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Mercado de cacau enfrenta riscos para as próximas safras

By: Liderança Inovadora, Liderança Inovadora

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Duas safras sob pressão e El Niño elevam preocupações com a oferta global de cacau

O mercado de cacau vive um momento incomum. Embora a safra atual apresente oferta relativamente confortável, as perspectivas de abastecimento agora dependem das próximas duas safras, ambas cercadas por incertezas relacionadas ao clima e ao fenômeno El Niño. Os preços avançaram não porque faltam amêndoas neste momento, mas porque o mercado já precifica os riscos associados às temporadas de 2026/27 e 2027/28. Para quem compra ou faz hedge de cacau, a história mais importante já não é a safra atual, mas as duas que vêm pela frente.

Lucca Bezzon é analista de Inteligência de Mercado da StoneX no Brasil, onde acompanha os mercados globais de soft commodities e monitora os balanços de oferta e demanda de cacau e café. Seu trabalho inclui o acompanhamento dos fluxos de produção e das tendências de processamento na África Ocidental, em países produtores emergentes e nas safras brasileiras.

Destaques:

  • Os contratos futuros de cacau em Nova York acumulam alta superior a 40% desde o início de fevereiro, mesmo com uma safra atual bem abastecida.
  • A StoneX reduziu sua estimativa de superávit global de cacau do ciclo 2026/27 para cerca de 25 mil toneladas, diante do enfraquecimento da próxima safra na África Ocidental.
  • O risco de El Niño até 2027 aumenta a possibilidade de duas safras consecutivas abaixo do esperado, reduzindo a folga na oferta global.

 

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Clima na África Ocidental lança dúvidas sobre a safra de cacau 2026/27

As perspectivas para a oferta de cacau em 2026/27 se deterioraram devido às condições climáticas desfavoráveis e à redução na formação de frutos na África Ocidental. Segundo Bezzon, “o clima não tem sido favorável na África Ocidental, especialmente durante o mês de junho, que é um período muito importante para o desenvolvimento dos grãos que serão colhidos na próxima safra”.

Como resultado, a StoneX reduziu sua projeção de superávit para a temporada 2026/27 de cerca de 149 mil toneladas para aproximadamente 25 mil toneladas, deixando uma margem de segurança muito mais estreita. Sinais vindos dos próprios países produtores reforçam essa cautela: o COCOBOD, órgão regulador de Gana, já prevê uma queda de aproximadamente 16% na oferta, enquanto a Costa do Marfim suspendeu as vendas antecipadas da próxima safra.

Para compradores industriais e participantes do mercado, essa redução na produção futura indica que o conforto proporcionado pela safra atual pode não se estender para os próximos ciclos.

El Niño coloca uma segunda safra de cacau em risco

O maior risco para o mercado de cacau é a ocorrência de duas safras fracas consecutivas, cenário que teria impacto muito mais expressivo do que uma única temporada abaixo do esperado. Com a possibilidade de persistência das condições associadas ao El Niño, a safra 2027/28, que sucede a de 2026/27, também pode apresentar produtividade reduzida.

De acordo com Bezzon, “o superávit construído durante a safra atual pode não ser suficiente para compensar os riscos” caso ambas as temporadas decepcionem. Essa combinação aumenta a possibilidade de o mercado global de cacau migrar de uma situação de superávit para um equilíbrio apertado ou até mesmo para déficit, lembrando as condições observadas em 2023 e 2024, quando a oferta ficou restrita.

Para processadores, indústrias e agentes que utilizam instrumentos de hedge, esse cenário ajuda a explicar por que os preços do cacau continuam avançando mesmo com estoques ainda aparentemente confortáveis no presente.

