
Mercado Externo: Agentes seguem interpretando resultados no segmento de tecnologia avançada
Os principais índices acionários norte‑americanos apresentam comportamento baixista na manhã desta sexta‑feira. Entende‑se que esse recuo decorre, em parte, de fatores técnicos, uma vez que os grandes indicadores — Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones — vinham de duas altas consecutivas nas últimas sessões.
Pode‑se interpretar que os bons resultados da Nvidia contribuíram para os ganhos recentes. Ainda assim, os números mostraram‑se insuficientes para sustentar uma trajetória de alta mais contínua e duradoura no mercado, conforme apontou parte dos investidores, além da resistência encontrada pelos índices nesta sessão.
A Comissão Europeia deve aplicar provisoriamente o acordo de livre‑comércio com o Mercosul. Ursula von der Leyen, presidente da entidade, sinaliza interesse em reduzir tarifas entre os blocos para ampliar a diversificação comercial europeia diante da nova carga tarifária nos Estados Unidos, bem como reduzir a dependência em relação à China — pauta apoiada por Alemanha e Espanha. Há, todavia, rejeição à ideia neste momento, sobretudo por parte da França, em razão da insatisfação de agricultores e pecuaristas frente a uma eventual perda de mercado para produtos sul‑americanos com vantagem competitiva, como açúcar e carne.
No Brasil, o IBGE divulgou o IPCA‑15 às 9h (horário de Brasília). Observou‑se variação mensal (fevereiro vs. janeiro) acima das expectativas: estimava‑se +0,57%, mas o resultado foi de +0,84%. No acumulado em 12 meses, o mercado projetava +3,82%, enquanto o dado veio em 4,10%. Em leitura preliminar, os números podem sugerir aceleração inflacionária na “prévia” do IPCA de fevereiro, cujo resultado sairá nas próximas semanas.
IPCA-15 | Variação Mensal (%) e Acumulado a.a (%)

Fonte: IBGE | Elaboração: StoneX

Fonte: IBGE | Elaboração: StoneX
Ainda assim, entende‑se que a alta de fevereiro se insere nos padrões sazonais, já que os principais aumentos ocorreram em Educação (volta às aulas) e Transportes/Logística (viagens, passagens aéreas etc.). Além disso, o gráfico abaixo ilustra que fevereiro costuma apresentar variações mais acentuadas em relação aos demais meses do ano.
IPCA-15 | Variação mensal (%)

Fonte: IBGE | Elaboração: StoneX
Em verde, encontram-se destacados os meses de fevereiro.
Na Ásia, os mercados encerraram mistos, em um dia de agenda esvaziada, com poucas atualizações relevantes para o segmento financeiro da região.
Na Europa, a maioria das bolsas estende os ganhos nesta sexta‑feira, à medida que os mercados absorvem estímulos do recuo inflacionário na zona do euro, cujos dados foram publicados na quarta‑feira (25).
Soja em alta
A soja registrou ganhos na sessão noturna desta sexta‑feira, fechando em alta na CBOT.
Do ponto de vista dos fundamentos, há poucas novidades nesta manhã. Ontem, as vendas semanais de exportação dos EUA trouxeram número modesto: 407 mil t, patamar muito semelhante ao da mesma semana de 2025 (411 mil t) e à média dos últimos cinco anos‑safra (413 mil t) para o período.
A grande alta do petróleo na sessão de hoje, que pode ser compreendida com mais detalhes no Diário de Petróleo, contribui para a valorização da oleaginosa, uma vez que barateia os biocombustíveis a partir de óleo de soja, em detrimento de combustíveis fósseis.
Milho em alta
O milho demonstrou força na sessão noturna, em meio à expectativa de que o governo Trump realocará ao menos 50% das obrigações de RIN adiadas por isenções a pequenas refinarias (SREs) para as grandes misturadoras. Em outras palavras, obrigações de combustíveis renováveis — como o etanol de milho — não cumpridas por pequenas empresas (por incapacidade econômica, financeira, produtiva ou operacional) seriam transferidas às grandes produtoras. Essa diretriz poderia impactar a demanda por milho no curto prazo, ao estimular a produção de etanol.
O rumor deu suporte aos futuros apesar das vendas externas modestas dos EUA na semana passada: 686 mil t, 13% abaixo da mesma semana de 2025 e 13,5% abaixo da média dos últimos cinco anos‑safra. Ainda assim, em um recorte mais amplo da safra, a trajetória de exportações permanece aquecida, de modo que o dado semanal não sustenta preocupações relevantes quanto à demanda externa pelo milho norte‑americano.
Trigo em alta
O trigo registrou forte alta na sessão: os futuros avançaram 2,31%, atingindo máxima de 12 meses na CBOT.
Do lado dos fundamentos, é difícil apontar uma justificativa isolada para a volatilidade recente; não há grandes atualizações nesse escopo. A alta parece pautada por fatores técnicos, com compras de suporte por parte dos agentes. Considera‑se, também, um efeito inercial: os ganhos dos últimos dias, apoiados nas expectativas de seca nas planícies norte‑americanas, estimularam fluxos financeiros que sustentam uma trajetória altista mais acentuada dos futuros.
Na França, enchentes e precipitações excessivas reduziram as expectativas de qualidade para a safra 2026: 84% das lavouras estão em condição boa/excelente, 4 p.p. a menos em relação à semana passada (88%) e 7 p.p. abaixo da semana retrasada (91%). A queda na qualidade e a incerteza sobre rendimentos tendem a sustentar os futuros na MATIF, movimento que pode ser parcialmente repassado à CBOT no curto e no longo prazo, diante da possibilidade de redução da oferta do principal exportador da União Europeia.
Europa | Volume (mm) de chuvas nos últimos 14 dias


Fonte/Elaboração: Stonex
odityNetwork Traders’ Pro.

Fonte: CommodityNetwork Traders-Pro em relação ao fechamento do dia anterior.
Fonte: **Estimativas StoneX.