
Mercado Externo: Agentes aguardam CCI enquanto tarifas comerciais de 10% entram em vigor nos EUA
Os principais índices acionários norte‑americanos registram quedas acentuadas na manhã desta terça‑feira. A cautela dos investidores decorre, sobretudo, das incertezas em torno do novo quadro tarifário e comercial dos Estados Unidos. Entrou em vigor hoje uma alíquota de 10% sobre todos os produtos estrangeiros não contemplados por isenções ou sujeitos a tarifas específicas. O percentual corresponde ao anúncio feito pelo governo norte‑americano na última sexta‑feira (20), após a suspensão, pela Suprema Corte, das tarifas anteriores com base na IEEPA. Contudo, diverge do percentual de 15% mencionado por Trump no sábado (21).
Os investidores aguardam detalhes adicionais sobre o novo arcabouço tributário, além de esclarecimentos acerca de acordos comerciais já vigentes. Paralelamente, entende‑se que Trump deve buscar outra via para legitimar tarifas mais elevadas para determinados produtos e países específicos, o que aumenta a percepção de risco no mercado e, por conseguinte, tende a limitar os ganhos no segmento financeiro e nas commodities em geral.
No cenário doméstico dos EUA, será divulgado hoje, ao meio-dia (horário de Brasília) o Índice de Confiança do Consumidor (CCI), do Conference Board, que mede as expectativas e percepções de curto e de longo prazo dos agentes em relação à economia norte‑americana. A expectativa é de leitura em torno de 87 pontos, acima dos 84,5 divulgados em janeiro, o que pode sinalizar leve melhora do sentimento diante dos dados recentes do mercado de trabalho e de uma pequena desaceleração da inflação.
EUA | CCI (Histórico)

Fonte: Conference Board
Também hoje, membros do Fed participam de um evento da NABE, o que pode fornecer novas pistas sobre a proximidade do início do próximo ciclo de cortes de juros nos EUA. Entre os palestrantes estará Lisa Cook. Trump também falará no Capitólio, às 23h (horário de Brasília). O mercado permanecerá atento a todas essas manifestações.
No Brasil, a agenda está relativamente esvaziada nesta terça‑feira, enquanto o câmbio opera em leve alta, porém praticamente lateralizado. O Ibovespa recua nesta manhã, acompanhando as perdas em Wall Street, à medida que os investidores adotam postura mais cautelosa diante das instabilidades geopolíticas e do quadro tarifário norte‑americano. A temporada de balanços segue adicionando volatilidade ao mercado doméstico — hoje estão previstas divulgações de grandes corporações, como C&A e Pão de Açúcar.
Na Ásia, os mercados fecharam mistos, enquanto, na China, as negociações foram retomadas após o feriado do Ano‑Novo Lunar. Na Europa, as bolsas operam majoritariamente em queda, à medida que autoridades seguem preocupadas com os acordos comerciais com os Estados Unidos em meio à incerteza tarifária.
Soja em baixa
A soja (maio/26) permaneceu em queda na sessão, acompanhando o movimento do pregão anterior. Os ganhos da oleaginosa seguem limitados à medida que as medidas tributárias continuam afetando as esferas financeira e de commodities.
As inspeções do USDA referentes à semana anterior mostraram que as exportações de soja dos EUA vieram abaixo do esperado. Foram embarcadas 669,8 mil toneladas na semana, ante 1,21 milhão de toneladas na semana anterior (‑45%) e 879,2 mil toneladas no mesmo período de 2025 (‑24%). Esses números pressionam a oleaginosa na sessão noturna, uma vez que os agentes permanecem, em certa medida, céticos quanto ao cumprimento das operações comerciais com a China.
Milho em baixa
O milho encerrou a sessão praticamente estável após ganhos expressivos no dia anterior. O contrato maio/26 havia registrado alta relevante no pregão de ontem devido ao elevado ritmo das exportações. Segundo o USDA, na semana passada foram exportadas cerca de 2,0 milhões de toneladas de milho pelos Estados Unidos, 33% a mais em relação à semana anterior e 72% acima do mesmo período do ano passado. Os números evidenciam a continuidade da força das exportações norte‑americanas do cereal — neste momento, os EUA detêm as maiores vantagens competitivas em termos de preço. As vendas seguem oferecendo suporte aos futuros do grão em Chicago.
O USDA anunciou, nesta segunda‑feira, a venda de aproximadamente 125 mil toneladas de milho dos Estados Unidos para a Colômbia.
Trigo em alta
O trigo (maio/26) encerrou em alta, com pequenos ganhos após operar em baixa em grande parte da sessão.
As preocupações em relação à possível seca nos EUA diminuíram após previsões, nesta segunda-feira, apontarem maiores níveis de precipitação ao longo dos próximos 14 dias.
EUA | Previsão de precipitação para os próximos 14 dias

Fonte/Elaboração: StoneX
Ainda assim, o trigo recebeu estímulos altistas das inspeções do USDA, que reportaram 535,1 mil toneladas exportadas pelos EUA na última semana, 42% acima dos valores da semana anterior, e 37% acima dos números do mesmo período em 2025. O ritmo de exportações permanece adequado ao trigo, e dentro do necessário, até então, para o cumprimento da meta do USDA, em julho.
odityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.