Primeiro caso de gripe aviária de alta patogenicidade em granja comercial no Brasil pode impactar meses cruciais de exportações de produtos avícolas

Confirmação da doença em uma granja em Montenegro, no Rio Grande do Sul, gerou suspensão das importações por parte de parceiros comerciais do Brasil
O primeiro caso de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) registrado em granja comercial no Brasil foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária no dia 15 de maio em Montenegro, no Rio Grande do Sul.
Até abril de 2025, o Brasil já havia exportado carne de frango para 162 países, próximo dos 164 mercados alcançados em 2024. Entretanto, por protocolos estabelecidos entre o Brasil e os parceiros comerciais externos de forma bilateral, um caso de IAAP em granja comercial gera suspensões nos embarques, seja restrito ao Município onde a doença foi confirmada em granja comercial, ao Estado do Rio Grande do Sul, ou em âmbito nacional.
A China, maior importador de carne de frango brasileira, foi a primeira a suspender as compras, segundo a analista da StoneX, Larissa Barboza Alvarez.
Exportações brasileiras impactadas
A disrupção nas exportações de carne de frango brasileira devido ao caso de IAAP deve trazer impactos em meses estratégicos para o país, conforme explica Larissa Barboza Alvarez. “Nos últimos anos, os embarques ao exterior se concentraram na primeira parte do ano, especialmente entre março e julho, passando a diminuir a partir de agosto”, explicou.
Desta maneira, os embargos temporários à proteína avícola brasileira podem aprofundar a lacuna nos embarques no mês de agosto. Entretanto, segundo explica a analista, dependendo dos desdobramentos deste caso, sobretudo se a doença for controlada e restrita ao local da ocorrência, o aprofundamento da baixa exportação sazonal em agosto pode não ser sentido com tanta intensidade.
Possíveis impactos podem vir após o melhor 1º trimestre da história
As exportações no primeiro trimestre de 2025 foram as melhores da história para o período, conforme explica Larissa Barboza Alvarez. “Os três primeiros meses do ano registraram volumes expressivos, todos acima de 415 mil toneladas — patamar superior tanto ao mesmo período de 2024 quanto à média histórica recente. Em janeiro, por exemplo, as exportações alcançaram 415 mil toneladas, frente a 375 mil toneladas no mesmo mês de 2024 e a uma média de apenas 324 mil toneladas no triênio anterior”.
Para a analista da StoneX, embora as medidas de suspensão temporária dos embarques possam passar a valer somente para regiões específicas, como vem se anunciando nas negociações, o setor deverá acompanhar de perto os desdobramentos, avaliando possíveis efeitos sobre o volume embarcado nos próximos meses.
Segunda quinzena de maio mostrou ‘esfriamento’ nos embarques
Ainda que, segundo a analista Larissa Barboza Alvarez, seja cedo para mensurar os impactos efetivos das restrições ligadas à gripe aviária nas exportações de carne de frango, em maio, observa-se a seguinte dinâmica: embora a segunda semana tenha sido a mais forte, os dados parciais das semanas seguintes sugerem um ritmo um pouco mais moderado, ainda que superior ao observado em 2024.
China, maior comprador, fecha as portas de imediato
Assim que houve a confirmação do caso de IAAP na granja comercial de Montenegro, no Rio Grande do Sul, automaticamente foram suspensos os embarques da proteína para a China.
Segundo Larissa Barboza Alvarez, ao longo de 2024, o gigante asiático representou 11% do share das exportações de carne de frango do Brasil, se configurando como o líder entre os parceiros comerciais. Até abril de 2025, o percentual na fatia das aquisições chinesas permanecia o mesmo. Um ponto a ser ressaltado, de acordo com a analista, é que o país asiático incrementou em 9% as compras da proteína brasileira neste primeiro quadrimestre no comparativo com o mesmo período do ano passado.

Entenda mais dados sobre a produção e comercialização de carne de frango no brasil
Conforme dados apresentados pela analista de mercado da StoneX, Larissa Barboza Alvarez, o Brasil é o terceiro país no ranking de produção da proteína, registrando no ano passado um total de 15 milhões de toneladas produzidas e com 14% do share. O país fica atrás dos Estados Unidos (primeiro lugar, com 21mi de toneladas em 2024), e da China (segundo lugar, com 15mi de toneladas em 2024).
No caso das exportações, é o Brasil quem lidera a lista entre os players internacionais, representando 36% do total do mercado mundial em 2024, somando 4,89 milhões de toneladas da proteína avícola embarcada para mais de 160 países. Em seguida, vem os Estados Unidos, com 22% do mercado mundial e, em terceiro luigar, a União Europeia, detendo 17% do setor.