
O Mercado de Milho no Paraguai: Produção, consumo interno e crescente industrialização
O milho é o segundo cereal mais produzido no Paraguai. Com altos e baixos climáticos, sua produção tem mostrado resiliência e expansão estrutural. Para a safra de 2025, espera-se colher mais de 5,61 milhões de toneladas. É cultivado principalmente nos departamentos de Itapúa, Alto Paraná, Caaguazú, San Pedro e Canindeyú.
O milho paraguaio já não é exportado apenas, começa a ficar, a se transformar. O consumo interno ganha espaço, impulsionado por novas indústrias, e o Paraguai começa a dar um passo em direção a algo maior: converter produção agrícola em energia e valor local.
Produção de milho no Paraguai

Fonte: StoneX. Elaboração: StoneX. Nota: *Produção projetada.
Os usos domésticos do milho paraguaio são: alimentação animal para a produção de rações balanceadas, consumo para a elaboração de féculas de milho e consumo para a produção de etanol e DDG.
No entanto, a partir de 2017 começou a ser registrado um câmbio estrutural na demanda interna de milho, impulsionado pelo crescimento sustentado do setor de biocombustíveis. O desenvolvimento de usinas de etanol à base de milho gerou uma nova fonte de consumo que modifica de maneira significativa o destino tradicional do grão.
A produção de etanol não só aumenta o valor agregado do milho, como também gera subprodutos valiosos para a cadeia agropecuária, como o DDG, utilizado como fonte proteica em rações animais.
Destino do milho produzido no Paraguai

Fonte: StoneX. Elaboração: StoneX.
Milho | Estimativas para a zafrinha 2025

Fonte: StoneX. Elaboração: StoneX.

Fonte: StoneX. Elaboração: StoneX.
Setor de etanol de grãos continuará gerando demanda por milho paraguaio
As unidades já em operação, assim como os novos projetos, estão estrategicamente localizadas nas principais regiões produtoras. Essa escolha não é casual: ela aumenta a eficiência logística, reduz custos de transporte e, ao mesmo tempo, estimula o desenvolvimento econômico regional ao atrair investimentos e gerar empregos locais.
Além disso, quando analisamos o consumo potencial por departamento, fica clara uma tendência estrutural: o Paraguai caminha para reter internamente uma fatia cada vez maior de sua própria produção de milho. Isso representa uma mudança importante no equilíbrio entre exportação e uso doméstico, sinalizando uma transição em direção a um modelo de agregação de valor local, com efeitos positivos tanto para a indústria quanto para a segurança alimentar e energética do país.
Projeções de utilização do milho nos próximos anos

Fonte: StoneX. Elaboração: StoneX.
Unidades industriais que processam milho e cana-de-açúcar

Fonte: StoneX. Elaboração: StoneX.
A expansão das plantas processadoras de etanol de milho representa um ponto de inflexão econômico.
As unidades industriais (dedicadas, flex e projetos em desenvolvimento) estão transformando a dinâmica do mercado interno.
As projeções indicam que o consumo potencial de milho para etanol poderá superar 2,5 milhões de toneladas em 2028, o que significaria o dobro da demanda atual. Essa expansão prevista está diretamente ligada ao aumento da capacidade instalada das plantas, à previsibilidade dos investimentos e à competitividade regional do etanol paraguaio em relação às alternativas fósseis.
Essa transição não apenas redefine o destino do milho, mas também impõe uma nova mentalidade ao setor: logística integrada, contratos industriais estruturados e uma gestão ativa do risco de preços.
Consumo Potencial de Milho no Paraguai

Fonte: StoneX. Elaboração: StoneX.
Historicamente, mais de 60% do milho paraguaio é exportado, em sua maioria para o Brasil. Esse fluxo abastece granjas avícolas e suinícolas, sobretudo nos estados do sul brasileiro, que apresentam déficits internos consideráveis e dependem do milho paraguaio como fonte essencial de suprimento.
Mas essa lógica começa a mudar. A mesma matéria-prima que por décadas sustentou a demanda no exterior no exterior agora pode impulsionar uma nova indústria energética dentro do Paraguai. O país se encontra, portanto, diante de uma escolha estratégica: seguir como fornecedor de grão in natura ou avançar para um modelo de maior agregação de valor, capaz de transformar o milho em energia, emprego e desenvolvimento local.