manter em 52,7 milhões de m³ - nível ainda aquém do registrado em 2019, de 55,1 milhões de m³.
De modo a traçar cenários para o comportamento da demanda por combustíveis em 2022, é preciso analisar as tendências para o mercado de petróleo. Segundo o relatório de perspectivas de curto prazo do EIA (STEO sigla em inglês), o cenário médio aponta para uma queda dos preços do óleo bruto a partir do segundo trimestre de 2022 – em função da expectativa de superávit no seu balanço de O&D global.
Ainda que isso estimule maior consumo de gasolina, é preciso ponderar que os incentivos à eletrificação da frota norte-americana podem pesar sobre tal avanço. Entre 2019 e 2022, nossas estimativas apontam para um crescimento de 66% desta frota nos EUA, tendência que deve ganhar maior força no longo prazo, em meio aos incentivos do governo Biden para que metade das vendas de novos veículos sejam de elétricos até 2030.
Consumo de etanol e taxa de mistura nos EUA
*Estimativa. Fontes: StoneX e USDA. Elaboração: StoneX.
Diante dos pontos comentados, a StoneX projeta que o consumo anual de gasolina registre um avanço de 3,0% nos EUA em 2022. Considerando que a taxa de mistura do etanol deve se manter relativamente estável, conforme os entraves enfrentados para ampliação desta porcentagem no país, esperamos que o consumo do biocombustível alcance pouco mais de 54,0 milhões de m³ no próximo ano.
Tais entraves se dão diante das pressões feitas pelo setor petrolífero à Administração Biden em relação aos mandatos de misturas determinados pelo RFS em 2022, bem como limitações de infraestrutura para o avanço da taxa de mistura.
De acordo com as refinadoras, a situação financeira das companhias se deteriorou de forma acelerada ao longo da pandemia, de modo que uma redução das misturas obrigatórias é necessária para garantir que as empresas se recuperem da crise econômica global.
Ainda assim, vale notar que a oferta de etanol deve se mostrar crescente, o que também pode estimular o consumo. Isso porque a disponibilidade de milho, principal matéria-prima utilizada na destilação, tende a aumentar na safra 2021/22 (set-ago).
A temporada corrente caminha para a obtenção de uma robusta produção nos EUA, a 2ª maior de sua história. A colheita no país ocorreu sem grandes adversidades e se encontra em seu trecho final, alcançando 91% do total até meados de novembro. Pelo lado da condição de safra, o cenário também foi favorável para o grão norte-americano. Em seu último relatório para a temporada 2021/22, o USDA apontou que 60% da safra se encontrava em condição boa ou excelente, em linha com o registrado no ano anterior.
O Departamento estima que o rendimento da safra de 2021/22 alcance 11,0 t/ha, contra 10,8 t/ha na temporada passada. Com uma área colhida estimada em 34,4 milhões de hectares, crescimento de 3,4% no comparativo anual, a produção deve totalizar 382,6 milhões de toneladas (+6,7%). A StoneX espera um número ainda mais positivo para a temporada corrente, com a produção estimada em 384 milhões de toneladas.
Com perspectivas favoráveis para a produção em importantes players, como Brasil, Argentina e Ucrânia, a tendência é de que os EUA direcionem um menor volume de sua produção para o mercado externo. O USDA estima que os embarques totalizarão 63,5 milhões de toneladas, 6,4 milhões a menos do que o previsto para a safra 2020/21.
Desse modo, abre-se espaço para um maior uso do cereal no mercado interno, especialmente para a produção de etanol. O USDA estima que 133,4 milhões de toneladas do cereal sejam utilizados para a destilação do biocombustível, avanço de 4,4% no comparativo anual.
Em um horizonte de longo prazo, o consumo de gasolina deverá se desacelerar nos próximos anos - conforme o comprometimento dos EUA na COP26. Tal dinâmica poderá pressionar a demanda por etanol, especialmente se a taxa de mistura continuar crescendo em ritmo modesto.
União Europeia
Na União Europeia, a perspectiva é que o ritmo saudável de crescimento de 2021 se mantenha em 2022. Após impactos severos em sua economia devido à rápida disseminação do coronavírus na passagem de 2020 para 2021, a expansão da vacinação e a retomada de atividades paralisadas favorecem uma recuperação econômica mais sólida neste ano. O bloco também tem sofrido com os desequilíbrios produtivos globais e a escassez de matérias-primas, bem como com uma aceleração rápida dos preços das commodities energéticas. Entretanto, a disposição do Banco Central Europeu (BCE) em manter os estímulos econômicos deve sustentar o crescimento para o próximo ano em taxas próximas às observadas em 2021. Resta saber se elevação do nível geral de preços ou mesmo o ressurgimento de casos de Covid na região podem forçar uma revisão dessa trajetória e reduzir o crescimento potencial.