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--- Escrito por Gus Farrow, Senior manager, StoneX Media

--- Especialista: Lucca Bezzon, analista de Inteligência de Mercado, StoneX Brasil

  • Cacau

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2 de outubro: a lógica de que notícia ruim é notícia boa voltou com força total, com os futuros das bolsas em forte alta, apontando para uma abertura bem mais positiva após dados do mercado de trabalho americano significativamente piores do que o esperado no relatório Nonfarm Payrolls de setembro, divulgado nesta manhã e detalhado mais abaixo. Em resposta, o VIX recuou com força e agora oscila perto de 15,5, seu menor nível desde a última sexta-feira. O dólar acompanha o movimento, já que o dado suaviza as expectativas em relação aos juros do Fed, e recua 0,2% no dia, sendo negociado perto de 101,86 no momento em que este texto é escrito. Os rendimentos dos Treasuries também caem, com o título de 2 anos em 4,74%, o de 10 anos em 5,184% e o de 30 anos em 5,57%. O petróleo inicia o dia em queda expressiva, com o WTI de primeiro vencimento caindo 3,9%, negociado perto de US$ 89,30, e o Brent de primeiro vencimento recuando 3,1%, perto de US$ 99,10. Já os agrícolas começam a sessão sem direção única: parte do complexo do trigo opera em leve alta na abertura, enquanto milho e soja seguem no vermelho.

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1º de outubro: Os futuros das bolsas apontam para uma abertura em alta após um fechamento misto dos principais índices ontem, quando o Dow Jones encerrou em seu menor nível desde meados de junho, enquanto o Nasdaq e o S&P 500 seguem cerca de 1% a 2% abaixo de suas máximas históricas. O VIX inicia o dia em leve alta, oscilando logo abaixo de 16,5 no momento da redação. O dólar dispara nesta manhã, tendo tocado seu maior nível desde abril de 2025, logo abaixo de 102, mais cedo na sessão, e agora gira em torno de 101,8. Os rendimentos dos Treasuries de longo prazo continuam a gerar preocupação ao avançarem mais uma vez, com o de 10 anos subindo para 5,317% e o de 30 anos para 5,674%. Já os de curto prazo recuam após os dados econômicos positivos de ontem, que podem ter afastado parte dos temores mais hawkish, com o rendimento de 2 anos caindo para 4,875% no momento da redação. O petróleo opera no campo positivo no início do dia, com o WTI de primeiro vencimento subindo 1%, negociado próximo a US$ 91,20, e o Brent de primeiro vencimento avançando 1,7%, próximo a US$ 99,70. Os agrícolas indicam uma abertura mista, com grãos e oleaginosas tentando se recuperar da forte queda de ontem.

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30 de setembro – Uma série de dados capazes de movimentar os mercados será divulgada ao longo do dia, e a coincidência com o fechamento do mês e do trimestre pode tornar o pregão bastante volátil. A manhã trouxe praticamente a melhor combinação macroeconômica possível: crescimento econômico subjacente dos EUA bem mais forte e resiliência contínua do mercado de trabalho, acompanhados de uma inflação abaixo do esperado, justamente no indicador de inflação preferido do Fed. Com isso, os futuros de ações apontam para uma abertura em alta, enquanto o VIX recua com força após as divulgações e gira em torno de 15,8 no momento em que este texto é escrito. O dólar também inverteu a trajetória e passou a cair, à medida que o mercado começa a precificar uma necessidade menor de altas imediatas de juros pelo Fed. A moeda recua pouco mais de 0,2% no dia, negociada perto de 101,15. Os rendimentos dos Treasuries também caem de forma expressiva após as divulgações, sobretudo na ponta curta da curva, onde o Fed tem maior controle. O título de 2 anos voltou para 4,83%, o de 10 anos está em 5,22% e o de 30 anos, em 5,58%. O petróleo tenta interromper a sequência recente de quedas, com o WTI de primeiro vencimento subindo 2%, perto de US$ 90,70, e o Brent de primeiro vencimento avançando 1,4%, próximo de US$ 97,50. As commodities agrícolas começam o dia majoritariamente em alta, com as atenções voltadas para os relatórios de Estoques Trimestrais de Grãos (Quarterly Grain Stocks) e de Resumo dos Grãos Pequenos (Small Grain Summary), previstos para as 11h00 no horário de Chicago.

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