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Relatório Semanal de Café

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Cotações de café arábica recuam em meio a bons níveis de chuvas e alta do dólar no Brasil
 
Fernando Maximiliano
Leonardo Rossetti
William Rutherford-Roberts
Alexis Rubinstein
Valorização significativa do dólar no mercado cambial brasileiro pesou sobre as cotações em Nova Iorque na semana
Resumo

•    Preços de café arábica recuam 355 pontos (1,75%) em NY e indicador Cepea indo a R$ 1246/sc, avanço de 1,0%.
•    Robusta avança USD 24 (1,1%) em Londres, mas recua R$ 56,25/sc (6,9%) no Brasil para R$ 755,43/sc.
•    Forte alta do dólar pesa para pressionar cotações na semana 
•   Parque cafeeiro registra boas chuvas, que devem seguir em bons níveis até o final de outubro 
•    Dados de estoque de água no solo ainda preocupam para o desenvolvimento pós florada 
•    Cooperativas na colômbia enfrentam dificuldades com cafés não entregues por produtores 
•    Problemas de cafés na Colômbia pode afetar importações americanas nos próximos meses 
•    Relatório CFTC aponta para redução do saldo comprado dos fundos especulativos
•    Logística e riscos da Covid-19 promovem altas do café robusta em Londres 
•    Fundos reduzem posições compradas em café robusta pela quarta semana consecutiva 
•    Em meio a elevação do risco fiscal, dólar registra alta de 3,5% no mercado cambial brasileiro 
•    Piora nos indicadores econômicos pode levar Copom a postura mais contracionista em decisão desta semana 

   Fatores baixistas       Fatores altistas

 

Em meio a poucas novidades em termos de fundamentos, os contratos futuros de café recuaram em Nova Iorque na última semana, encerrando a primeira semana abaixo dos US₵ 200,00/lb desde o final de setembro. O contrato mais ativo, com vencimento em dezembro/21, encerrou a última sexta-feira (22) cotado a US₵ 199,85/lb, variação de -355 pontos (-1,75%) em relação à sexta-feira anterior (15).
Intraday semanal (Contrato mais ativo)  - 18/10 a 22/10
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Fonte: CommodityNetwork Traders’ Pro. Elaboração: StoneX.

Entre os principais fatores que contribuíram para pressionar os preços, figuraram fatores técnicos, o registro de volumes satisfatórios de precipitações na maior parte das regiões produtoras de café, e a forte alta do dólar no mercado cambial brasileiro, que será aprofundada na sessão de macroeconomia.

De acordo com o modelo de previsões e histórico de precipitações publicado pela StoneX, baseado nos dados do NOAA, A maior parte das regiões produtores tem apresentado bons volumes de chuvas nas últimas semanas. Segundo os indicadores, a maior parte das cidades produtoras do Sul de Minas registraram volumes de cerca de 130 mm a 175 mm nos últimos 15 dias, com volumes até 140 mm para a região das Matas de Minas e até aproximadamente 130 mm na região da Mogiana, com o Cerrado indicado ter recebido até 100 mm de chuvas no período. A expectativa é de que as precipitações continuem ocorrendo em bons níveis até o final do mês, o que pode contribuir para pressões baixistas nos próximos dias.

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Fonte: StoneX, com dados de NOAA/NCEP/EMC (GFS: Global Forecast System), 2021.                                                                                            

Todavia, apesar de as precipitações em outubro estarem sendo favoráveis ao desenvolvimento do parque cafeeiro de forma geral, ainda é difícil afirmar se estas serão capazes de compensar um longo período de clima quente e déficit hídrico no solo. Em função da crise hídrica e seca no Brasil, os dados de estoque de água no solo seguem desde meados no primeiro semestre até setembro abaixo da média histórica em grande parte as áreas produtoras, que ainda verificaram atrasos no período de chuvas para a florada, devido aos efeitos do La Niña na região. Neste sentido, as condições reais da safra 2022/23 poderão ser mais bem avaliadas a partir do final deste ano, após o processo de formação e expansão dos frutos.