Como consequência da queda na mobilidade urbana e desaceleração econômica, a pandemia da Covid-19 também resultou em menor consumo de combustíveis no bloco europeu em 2020. No entanto, no comparativo anual, enquanto a demanda por gasolina retraiu 13,0%, o consumo de etanol apresentou recuo de 10,1%, suportado pelos incentivos nacionais ao uso de biocombustíveis. De fato, mesmo em um contexto adverso para a procura pelo aditivo, a taxa de mistura média da União Europeia passou de 5,3% em 2019 para 5,5% em 2020 – com expectativas de que encerre o ano corrente em 5,7%.
Para 2021, espera-se que o avanço da vacinação e retomada da mobilidade urbana tenham contribuído para crescimento do consumo de gasolina e etanol, projetados para alcançar 106,0 milhões de m³ e 6,0 milhões de m³, respectivamente. Para 2022, a tendência é de desaceleração do consumo do combustível fóssil, em meio à firme expansão do mercado de veículos elétricos e incentivos voltados à transição energética. Por isso, projetamos que a procura por gasolina se situe próxima de 105 milhões de m³ em 2022 no bloco europeu.
Consumo de etanol e taxa de mistura na União Europeia
*Estimativa. Fontes: USDA e StoneX. Elaboração: StoneX.
Sob a ótica do etanol, os preços elevados de algumas culturas agrícolas o tornaram menos competitivo frente ao seu rival fóssil no passado recente. Embora a maior parte do álcool europeu seja utilizado como aditivo na gasolina, em alguns países, como a França, o uso do E85 tem aumentado – de modo que cotações elevadas mitigam a penetração do biocombustível no mercado.
Tomando como base o produto em Roterdã (T1), por exemplo, observou-se valorização de mais de 30% das cotações desde o início de agosto. No próximo ano, contudo, os preços elevados do petróleo podem estimular maior procura de veículos flex-fuel e, consequentemente, por biocombustível, esta que pode se elevar mais de 20% na França, segundo indicações.
Embora esse panorama possa viabilizar o aumento das importações pelo bloco, o consumo de gasolina e, consequentemente, etanol, tende a ser pressionado pelo firme avanço da procura por veículos elétricos. De acordo com indicativos recentes, as vendas de veículos elétricos e híbridos representaram cerca de 23% do total comercializado na Europa em setembro/21, o dobro do observado no mesmo período do ano anterior.
Nesse contexto, dados da Comissão Econômica da ONU apontam que os carros elétricos já representam 10% do mercado na região – proporção que pode se elevar para 19% até 2025, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA).
A maior parte dos países europeus possuem benefícios diversos para a compra de elétricos, que vão desde isenções de impostos até empréstimos governamentais. Com isso, o continente se tornou um dos principais polos de utilização desse tipo de veículos, em meio à meta de encerrar em 2035 a comercialização de carros à combustão. Tal objetivo foi reforçado na COP26, com o comprometimento de 24 países e fabricantes de carros de acabar com as vendas desse tipo de automóvel até 2040. Por isso, nossas expectativas também são positivas para a eletrificação da frota europeia, podendo apresentar crescimento de 132% entre 2020 e 2022.
Ainda que os biocombustíveis tendam a ganhar força nesse contexto, o etanol de primeira geração, isto é, proveniente de matérias-primas de lavoura, deve ter pouco espaço para se expandir nos próximos anos. Isso porque, o programa de estímulo ao uso de fontes renováveis da UE, conhecido como RED II, visa expandir de maneira significativa os biocombustíveis de segunda geração, tal como abordado
aqui, limitando o uso das matérias-primas de primeira geração para o alcance das metas propostas.
De fato, estimativas do USDA apontam que o maior estímulo ao diesel renovável, por exemplo, já tem pressionado a procura por etanol nos países europeus. Em contrapartida, a expansão do setor de etanol celulósico ainda esbarra em altos custos, bem como incertezas quanto aos incentivos da UE, o que pressiona maiores investimentos.
De todo modo, a ampliação da taxa de mistura do etanol na gasolina em 2022, projetada por nós em 6,0%, atua como fator de suporte à procura por álcool no curto prazo. Dessa forma, estimamos que a demanda por etanol alcance cerca de 6,3 milhões de m³ na União Europeia, aumento anual de 4,3%.
