Logotipo da StoneX

Resumo Semanal de Milho

By: StoneX Intelligence Brazil, StoneX Intelligence Brazil

Relatório de oferta e demanda do USDA não traz grandes mudanças e clima acaba sendo o principal direcionador dos preços na CBOT
 
Felipe Sawaia
Analista de Inteligência de Mercado
Safra dos Estados Unidos está enfrentando condições favoráveis neste início de ciclo
  • Fatores baixistas
  • Perspectiva de estoques elevados ao final dos anos safra 23/24 e 24/25;
  • Possibilidade do USDA ter superestimado redução da área de plantio de milho nos EUA;
  • Avanço da colheita da safrinha;
  • Plantio nos EUA acontecendo dentro da janela ideal;
  • Boa condição das lavouras norte-americanas.
  • Fatores altistas
  • Seca no Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo;
  • Disseminação da cigarrinha na Argentina;
  • Seca e calor em partes da China;
  • Atraso no ritmo de comercialização no Brasil e nos Estados Unidos.

 

Panorama geral

Na semana passada (10/06-14/06), os futuros do milho negociados na bolsa de Chicago não variaram uniformemente, alternando dias de ganho e perda. Ao final do período, o contrato com vencimento em julho ficou cotado a 450 cents/bu, variação semanal de apenas 0,3%.

Isso porque os últimos dias marcaram o início oficial do chamado mercado de clima: na quarta e na quinta-feira, alguns dos modelos climáticos indicavam clima quente e seco nos Estados Unidos ao longo do final de junho, resultando em aumento nos preços; depois, na sexta, as previsões passaram a mostrar um volume maior de chuva, levando a quedas. Essa dinâmica de variações nos preços devido a mudanças nas perspectivas climáticas seguirá presentes no mercado de milho pelo menos até o final de julho. No momento em que esse relatório é escrito, a previsão para os próximos dias no cinturão agrícola dos Estados Unidos é de bons volumes de chuva e temperaturas máximas não passando dos 30º C.

Outro assunto que tem impactado as cotações é o ritmo de comercialização no Brasil e Estados Unidos. Em ambos os países, os produtores não estão satisfeitos com o nível atual de preço, fazendo jogo duro na hora de liberar seus estoques. Esse fenômeno tem impacto altista sobre as cotações, já que produz pequenos ralis no mercado físico quando tradings e cooperativas se veem obrigadas a aumentar ofertas de preço para acelerar a comercialização. Vale lembrar que apenas 30,7% da safrinha brasileira de milho estava comercializada no começo de junho, ritmo mais lento desde o ciclo 16/17. A StoneX soltará uma atualização dessa estimativa nas próximas semanas.

Por fim, vale apontar que diversas instituições atualizaram suas estimativas de oferta e demanda na última semana, embora os números não tenham trazido grandes novidades. Para os Estados Unidos, o USDA manteve sua perspectiva inalterada, tanto para a safra 23/24 como para a 24/25. Com isso, a estimativa ainda é de oferta superando a demanda ao longo do próximo ano safra, o que mostra que os fundamentos do mercado são baixistas no caso de ausência de problemas climáticos. Já para o Brasil, o USDA manteve a produção 23/24 em 122 milhões de toneladas, enquanto a Conab aumentou sua estimativa para 114,2 milhões de toneladas, diminuindo a diferença entre os números das instituições. A única surpresa ficou por conta da Argentina. Esperava-se que o USDA cortasse sua estimativa de produção devido aos impactos causados pela cigarrinha, mas o número de 53 milhões de toneladas foi mantido. Vale lembrar que a Bolsa de Buenos Aires estima a safra argentina em 46,5 milhões de toneladas e a Bolsa de Rosário em 47,5 milhões.

Além desses três grandes assuntos, alguns outros fatores estão influenciando as cotações do milho em Chicago e serão discutidos com mais detalhes nas sessões abaixo. Pelo lado da baixa, destaque para o avanço da colheita da safrinha no Brasil e condições positivas para a safra dos Estados Unidos. Pelo da alta, o destaque vai para a seca em partes do cinturão de milho da China e bons volumes de exportações nos Estados Unidos.

Pensando no curto/médio prazo, o sentido dos preços deverá ser determinado pelo desenrolar da safra norte-americana, apesar dos diversos assuntos que aqui foram levantados. Nesse sentido, o mercado já tem uma data marcada no calendário: 28 de junho, dia em que o USDA divulgará os números finais de área de plantio nos Estados Unidos no ciclo 24/25, fator fundamental para a determinação do tamanho da safra.