Em vista dos sinais de demanda global firme, o fornecimento de café no curto-prazo segue sendo fator de preocupação para a indústria. Conforme matéria publicada pela Coffee Network na última semana, uma série de cooperativas de café da Colômbia vêm correndo risco de falência por não estarem conseguindo cumprir com seus compromissos de exportação, devido à não entrega de café vendido no mercado futuro por parte dos produtores do país, que podem chegar a um volume de 500 mil sacas. Neste sentido, o mercado consumidor dos Estados Unidos, o grande importador do café colombiano, responsável pela importação de mais de 5 milhões de sacas de café colombiano por ano, se posiciona como o mercado mais suscetível a este impacto.

Nos 8 primeiros meses de 2021, os Estados Unidos registram 15,9 milhões de sacas de café importadas, valor que já ultrapassa em 536 mil sacas o acumulado do mesmo período no ano passado, e fica apenas 336 mil sacas abaixo da média dos últimos 3 anos, apesar de todas as dificuldades logísticas que ainda afetam grande parte das cadeias globais de suprimentos. Em agosto, o maior consumidor global surpreendeu ao registrar importações acima da média dos últimos anos para o mês, com peso importante das exportações colombianas, que se mostraram acima da média para o mês, com o embarque do café que não conseguiu ser enviado em maio devido à onda de protestos no país. Na quinta-feira da próxima semana (4), o USDA divulgará os dados de importação dos Estados Unidos do mês de setembro, e será importante averiguar se os números indicarão queda significativa na chegada do café colombiano, o que poderia ampliar pressões de curto-prazo em outros fornecedores de cafés suaves, como o Brasil ou a América Central.

Importações acumuladas de café dos Estados Unidos (mil sacas)
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Fonte: USDA. Elaboração: Stonex.

Internamente, a forte alta do dólar contribuiu para que apesar da queda das cotações em Nova Iorque, o preço do café arábica registrasse um avanço semanal de 1,0%, com o Indicador CEPEA do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, fechando cotado a R$ 1.246,22/saca.

O último relatório CFTC, indicou uma redução na posição líquida comprada dos fundos especulativos em Nova Iorque. Depois de terem atingido na última semana sua maior posição liquidamente comprada desde novembro de 2016, quando totalizaram 47.618 posições liquidamente compradas em futuros e opções, o relatório da última sexta-feira (22) indicou que entre o dia 12 e 19 de outubro os fundos especulativos reduziram 1.629 posições compradas e ampliaram 649 suas posições vendidas, indo para um saldo líquido comprado de 45.340. Neste período, as cotações do contrato mais ativo registraram uma queda de 890 pontos, recuando de US₵ 213,15 para US₵ 204,25, indicando um movimento de realização de lucros dos fundos após os preços terem avançado para patamares significativamente acima do valor psicológico de US₵ 200,00. Apesar de os fundamentos continuarem sendo majoritariamente altista para os preços no longo-prazo, a posição comprada historicamente alta dos fundos configura-se como um fator de atenção, com o potencial de provocar eventuais movimentos mais bruscos de queda no curto-prazo em caso de uma liquidação mais intensa dos fundos.

posição dos fundos especulativos em futuros e opções de café em
Nova Iorque
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Fonte: CFTC. Elaboração: Stonex.

 

Forte alta do dólar pressiona cotações café e eleva dúvidas para Copom nesta semana

 

Contribuindo de forma significativa para as quedas dos preços do café, o par real/dólar registrou na última semana uma alta de 3,4%, quando avançou quase 20 centavos para encerrar cotado a R$ 5,65. Em meio a uma percepção dos investidores de forte crescimento dos riscos fiscais no país, após sucessivas demonstrações da intenção do governo federal em desrespeitar as leis de responsabilidade fiscal, o dólar chegou a atingir máximas de 5,75 na sexta-feira (21), quando renovou suas máximas desde abril após a notícia de pedido de demissão de 4 secretários do ministério da Economia.