O panorama econômico chinês tem somado diversos desafios, limitando suas projeções de crescimento econômico para os próximos dois anos. Ainda que deva figurar entre os países que mais crescem, sua taxa de expansão para 2021 e 2022 deve ser significativamente aquém das projeções iniciais. Entre os fatores que podem diminui-la, estão o arrefecimento do consumo doméstico, a ocorrência de enchentes, uma grave crise energética, uma crise de liquidez em grandes empresas do setor imobiliário, o endurecimento de órgãos regulatórios em setores como o de tecnologia e o de educação privada e a ambição do país em perseguir a penosa estratégia de zero casos de Covid.
Em paralelo à desaceleração econômica do país, o avanço do consumo de combustíveis em 2022 também é pressionado pela expansão dos veículos elétricos. No caso do etanol, a utilização do biocombustível está no centro dos esforços governamentais para diminuir a dependência de fontes de energia importadas e estimular o uso de fontes renováveis, principalmente visando reduzir a poluição atmosférica.
Vale lembrar que a China pretende atingir o pico de emissões de gases do efeito estufa em 2030, alcançando a neutralidade de carbono em 2060 – metas que foram reforçadas na COP26. Com isso, em 2017, o governo determinou que a taxa de mistura do etanol na gasolina deveria alcançar 10% até 2020, mas tal patamar se encontra longe de ser atingido. De fato, embora os biocombustíveis se mostrem fundamentais para o alcance dos objetivos de redução de gases poluentes, há pouca clareza sobre os estímulos ao setor nos próximos anos.
Em 2021, estimativas do USDA apontam que a taxa de mistura do etanol na gasolina deve se situar em apenas 2,1%, sendo que essa proporção nunca superou 2,8%. Tal contexto reflete, especialmente, a firme dependência do milho como matéria-prima para a produção de etanol. Em 2020, por exemplo, a quebra na produção do cereal elevou o preço do biocombustível, tornando a meta de 10% inatingível.
Fica claro, portanto, que eventuais problemas em relação ao balanço de O&D do cereal podem prejudicar o setor de etanol no país. Em paralelo, o consumo de gasolina e, consequentemente, aditivo, tende a ser pressionado pelo firme avanço da eletrificação da frota.
Nos últimos anos, Pequim tem incentivado de forma crescente o setor de veículos elétricos, especialmente na forma de subsídios à produção e infraestrutura para estações públicas de carregamento. Com isso, a meta governamental é que esse tipo de automóveis represente 40% de todas as vendas de carros até 2030. Ao mesmo tempo, tem crescido a participação de fabricantes chinesas nas vendas de outras regiões, com destaque para a Europa.
Consumo de etanol e taxa de mistura na China
*Estimativa. Fontes: USDA e StoneX. Elaboração: StoneX
No entanto, a crise energética atual ainda se coloca como um ponto de atenção para o avanço da eletrificação da frota chinesa. Por isso, esperamos um crescimento mais moderado da participação de elétricos e híbridos até 2022. Apesar disso, o aumento da população do país ainda deve corroborar expansão do consumo de gasolina para nível próximo de 210,0 milhões de m³ em 2022, podendo representar uma alta anual de 3,3%.
Com relação ao etanol, nossa expectativa é de que a taxa de misture avance apenas 0,2 pontos percentuais entre 2021 e 2022 na China, levando a demanda pelo biocombustível para 4,8 milhões de m³, aumento anual de 13,1% - crescimento puxado, sobretudo, pela expectativa de aumento do PIB, ainda que inferior ao observado nos últimos anos.
As perspectivas econômicas para o Brasil têm se deteriorado desde o primeiro semestre de 2021. Uma aceleração inflacionária com múltiplos focos de pressão de custos associada a uma constante e desorganizada alternância de prioridades na agenda econômica do governo federal provocou revisões frequentes da perspectiva de crescimento econômico, inflação, câmbio e juros para o país. Mais recentemente, a busca pelo aumento no benefício médio do programa Auxílio Brasil, que substituiu o Bolsa Família, através da revisão do limite constitucional de gastos e da prorrogação do pagamento de dívidas governamentais transitadas em julgado levou a sensível desvalorização cambial, elevação das expectativas para o nível de preços e para o nível da taxa básica de juros (Selic) em 2022. Sob esse ambiente econômico menos propício ao crescimento, marcado por perda de poder de compra e política monetária contracionista, o consumo tende a se enfraquecer, pesando de maneira geral sobre a demanda da indústria e do setor de serviços. O desempenho positivo do agronegócio e de algumas atividades de serviços, por outro lado, podem atenuar o resultado mais fraco dos demais setores.