Intraday (15 min) contrato de julho/24 - CBOT

image 96046
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

Estados Unidos

Na 2ª feira da semana passada (10), o USDA atualizou sua estimativa de plantio e de condição das lavouras nos Estados Unidos. Para o milho, os dados mostraram que a semeadura está praticamente finalizada, tendo alcançado 96%. Sobre as condições, o Departamento norte-americano indicou que 74% das lavouras estão boas/excelentes, recuo semanal de 1 ponto percentual, mas que ainda mantém a qualidade da safra atual bem acima do registrado no mesmo período do ano passado (61%) e acima da média dos últimos cinco anos para o período (67%). Hoje (17), às 17h, o USDA divulgará nova atualização desses números.

Sobre o relatório de oferta e demanda do USDA, não houve alterações nos dados referentes aos Estados Unidos. Com isso, os números para a safra 24/25 seguem mostrando oferta superando demanda: enquanto estoques iniciais (53,4 milhões de toneladas) e produção (377,5 milhões) somam 430,9 milhões de toneladas, consumo doméstico (320,2 milhões) e exportações (55,9 milhões) somam “apenas” 376,1 milhões de toneladas. Nesse sentido, caso a safra siga se desenvolvendo sem grandes problemas, os Estados Unidos deverão encerrar o ciclo 24/25 com um enorme estoque de passagem, fator baixista para as cotações. Entretanto, é claro que ainda há muito chão a ser percorrido.

Voltando as atenções para a demanda, na quinta-feira foram divulgados os dados de vendas de exportação de milho para a semana encerrada dia 7 de junho. Eles mostraram a venda líquida de 1,06 milhão de toneladas de milho, volume muito acima da média dos últimos três anos para o período, que é de apenas 214 mil. Com isso, as vendas de exportação dos Estados Unidos no ciclo 23/24 alcançaram 52,3 milhões de toneladas, volume muito próximo da estimativa do USDA de 54,6 milhões. Nesse ritmo, as exportações provavelmente ultrapassarão a estimativa do USDA.

 Vendas de exportação dos Estados Unidos (mil toneladas)

image 96047
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.

Brasil

Assim como na CBOT, os futuros do milho negociados na B3 não apresentaram uma direção clara ao longo da última semana (10/06-14/06). Após ganhos na 2ª, estabilidade nos três dias do meio da semana e queda na 6ª, o saldo semanal foi de pequenos ganhos para o contrato com vencimento em julho. No encerramento do período, ele ficou cotado a R$ 57,59/sc, variação semanal de 0,7%.

Além dos preços de bolsa, o prêmio do milho no porto de Santos também foi um assunto bastante discutido no Brasil ao longo da última semana. Como a comercialização da safra está lenta, muitas vezes as tradings estão sendo obrigados a aumentar suas ofertas, impactando positivamente o prêmio. Esse fenômeno aconteceu no início da semana passada, mas perdeu força nos últimos dias, mantendo o prêmio praticamente inalterado na comparação semanal: para embarque em agosto, o prêmio na última sexta-feira (14) era de +60 cents/bu, contra +65 cents/bu uma semana antes disso.

Sobre a safrinha, a StoneX estima que 16,8% das lavouras estavam colhidas no dia 14 de junho, contra 7,6% na mesma data do ano passado. Trazendo dados regionais, a colheita estava em 22,3% no Mato Grosso, 20,0% no Paraná, 10,8% no Mato Grosso do Sul, 9,5% em São Paulo e 4,5% no Goiás. Em Minas, a colheita ainda não tinha começado.

Por fim, dados de estimativa de safra. O USDA não trouxe mudanças em seus números para a safra brasileira 23/24, mantendo a produção em 122 milhões de toneladas. A Conab, por outro lado, aumentou sua estimativa de produção, que de 111,6 milhões de toneladas passou para 114,1 milhões. O aumento foi atribuído a melhoras na produtividade em Mato Grosso, Pará, Tocantins e partes de Goiás, que compensou a seca enfrentada por Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo. Agora, a diferença entre o USDA e a Conab caiu para 7,8 milhões. No ano passado, as duas agências tiveram uma diferença de 5,2 milhões de toneladas em sua contagem final e, no ano anterior, houve uma diferença de 2,7 milhões. O histórico mostra que é mais provável que a Conab aumente sua estimativa final do que o USDA diminua a sua.

Intraday (15 min) contrato de julho/24 - B3

image 96048
Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

Argentina

No início de março, antes da disseminação da cigarrinha, o USDA, a Bolsa de Cereales de Buenos Aires (BCBA) e a Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) tinham estimativas muito similares para a safra de milho da Argentina 23/24: 56 milhões, 56,5 milhões e 57 milhões de toneladas, respectivamente.

Conforme a cigarrinha foi se disseminando pelo norte do país, as duas bolsas argentina começaram a cortar expressivamente suas estimativas. Já no início de maio, a BCBA estimava a safra em 46,5 milhões de toneladas, quebra de 18%, e a BCR estimava em 47,5 milhões de toneladas, quebra de 17%.
Na semana passada, ambas instituições atualizaram suas estimativas de safra, mas mantiveram os números do início de maio, indício de que os problemas causados pela cigarrinha já foram, em grande parte, contabilizados. Ainda assim, vale apontar que a BCR não descartou novos cortes.

