
Mercado Externo: Payroll indica melhora na performance do setor empregatício nos EUA
Os principais índices acionários norte‑americanos iniciaram o pregão sem direção única e com baixa volatilidade, à espera do payroll. A trajetória de ganhos nos mercados mais voláteis foi afetada pelas vendas no varejo de dezembro, que permaneceram estáveis ante as expectativas de +0,04%. A divulgação gerou preocupação entre os agentes quanto à atividade econômica dos Estados Unidos e ao mercado de trabalho, uma vez que se esperavam resultados melhores no comércio interno em dezembro, sobretudo em razão das festividades de fim de ano.
O payroll, por sua vez, indicou resiliência do mercado de trabalho: 130 mil novas vagas foram criadas no setor não agrícola, acima das 66 mil esperadas. No setor privado, a BLS reportou 172 mil vagas, superando as 70 mil previstas. A divulgação pode impulsionar o mercado de ações, por sinalizar melhora no desempenho do mercado de trabalho. Além disso, os números reduzem a probabilidade de antecipação de um novo ciclo de cortes de juros nos Estados Unidos. O Fed deve voltar as atenções agora ao CPI, que será publicado nesta sexta‑feira (13), para complementar a análise.
No âmbito doméstico, o câmbio estende o movimento de baixa, enquanto o DXY aponta para um comportamento mais lateralizado do dólar nesta manhã.
Na Europa, as bolsas operam majoritariamente em baixa nesta manhã, enquanto prossegue a temporada de balanços.
Na Ásia, os mercados encerraram em alta, com o entusiasmo no Japão após a formação de um Parlamento favorável a Takaichi nas eleições antecipadas. Na China, os dados de inflação (CPI) vieram abaixo do esperado (+0,2% ante +0,4%). A desaceleração inflacionária em janeiro injeta algum otimismo para um país que busca superar problemas de demanda interna e pode implementar políticas pró‑estímulo no curto prazo.
Soja em baixa
A soja encerrou o pregão noturno com ligeiras perdas, praticamente em estabilidade.
O WASDE de fevereiro trouxe ajustes pontuais para a soja que, embora pouco expressivos, podem ter limitado os ganhos da sessão anterior. O USDA elevou a produção do Brasil em 2 milhões de toneladas, movimento já esperado pelo mercado e pela StoneX, que, no início deste mês, estimou mais de 181 milhões de toneladas. A revisão também elevou os estoques finais brasileiros para 37,9 milhões de toneladas (o ano safra do USDA é diferente do oficial aqui no Brasil). Ainda que o consumo doméstico tenha aumentado (via esmagamento), a relação estoque/uso subiu 2,1%. Essa foi a principal atualização do relatório e pode reforçar a competitividade brasileira, contribuindo para uma visão mais baixista para a oleaginosa.
Milho em baixa
O milho apresentou comportamento semelhante ao da soja, com ligeiras perdas.
O USDA contabilizou um aumento de 2,6 milhões de toneladas nas exportações norte-americanas na divulgação de ontem, o que reduziu os estoques finais e a relação estoque/uso do país em 4,5% e 5,1%, respectivamente. Houve também pequenos ajustes para Ucrânia e União Europeia; em ambos os casos, elevaram‑se as estimativas para a relação estoque/uso, o que não foi suficiente para conter a queda dos estoques de passagem globais. Ainda assim, o saldo final da publicação é neutro, uma vez que o mercado já precifica há algum tempo os altos níveis de exportação norte‑americanos.
Um estudo da Universidade de Illinois apontou que a capacidade de armazenamento de grãos nos EUA está relativamente estagnada desde 2020, enquanto as safras continuam crescendo de forma substancial. Se essa tendência persistir, é plausível que os EUA enfrentem um gargalo de armazenagem, o que pode afetar as decisões de comercialização dos produtores ao longo do tempo - uma vez que, sem maior capacidade de armazanagem, não será possível o produtor aguardar por níveis melhores de preço para vender.
Estados Unidos | Capacidade de armazenamento de grãos x Produção de grãos (1988 - 2025)

Fonte: Farmdocdaily / Universidade de Illinois
Em amarelo/laranja: Evolução da capacidade de armazenamento
Em cinza escuro: Evolução da produção de grãos
Trigo em alta
O trigo registrou leve alta nesta sessão, após uma divulgação pouco impactante do USDA quanto ao saldo global de oferta e demanda do grão.
O WASDE de fevereiro reforçou a tese de que a Argentina ganhou fatia de mercado antes ocupada pela União Europeia, uma vez que as exportações argentinas foram elevadas em 2 milhões de toneladas, enquanto as exportações europeias foram reduzidas em 1 milhão de toneladas. O Canadá também teve as exportações aumentadas em 1 milhão de toneladas, o que contribuiu para a redução das estimativas de estoques do país. Nos Estados Unidos, houve pequeno ajuste no consumo doméstico, com queda de apenas 0,5%. Na Ucrânia, a demanda interna foi ligeiramente ajustada para cima, em 30 mil toneladas.
Em suma, espera‑se impacto limitado do relatório sobre a dinâmica atual dos futuros em Chicago.
odityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.