Assim como nos demais players, as perspectivas para a eletrificação da frota brasileira também são positivas, ainda que tal crescimento esbarre em fatores limitantes de infraestrutura e custos elevados. A venda de veículos híbridos e 100% elétricos alcançou um recorde de 14 mil unidades no primeiro semestre de 2021, crescimento anual de 80%. Tal expansão deve ganhar força no longo prazo, com os veículos elétricos podendo representar 62% da frota brasileira até 2035, segundo projeções da Anfavea.
Consumo de Ciclo Otto no Centro-Sul do Brasil
*Estimativa. Fontes: ANP e StoneX. Elaboração: StoneX.
Para isso se concretizar, contudo, maiores investimentos e subsídios deverão ser concedidos ao setor. Levando em consideração que o ambiente ainda se mostra adverso à penetração dos elétricos, nossas projeções são de que esta frota ainda represente 0,2% e 0,3% do total de veículos em 2021 e 2022, respectivamente. Embora tenha impacto negativo sobre o consumo de Ciclo Otto nos próximos anos, é preciso ponderar que o etanol deve ganhar destaque neste contexto, já que o mercado brasileiro deve apostar no álcool em seus projetos de eletrificação, especialmente de híbridos.
Como consequência destes fatores, esperamos que o consumo de combustíveis Otto alcance cerca de 52,0 milhões de m³ em 2021, avanço anual de 5,5%, com a gasolina assumindo maior protagonismo. No Centro-Sul, principal região consumidora, a paridade de preços entre o etanol e a gasolina já alcança 81,4%, tendência que deve se manter até março/22, dado o período de entressafra da cana no cinturão canavieiro – com menor oferta de álcool.
A demanda nacional por hidratado deve ser próxima de 17,0 milhões de m³ no ano corrente, representando recuo anual de cerca de 13%. Em paralelo, a demanda por anidro deve se elevar, para nível em linha com 11,0 milhões de m³. Ainda assim, os preços dos combustíveis em patamares elevados podem dificultar o avanço da mobilidade urbana nos próximos meses, atuando como fator de pressão sobre a demanda por Ciclo Otto.
Balanço de O&D global de petróleo
*Estimativa. Fonte e elaboração: StoneX.
Em 2022, projetamos que o consumo de Ciclo Otto no Brasil se amplie em 2,2%. Tal perspectiva ainda dependerá das tendências para os preços dos combustíveis no mercado brasileiro, tal como discutido aqui. De todo modo, parece provável que as usinas direcionem maior volume de cana à produção de etanol, favorecendo sua competitividade nas bombas.
Especificamente, no ciclo 2022/23 (abr-mar) do Centro-Sul, projetamos que o consumo de hidratado seja próximo de 16,7 milhões de m³ (+18,3%), ao passo que o de anidro está projetado para totalizar 7,7 milhões de m³ (-3,4%).
Conclusão
Os fundamentos do mercado de petróleo indicam uma sustentação dos preços da commodity até o final do primeiro trimestre de 2022. Isso se dá, essencialmente, diante do déficit no balanço de O&D do produto no mercado mundial, que deve seguir conforme a aceleração do consumo de combustíveis e a retração das reservas de petróleo ao redor do globo.
Matriz do consumo mundial de etanol em 2020

Fonte: FAO. Elaboração: StoneX
Outro ponto de atenção é a possibilidade de substituição do gás natural por derivados de petróleo para geração de energia elétrica e calefação de ambientes na Europa. Os motivos por trás dessa troca são os baixos estoques de gás natural em um período próximo ao inverno europeu, que se inicia em dezembro e termina em março. Diante disso, é provável que o déficit no mercado de óleo bruto também se mantenha ao longo do primeiro trimestre de 2022, culminando na sustentação das cotações da commodity ao longo desse período.
Para 2022, os preços do Brent podem ser pressionados pelo maior conforto no balanço de O&D do óleo bruto, estimulando o consumo de gasolina e, consequentemente, etanol em nível mundial. Com base nas perspectivas macroeconômicas e para a eletrificação da frota dos players anteriormente apresentados, nossas estimativas são de que a demanda por álcool alcance cerca de 97,0 milhões de m³ no próximo ano. Vale notar que, em conjunto com a Índia, esses países representaram 84,7% da demanda global por etanol em 2020.
Por fim, é importante comentar sobre o avanço do setor de etanol na Índia, player que receberá cada vez mais atenção, dado os
planos ambiciosos de Nova Delhi para ampliação da participação do bicombustível em sua matriz energética. Nossa expectativa é de que o consumo de álcool em 2022 fique próximo de 3,0 milhões de m³, acompanhando os incentivos governamentais ao setor.