
Mercado Externo: Vendas no varejo nos EUA ficam estáveis em dez/25, enquanto inflação no Brasil avança
Os principais índices acionários norte‑americanos operam em alta nesta manhã, estendendo os ganhos da sessão anterior, em meio a ajustes técnicos.
Conforme a BLS, as vendas no varejo permaneceram praticamente inalteradas em dezembro ante a última divulgação, em novembro - sendo que os resultados divulgados vieram abaixo das expectativas (+0,04%). O núcleo de vendas também permaneceu estável, sendo que o mercado esperava um aumento de 0,03%. Os números abaixo do previsto pelos agentes sinaliza que a atividade econômica no varejo americano pouco evoluiu no período analisado, o que poder indicar uma fragilidade no consumo doméstico, componente da demanda agregada. A publicação eleva as chances de antecipação do novo ciclo de corte de juros no país, que, a princípio, deve ocorrer após o fim do mandato de Jerome Powell, e a posse de Kevin Warsh, novo presidente do Banco Central norte-americano. Os dados do payroll amanhã serão complementares à análise da atividade econômica estadunidense, oferecendo visualizações sob a ótica do emprego.
O IBGE divulgou o IPCA de janeiro, que ficou em 0,33%, em linha com as expectativas do mercado. O índice acumulado de 12 meses foi de 4,44%, acima dos 4,26% da divulgação de dezembro. A alta do acumulado de inflação, após três quedas consecutivas, revela uma pequena aceleração inflacionária, que pode reduzir as chances a atrasar o início do novo ciclo de cortes de juros pelo Copom, previsto, em tese, para março, conforme aponta a ata da última reunião do órgão.
Brasil | IPCA - Acumulado (%) em 12 meses

Fonte: IBGE | Elaboração: StoneX
Na Europa, os mercados operam mistos, enquanto os agentes acompanham as divulgações da temporada de balanços das principais companhias da região. A Philips reportou bons resultados em termos de receita e lucratividade; ainda assim, a empresa reduziu as estimativas para 2026.
Na Ásia, os mercados encerraram majoritariamente em alta, com destaque — mais uma vez — para o Nikkei, do Japão. A bolsa japonesa registrou mais uma sessão de ganhos robustos após a ministra Sanae Takaichi obter mais de dois terços do Parlamento nas eleições antecipadas. O entusiasmo do mercado decorre da popularidade de Takaichi neste momento e das políticas pró‑estímulo econômico que devem ser implementadas em breve.
No segmento de commodities, temos um dia de pouca volatilidade até então, tanto para os metais, quanto para o petróleo e o algodão. O índice DXY também opera de maneira consideravelmente lateralizada, com pequenos ganhos.
Soja em alta
A soja encerrou o pregão noturno em alta, à medida que o USDA anunciou as primeiras vendas dos EUA para a China após as negociações da semana passada.
A China comprou cerca de 264 mil toneladas de soja norte-americana nesta segunda-feira (9). Foi a primeira operação após o acordo comercial, que prevê a comercialização de 8 milhões de toneladas do produto norte-americano entre os dois países até 31 de agosto.
As inspeções do USDA também revelaram o comportamento ativo da China nos embarques recentes. Na última semana, os EUA exportaram cerca de 1,14 milhão de toneladas de soja, e a China respondeu por 66% desse volume. As exportações no período ficaram 14% abaixo da semana anterior, mas 3,5% acima do registrado no mesmo momento de 2025.
Hoje, às 14h (horário de Brasília), será divulgado o Relatório de Oferta e Demanda do USDA (WASDE) de fevereiro. Mesmo com o potencial acordo comercial anunciado na semana passada, a possibilidade de uma redução dos estoques finais norte-americanos em função de um potencial aumento nas exportações é pequena. As variações mensais tendem a não ser acentuadas, uma vez que o WASDE de fevereiro costuma não provocar tanta volatilidade no mercado. Ainda assim, considerando possíveis elevações na demanda, há expectativa de que o relatório traga alguns estímulos altistas.
A Índia reduziu as tarifas sobre o óleo de soja norte-americano, e a medida estimulou o mercado da commodity nesta segunda-feira, uma vez que o país asiático é o maior consumidor do produto no mercado internacional. É possível observar alterações nos fluxos comerciais globais de óleo de soja, com os Estados Unidos potencialmente ganhando fatia de mercado diante de uma eventual elevação da demanda indiana. A produção da Malásia em janeiro veio abaixo das expectativas do mercado, o que contribui para uma dinâmica altista de curto prazo, conforme o Boletim Diário de Óleos Vegetais. Estímulos à alta do óleo de soja podem impactar positivamente o mercado da oleaginosa.
Óleo de Soja | Importações mundiais (2025/26)

Fonte: PSD/USDA | Elaboração: StoneX
Milho em alta
O milho acompanhou a soja e apresentou ganhos na sessão, ainda que não haja muitas novidades para o cereal sob a ótica dos fundamentos.
As inspeções do USDA revelaram que 1,31 milhão de toneladas de milho foram exportadas pelos EUA na última semana — 14% a mais que na semana anterior e 4,2% a menos que no mesmo período de 2025. Os números indicam a manutenção do bom ritmo de vendas norte-americanas, que tem sustentado os futuros do milho apesar do cenário predominante de sobreoferta.
A expectativa é de que o WASDE desta terça-feira não promova grandes alterações no quadro de oferta e demanda para o milho.
Trigo estável
O trigo encerrou a sessão tangete à estabilidade, sem grandes movimentações.
Assim como o milho, o trigo norte-americano manteve aquecido o ritmo de exportações na última semana. O USDA informou que 580 mil toneladas do grão foram embarcadas pelos EUA no período, ante 330 mil toneladas na semana anterior (+76%) e 570 mil no mesmo momento de 2025 (+1,7%).
Na Ucrânia, a APK-Inform reduziu as expectativas de exportações locais de trigo para esta temporada, de 16,7 milhões de toneladas (última divulgação) para 14,5 milhões de toneladas. A queda do volume potencialmente exportado pode estar atrelada ao clima pouco favorável e às nevascas excessivas, que vêm promovendo dificuldades logísticas e limitações nas operações portuárias no Mar Negro. Trata-se de um fator já conhecido pelo mercado, que pode sustentar novos ganhos com a divulgação desses números.
odityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.