As movimentações no mercado brasileiro na última semana foram em grande parte influenciadas pelo cenário político doméstico. As últimas sessões se basearam na consolidação de uma mudança de postura do governo, que até meados de 2021 se posicionava de maneira firme em relação ao respeito às leis de responsabilidade fiscal. Entre idas e vindas, e demonstrando uma certa dose de improviso, o Executivo passou a buscar brechas nas leis para a criação de novos gastos para o programa Auxílio Brasil, que busca ampliar o programa Bolsa Família de R$ 191 para R$ 400, com vigência até dezembro de 2022, ano eleitoral.

Conforme explanado no último Resumo semanal de câmbio, há dois princípios que regulam as despesas públicas no país, a saber, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e o limite constitucional de despesas (teto de gastos). A LRF exige que toda despesa indique uma receita que a financie (ou uma despesa que deixará de ser executada), salvo para despesas temporárias. Como o governo propõem um aumento temporário – até dezembro de 2022 –, não há afronta à LRF. Quanto ao teto de gastos, ele impõe que todas as despesas do governo obedeçam a um limite máximo, que é corrigido anualmente pela inflação, ou seja, não há crescimento real. Para este caso, a equipe econômica propõe antecipar revisões sobre o limite constitucional de gastos, previstos para serem realizados apenas em 2027, através de novo texto adicionado na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios, aprovada por Comissão Especial da Câmara dos Deputados na última quinta-feira (21). O texto agora deverá seguir para ser votado em plenário da câmara.

A percepção do mercado de deterioração nas contas públicas brasileiras já se refletiu através do Boletim Focus publicado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC), que indicou uma piora no resultado dos principais indicadores econômicos. O relatório apontou a 29ª semana seguida com alta das expectativas dos agentes para o IPCA em 2021, que elevaram suas projeções de 8,69% para 8,96 no acumulado dos 12 meses. As projeções para o crescimento do PIB recuaram de 5,01% para 4,97% em 2021, e para 2022 de 1,50% para 1,40%. Já as expectativas para a taxa de câmbio registraram avanço significativo, passando de R$ 5,25 para R$ 5,45 ao final do ano.

O fator de maior atenção em relação ao Boletim Focus fica a cargo das expectativas dos agentes para a taxa Selic, que foram ampliadas de 8,25% a.a. para 8,75%, o que gera maiores dúvidas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que ocorrerá nesta quarta-feira (27). Até a última semana, as projeções do Focus iam de encontro com as sinalizações das últimas atas do Comitê, de que pretendia realizar elevações de 1 ponto percentual ao longo das próximas reuniões, o que levaria a taxa de juros a encerrar o ano exatamente na mediana das projeções realizadas pelo Focus (8,25% a.a.). Após os eventos da semana passada e a demonstração de maior fragilidade fiscal do país, existe a expectativa de que o BC possa tomar uma postura mais contracionista, elevando nesta semana a Selic em 1,25 p.p. ou 1,50 p.p., em ordem de conter a forte desvalorização da moeda brasileira. Caso este cenário se confirme, em que pese a necessidade de acompanhar o conteúdo do comunicado do que foi debatido na reunião e as turbulências em Brasília, a elevação da taxa de juros acima de 1,00 p.p. pode verificar algum alívio para a moeda brasileira no curto-prazo.

