
Mercado Externo: Agentes aguardam por balancetes da Nvidia
Os principais índices acionários norte‑americanos iniciam o dia em alta, enquanto os investidores aguardam a divulgação dos resultados da Nvidia ao final da sessão.
Nas últimas sessões, os temores relacionados ao retorno dos investimentos maciços em IA, data centers, softwares e tecnologias avançadas vêm provocando volatilidade nos mercados financeiros norte‑americano e internacional — e, nas duas últimas semanas, o saldo é negativo para Nasdaq, Dow Jones e S&P 500. No final do trimestre anterior, a preocupação com a rentabilidade desses gastos também ditava o ritmo do mercado, como ocorre agora. Naquela ocasião, a estabilidade só voltou quando a Nvidia divulgou os resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026. Amanhã, após a divulgação de hoje, comentaremos os dados do quarto trimestre fiscal de 2026 e os potenciais impactos sobre o sistema financeiro e sobre as commodities.
Segundo o Conference Board, o Índice de Confiança do Consumidor (CCI) nos EUA atingiu 91,2 pontos em fevereiro, acima da expectativa de 87,5 do mercado. O dado de janeiro também foi revisado, de 84,5 para 89 pontos. A leitura reflete melhora no sentimento de curto prazo e nas perspectivas dos consumidores em relação à economia doméstica. Interpreta‑se que a recente desaceleração inflacionária e os melhores dados do mercado de trabalho tenham contribuído para a evolução do CCI. A divulgação pode ter favorecido a leve recuperação dos índices acionários no país, que também reflete fatores técnicos — ainda que, no essencial, o ambiente político‑econômico dos EUA permaneça marcado por incertezas recorrentes e elevada polarização, o que continua a pressionar os ativos de risco e as commodities.
EUA | CCI (últimas três divulgações)

Fonte: Conference Board | Elaboração: StoneX
No Brasil, o Ibovespa (IBOV) estende os ganhos e renova a máxima histórica, tangenciando os 193 mil pontos.
Na Ásia, os mercados encerraram em alta, acompanhando os ganhos de Wall Street.
Na Europa, as bolsas também operam em alta, à medida que os agentes reagiram positivamente à tarifação de 10% sobre importações pelos EUA, uma vez que o presidente Donald Trump havia mencionado que o piso para o novo arcabouço tarifário seria de 15%. Além do mais, foi divulgado um recuo inflacionário significativo (via CPI) na Zona do Euro, de 0,6%, entre jan/26 e dez/25, o maior dos últimos 10 meses. O acumulado (% a.a) caiu de 2% para 1,7%. A evolução é bastante positiva para os mercados financeiros locais, e pode se interpretar que a divulgação contribuiu para a alta dos principais índices acionários nesta quarta-feira. Um recuo inflacionário pode impactar o consumo de futuros de commodities e as operações no mercado spot, também.
Zona do Euro | CPI - Acumulado (% a.a) e Variação Mensal (%)

Fonte: EuroStat | Elaboração: StoneX
Soja em alta
A soja encerrou a sessão noturna em alta, enquanto os agentes aguardam notícias sobre eventuais compras chinesas e desenvolvimentos no front dos biocombustíveis.
A Universidade de Illinois realizou um estudo que aponta uma disparidade na estrutura de custos de produção de soja entre o Brasil e os EUA — que, juntos, detêm 70% da produção mundial da oleaginosa. De acordo com o estudo, no Brasil os custos diretos — entre eles gastos com sementes, fertilizantes e proteção da lavoura — compõem a maior parte dos investimentos na estrutura produtiva; já nos Estados Unidos, maquinário, gestão e manutenção da safra (incluindo o custo da terra produtiva) respondem pelas maiores participações na estrutura de custos.
Nos últimos anos, em razão do alto custo da terra para a produção de soja nos EUA — dada a baixa disponibilidade frente à demanda e a competição por área com o milho —, observa‑se que a lucratividade da agricultura de soja no Brasil tem sido maior. Isso ocorre apesar da recente alta no preço dos fertilizantes, e reflete também vantagens competitivas e produtivas da nossa cultura. Para acessar a matéria, clique .
Soja | Lucratividade da produção (US$/t) - Brasil x EUA

Fonte: Universidade de Illinois
Milho estável
O milho encerrou a sessão de forma lateralizada.
Pelo lado dos fundamentos, não houve atualizações relevantes para o milho no intraday. Ainda assim, uma boa notícia: os fertilizantes devem ficar isentos da tarifa de 10% sobre as importações norte‑americanas — fator relevante para o cereal, dada a intensidade de uso do insumo na produção.
Trigo em baixa
O trigo fechou em baixa no pregão noturno, com os futuros apresentando leves ajustes técnicos após o movimento de alta da última sexta‑feira (20), quando o mercado reagiu às preocupações com uma possível seca mais ampla e prolongada no território norte‑americano.
Até o momento desta quarta‑feira, houve poucas atualizações sobre o clima. A previsão permanece semelhante à divulgada ontem: nos próximos sete dias, são esperados baixíssimos níveis de precipitação nas planícies centrais e do sul. Nos próximos 14 dias, contudo, são previstos volumes de chuva mais significativos na região, sobretudo no Kansas (maior produtor) e em Oklahoma.
odityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.