
Mercado Externo: Mercados em alta apesar de incertezas acerca da política tarifária nos EUA
Os principais índices acionários norte-americanos operam em alta nesta manhã, com alguma volatilidade, após abrirem em baixa no início da sessão.
Os mercados seguem interpretando as atualizações no front tarifário norte-americano, e, no último sábado (21), Donald Trump anunciou novas tarifas de 15% sobre as importações de produtos globais. Os patamares de 15%, que devem entrar em vigor a partir desta terça-feira (24), correspondem ao limite permitido pela Lei de Comércio de 1974. Trump deve seguir com seus ideais protecionistas no momento, em uma tentativa de potencializar o crescimento do mercado interno e da economia americana por esta via. Portanto, a medida também é entendida como um ganho de tempo para o governo, que pode explorar outras maneiras para elevar as taxas para determinados produtos, e para alguns países em específico novamente.
A decisão da Suprema Corte nos EUA, na última sexta-feira (20), que decretou a ilegalidade das tarifas recíprocas de Trump, iniciadas em abril/25, pode impactar o mercado acionário americano de maneira altista neste primeiro momento, uma vez que a redução das tarifas pode convergir para uma atenuação da dinâmica inflacionária no país – o que significaria, a curto prazo, uma eventual elevação do consumo, da capacidade de investimento produtivo dos agentes e uma tendência de antecipação do novo ciclo de cortes de juros.
Todavia, a nova determinação tarifária, correspondente aos 15% anunciados por Trump no final de semana, pode segurar um pouco o ímpeto dos agentes, dado que novos estímulos de incerteza foram injetados no mercado – o que é refletido no comportamento altista dos metais, ouro e prata (ativos de maior segurança), que retornam aos maiores patamares desde o dia 30 de janeiro, quando houve grande correção técnica.
O Brasil, a princípio, pode ser bastante beneficiado por meio das reduções nas tarifas, uma vez que as exportações brasileiras tendem a aumentar. Mesmo com o novo patamar de 15%, estima-se que a grande maioria dos produtos do país sul-americano (com exceção de aço, alumínio e peças de cobre) contemple uma queda de 13,6 pontos percentuais na tributação cobrada dos importadores norte-americanos. A China e a Índia são outras nações que devem se beneficiar mais acentuadamente da determinação neste primeiro momento.
Na Ásia, a maior parte das bolsas encerrou o pregão desta segunda-feira em alta, à medida que os investidores locais absorveram os efeitos das determinações tarifárias nos EUA. Na China e no Japão, os mercados permaneceram fechados devido aos feriados do Ano Novo Chinês e do Aniversário do Imperador, respectivamente.
Na Europa, o comportamento dos principais índices acionários é misto na sessão e sem grande volatilidade até então.
Soja em baixa
As cotações da soja em Chicago deram continuidade ao movimento de queda na sessão noturna desta segunda-feira (dia 23), após a Suprema Corte dos EUA ter decidido que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência (IEEPA) não pode ser utilizada para criar novas tarifas sem passar pelo Congresso. Com isso, as chamadas “tarifas recíprocas” devem deixar de ser aplicadas imediatamente.
Para o mercado de soja, essa decisão foi interpretada como uma perda de vantagem nas negociações com a China, trazendo dúvidas sobre possíveis maiores compras de soja pelo país asiático (mais 8 milhões de toneladas além das 12 milhões já adquiridas). Caso a China continue comprando soja dos EUA atualmente, estaria pagando mais caro em comparação ao produto brasileiro. Com essa decisão da justiça dos EUA, as chances de continuidades dessas compras se reduzem.
Milho e trigo em baixa
As incertezas relacionadas à política tarifária dos EUA também pesaram sobre os preços do milho e do trigo. Há dúvidas se os acordos alcançados entre vários países e os EUA serão mantidos, após a suspensão das tarifas norte-americanas. Autoridades norte-americanas afirmam que os acordos alcançados continuam vigentes.
No caso do trigo, um novo leilão de compra por parte de Argélia limitou as perdas. Para o milho, as exportações norte-americanas estão no radar, após as vendas divulgadas na sexta passada terem ficado abaixo de um ano antes, apesar de dentro do esperado pelo mercado.
odityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.