Questões logísticas no Vietnã e risco maior de COVID-19 em regiões produtoras levam robusta a um fechamento semanal mais alto

O robusta fechou em alta na tela de novembro/21 na semana passada, ganhando 1,1% e terminando em USD 2.134 dólares/t. No que diz respeito à curva de preços futuros, a tela mais próxima continua com um prêmio de US$ 5/t para o janeiro/22 neste começo da semana, operando perto de USD 50/t. A inversão entre o segundo e o terceiro contratos reflete a preocupação atual em torno das interrupções logísticas no sudeste da Ásia. Com o clima úmido das últimas semanas devendo adiar a colheita para o último final deste mês, as ofertas podem atrasar para sair das fazendas. Apesar disso, o clima da semana passada foi uma boa mistura de chuva e sol, o que deve ajudar os grãos a amadurecem. Nos próximos dias, a precipitação será um fator-chave na progressão da colheita, tendo também um impacto na qualidade dos grãos. O tempo excessivamente úmido não só causará atrasos na colheita dos grãos, como também servirá para afetar a qualidade da safra.

A semana que se inicia deve trazer uma mistura de chuva intensa e períodos mais secos, com a previsão de longo prazo atualmente mostrando volumes leves à medida que avançamos para a primeira semana de novembro. De fato, esta previsão indicaria condições favoráveis para a colheita do café durante este período, que deve ser o momento em que avançará mais. Com as condições trazidas pelo La Niña devendo persistir pelo menos até o período de dezembro a fevereiro, há um risco de padrões de chuva mais altos do que o normal para o Vietnã. Há relatos de casos de covid-19 na província produtora de Dak Lak, bem como em Gia Lai, o que pode levar a restrições de viagem e atrasos potenciais do trabalho de campo se o surto não for contido. Neste momento, não há qualquer relato oficial sobre bloqueio nessas províncias, mas é algo que deve ser monitorado à medida que nos aproximamos da colheita. Tendo em conta os atrasos atuais decorrentes das questões logísticas, as restrições apenas servirão para proporcionar mais atrasos na disponibilização de novos grãos no mercado. Relatos sugerem que as ofertas no Vietnã não são o problema, mas, sim, escoar os grãos do país. 

Contrato contínuo de robusta vs. Preço em dak lak (vietnã)
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Fonte: Bloomberg, Giacaphe. Elaboração: StoneX.
Atualmente, os preços em Dak Lak estão em torno de USD 1.790/t, com um desconto de aproximadamente USD 345/t até o fechamento de sexta-feira. No Brasil, os preços de robusta no Espírito Santo apresentaram quedas acentuadas para grãos do tipo 6, perdendo 6,9% na semana. Isso pode ser atribuído ao acentuado enfraquecimento do real, que perdeu 3,5% na semana, com a moeda mais fraca apresentando maiores oportunidades de geração de receita na divisa local. 

Segunda tela de robusta em Londres
 
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fonte: Bloomberg. Elaboração: StoneX.
 
Do ponto de vista técnico, o contrato de novembro registrou alguns movimentos voláteis na semana passada, caindo até seu nível de resistência inferior antes de romper para a faixa superior no final da semana passada. O estudo da banda Bollinger mostra um estreitamento contínuo das faixas superior e inferior, com o contrato de novembro/21 fechando USD 14/t abaixo da banda superior. 

Com o primeiro dia de notificação na tela de novembro/21 sendo amanhã, o total de contratos em aberto caiu por 14.332 até o fechamento da última quinta-feira, com um aumento de 8.568 no contrato de janeiro/21, à medida que os participantes rolam suas posições para frente. Até 26 de outubro de 2020 (véspera do primeiro dia de notificação), o total de contratos em aberto no novembro/20 era de 2.672, em comparação com o 14.897 na última quinta-feira. 

O relatório COT da última sexta-feira mostrou que os fundos reduziram sua posição liquidamente comprada em futuros e opções de robusta pela quarta semana consecutiva, para 32.095 lotes (-400). 

POSIÇÃO DOS FUNDOS ESPECULATIVOS EM FUTUROS E OPÇÕES DE CAFÉ EM
Londres
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Fonte: ICE. Elaboração: StoneX.
 
Agenda Semanal
BRASIL
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eSTADOS uNIDOS
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* Horário de Brasília.
Tabela de indicadores
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Fontes: ICE/NY; ICE/EU; B3; Commodity Network Trader’s Pro.
 
 
  • Café

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