O Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities já está disponível gratuitamente.  Faça seu download.  →

Logotipo da StoneX

Especial | Recuo no preço dos suínos na China gera dúvidas sobre demanda por soja e milho

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Recuo no preço dos suínos na China gera dúvidas sobre demanda por soja e milho
 
João Pedro Lopes
Arthur Machado
Felipe Sawaia
Contudo, expectativa ainda é de elevado uso dos grãos na alimentação animal

Entre os anos de 2018 e 2019, os surtos de Peste Suína Africana na China impactaram profundamente a suinocultura no país. O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA, na sigla em inglês) estima que entre a detecção do primeiro caso no país, em 1º de agosto de 2018, e o final de 2019, quando a atividade começou a se recuperar, o rebanho de suínos recuou cerca de 40%. Como era esperado, a capacidade de produção dos frigoríficos do país também foi severamente afetada. Tomando como base os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na siga em inglês), a produção de carne suína na China foi de 54,52 milhões de toneladas¹ (mi t) em 2017, para apenas 36,34 mi t em 2020, uma queda de 33,3%.

Essa diminuição na oferta doméstica provocou dois importantes movimentos. Em primeiro lugar, os preços dos porcos vendidos no mercado interno chinês dispararam. Se entre 2016 e 2018 o quilo do animal vivo foi usualmente negociado entre RMB 10,00 e RMB 20,00, no ultimo trimestre de 2019 ele havia ultrapassado a casa dos RMB 30,00 e se manteve acima desse patamar até o início de 2021.

A outra grande consequência foi o significativo aumento das importações chinesas de carne de porco, que fizeram o país se isolar como o principal comprador do produto no mercado internacional. De novo utilizando como referência os dados do USDA, as importações da proteína pela China entre 2017 e 2020 cresceram 3,52 vezes, saltando de 1,50 mi t para 5,28 mi t. Além de aumentar a importação de proteína proteína suína, o país passou também a consumir e importar mais carne bovina e de aves. 

A partir de 2020, com o surto relativamente controlado, o Partido Comunista Chinês passou a impulsionar a recuperação dos rebanhos, auxiliando fazendeiros e empresários. Esses programas estatais, aliados ao dinamismo da economia chinesa, permitiram uma rápida retomada. Já em junho de 2021, segundo estimativas do MARA, o rebanho do país estava em 439,11 milhões de cabeças, número similar ao registrado antes da Peste.

Entretanto, o ano de 2021 marcou também uma mudança nos fundamentos do mercado. Com a oferta de porcos crescendo exponencialmente, os preços começaram a declinar, voltando para valores condizentes com a realidade existente antes de 2018. Entre o início de janeiro deste ano e o final de outubro, o preço do suíno recuou cerca de 54,8% no país. Tomando como base o preço contínuo do suíno na bolsa de Dalian, ocorreu uma desvalorização de 48,16% entre o dia 8 de janeiro e o 28 de outubro - de RMB 28,29/kg para RMB 14,67/kg. Curioso destacar que o mercado futuro de porco foi implementado na China justamente no dia 8 de janeiro, atendendo a uma necessidade de proteção dos agentes do mercado físico contra a volatilidade dos preços.
 

Evolução do preço do suíno vivo na China (RMB/kg)
image 20944
Fonte: Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional da China. Elaboração: StoneX.

Com a queda nas cotações, a recuperação dos rebanhos começou a declinar. De fato, divulgação do MARA mostrou que entre junho e setembro de 2021 o número de porcos na China declinou de 439,11 milhões para 437,64 milhões. A produção de carne no terceiro trimestre também encolheu, recuando de 13,46 mi t no segundo trimestre para 12,02 mi t. Isso porque os produtores estão ficando com as margens muito apertadas, dada a deflação nos preços dos porcos e os elevados preços da soja e do milho. Com isso, as fazendas estão atrasando a recomposição dos rebanhos, com as menores chegando a descartar matrizes. Pela estimativa do USDA, em 2022 o rebanho e a produção de carne suína da China voltarão a declinar.

Todas essas movimentações no setor de proteína suína chinês impactam também o mercado de grãos. Segundo dados do USDA, na safra 2020/21, o gigante asiático utilizou cerca de 73,4 mi t  de farelo de soja e 203 mi t de milho para a alimentação animal, recordes históricos para o país, sendo que esse volume do cereal correspondeu a mais de 70% do consumo doméstico chinês na safra em questão.

Vale lembrar que esses volumes recordes consumidos foram resultado da recuperação do rebanho suíno do país e das medidas para controlar a doença, como a proibição do uso de restos de comida na alimentação dos animais. Contudo, o enfraquecimento dos preços dos suínos e a manutenção dos elevados preços dos grãos no mercado doméstico chinês levantaram questionamentos sobre um possível desestímulo ao uso de milho e farelo de soja no país para ração.
 

Evolução dos preços de Suínos, Milho e Soja na Bolsa de Dalian em 2021 (jan/21 = 100)

image 20945
Fonte: Bolsa de Commodities de Dalian. Elaboração: StoneX.

Contudo apesar das incertezas envolvendo a evolução do rebanho de suínos a demanda por ração em função dos preços. As estimativas ainda apontam para um elevado consumo. O USDA projeta que 214 mi t de milho e 76,6 mi t de farelo de soja seram utilizadas para alimentação animal em 2021/22, o que, se concretizado, renovaria o recorde registrado na safra anterior.

Apesar de o mercado de trigo não ser influenciado pelo mercado de carnes na mesmo intensidade que o de milho e de soja, o cereal de inverno está muito mais susceptível às variações do mercado de milho e, quando se mostra vantajoso ao produtor, pode inclusive substituir o grão na produção de ração animal. Com um valor proteico superior ao do milho, o trigo muitas vezes passa a ser empregado na alimentação de animais quando os preços do primeiro estão muito valorizados. Esse movimento ocorreu em 2021, especialmente no primeiro semestre deste ano. Entre os meses de janeiro e junho, a relação de troca entre os o trigo e o milho na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), passou de 1,33 para 0,91 – quanto menor a relação, mais caro o milho em comparação com o trigo.
 

Relação de troca entre os contratos futuros contínuos de trigo e milho na CBOT

image 20946
Fonte:  CBOT. Elaboração: StoneX. 

Anualmente, de acordo com os dados do USDA, em todo o mundo, o uso para ração é responsável por cerca de 20% do consumo total de trigo. Na China, o USDA estima que a oferta total em 2021/22, cerca de o uso para ração será responsável por 24% do consumo total no país. Apesar de o percentual apresentar um recuo anual, de 3 p.p., na comparação com a média dos cinco anos que antecederam a safra 2020/21, de 15%, o percentual estimado é significativamente maior.

Por fim, faz-se interessante destacar o ritmo de compra da China no mercado global de trigo. Em razão dos altos preços do trigo de origem russa e da diminuição da capacidade exportadora dos Estados Unidos em razão da passagem do furacão Ida, especula-se que o gigante asiático tenha que reatar relações comerciais com a Austrália, país com o qual apresenta tensão diplomática desde o ano passado. No caso estadunidense, em 2021/22, o volume total comprado de trigo é de 848,16 mil toneladas, enquanto no mesmo período do ano passado esse valor foi de 1.597,72 mil toneladas.

 

¹ Tonelada equivalente carcaça.

 
 
 
 
  • Grãos e Oleaginosas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Artigos relacionados para Grãos e Oleaginosas

Comentários de Abertura

13 de agosto – Os principais índices acionários foram negociados de forma tranquila e mista durante a noite, antes dos números semanais de emprego e dos dados do índice de preços ao produtor desta manhã. Assim como na quarta-feira, os dados desta manhã também foram considerados positivos, fornecendo suporte para as ações e, de modo geral, permitindo que os rendimentos dos Treasuries recuassem um pouco. O VIX está sendo negociado perto de 14,4, o que está logo acima da nova mínima do ano de ontem. O dollar index está sendo negociado perto de 99,8. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,64%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,15%. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 81 por barril, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 87 por barril. Os preços do trigo firmaram-se novamente durante a noite diante dos riscos geopolíticos na região do Mar Negro, enquanto os preços de milho e soja recuaram modestamente em relação aos grandes ganhos de ontem.

Arlan Suderman
Arlan Suderman
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

12 de agosto – O foco de hoje está na inflação, com os dados do índice de preços ao consumidor de julho divulgados nesta manhã. Temos este e mais um mês de dados antes da próxima reunião do Federal Reserve. Claro, as manchetes das guerras do Oriente Médio e do Mar Negro também têm uma influência contínua sobre os mercados. Os futuros das bolsas registraram ganhos nesta manhã, enquanto o VIX foi negociado logo abaixo de 15. O dollar index foi negociado perto de 99,7. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,66%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos estão perto de 4,18%. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 83, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 88 por barril. Os mercados de grãos e oleaginosas se recuperaram das perdas de ontem antes do tão aguardado relatório WASDE de safra de hoje, que está previsto para o meio-dia, horário do leste dos EUA.

Arlan Suderman
Arlan Suderman
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

11 de agosto – Foi, em geral, uma noite tranquila para os mercados até o início desta manhã, quando surgiu uma manchete de que o Irã e Omã estavam perto de chegar a um acordo. Os futuros das bolsas subiram, enquanto o índice do dólar acompanhou os rendimentos dos Treasuries em baixa, juntamente com uma venda ativa nas commodities de energia e de alimentos. A manchete teve impacto limitado, no entanto, em um mundo que se tornou cético em relação às promessas de paz. Os futuros das bolsas permanecem estáveis a mais firmes neste momento, enquanto o VIX é negociado perto de 16 – logo acima das mínimas de 2026. O dólar index está sendo negociado perto de 99,8 nesta manhã, após se recuperar de sua venda no início da manhã ao longo da hora seguinte de negociação. Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos estão sendo negociados perto de 4,69%, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 anos são negociados perto de 4,22%. O petróleo WTI está sendo negociado perto de US$ 82 por barril neste momento, enquanto o Brent é negociado perto de US$ 88. Os mercados de grãos e oleaginosas estão majoritariamente mais fracos, após não conseguirem se recuperar da venda inicial desta manhã, que começou no mercado de petróleo bruto.

Arlan Suderman
Arlan Suderman
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais
Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.