O USDA também atualizou sua estimativa na semana passada, mas manteve o número de 53 milhões de toneladas, uma quebra de “apenas” 5% na comparação com o número de março. A estabilidade na produção argentina surpreendeu o mercado, que esperava cortes mais expressivos que levassem a estimativa do USDA para patamares mais próximos aos das bolsas argentinas.

Além da estimativa de safra, tivemos na semana passada a tradicional atualização dos números de colheita da BCBA. Segundo a instituição, 40,3% das lavouras de milho do país estão colhidas, avanço semanal de quase 5 pontos percentuais. A colheita acelerou nas últimas duas semanas, já que o milho tardio, dominante no mercado argentino, enfim chegou ao período de maturação.

Sobre a produtividade dos hectares colhidos, ela está em 7,53 toneladas/hectare (125,5 sc/ha), mas a expectativa é que isso caia conforme o avanço da colheita, já que o milho mais afetado pela cigarrinha foi o de plantio tardio. No momento, a BCBA estima a produtividade final da safra argentina em aproximadamente 6,26 ton/ha (104 sc/ha)

Colheita do milho na Argentina

image 96049
Fonte: Bolsa de Cereales de Buenos Aires. Elaboração: StoneX.

China

O governo chinês estima que a China produzirá 297 milhões de toneladas de milho no ano safra 24/25, enquanto o governo dos Estados Unidos estima a produção de 292 milhões de toneladas. Esses números colocam os chineses como os segundos maiores produtores de milho do mundo, ficando atrás apenas dos norte-americanos.

Nesse sentido, uma onda de calor que tem afetado parte do cinturão agrícola chinês tem preocupado o mercado de milho, já que isso poderia significar uma quebra na safra e, consequentemente, aumento expressivo das importações. Vale lembrar que a China tem um calendário parecido com o dos Estados Unidos no mercado de milho, o que significa que o plantio da safra está prestes a acabar, com as lavouras entrando no período de desenvolvimento.

Apesar da situação ser preocupante, algumas considerações precisam ser feitas. Em primeiro lugar, a área afetada pela seca, chamada de Planície Norte Chinesa, não é a que mais produz milho no país, representando algo próximo a 20% da área plantada. Em segundo, os analistas da StoneX sediados em Xangai apontam que Planície Norte conta com um extenso sistema de irrigação, o que deve mitigar os impactos da seca. Por fim, e talvez o mais importante, seja o fato de que no ano passado a China também enfrentou seca ao longo dos meses de maio e junho, mas isso acabou tendo pouco impactado sobre a produtividade final das lavouras.

Em conclusão, a situação na China é preocupante e deve ser acompanhada com atenção, mas ainda não há indícios suficientes para se falar em quebra de safra.


Preços futuros e físicos

 

Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

image 96050
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
 

Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)

image 96051
Fonte: B3. Elaboração: StoneX.

Preços fisicos no Brasil (R$/sc)

image 96052
Fonte: StoneX.

AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
  • Grãos e Oleaginosas

Este documento contém opiniões do autor e não necessariamente reflete as estratégias da StoneX. As previsões de mercado são especulativas e podem variar. O investidor é responsável por qualquer decisão baseada neste material. A StoneX só negocia com clientes que atendem aos critérios legais. O aviso legal completo está em https://www.stonex.com/pt-br/termos-e-condicoes/.

É proibida a cópia ou redistribuição deste material sem permissão da StoneX.

© 2026 StoneX Group, Inc.

Vista por satélite da Terra à noite mostrando cidades iluminadas na Ásia e no Oriente Médio

Descubra mais insights

Nossos assinantes têm acesso às análises de mercado da StoneX, abrangendo commodities, ações, moedas e muito mais.

Artigos relacionados para Grãos e Oleaginosas

Comentários de Abertura

O novo presidente do Fed, Kevin Warsh, assume o protagonismo hoje no Simpósio anual de Jackson Hole do Fed, com discurso previsto para a próxima hora. O mercado certamente irá esmiuçar cada palavra com lupa, mas vale lembrar que seu objetivo declarado é fazer com que o Fed forneça menos orientação prospectiva (forward guidance) e desempenhe um papel menos proeminente, permitindo que o mercado "jogue com a bola, e não com o juiz".

Mike Castle
Mike Castle
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

25 de agosto – Os futuros das bolsas apontam para uma abertura em alta, com o Dow Jones buscando ampliar os ganhos da véspera, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq miram uma reversão nesta terça-feira. O índice VIX está praticamente estável no início do dia, oscilando na casa dos 15,8 no momento em que escrevo. O dólar sobe discretamente mais uma vez, ainda tentando encontrar sustentação próximo do nível de 99,0 após a forte liquidação da semana passada. Os rendimentos dos Treasuries recuam no início do dia, com os de 2 anos caindo abaixo de 4,21%, enquanto os de 10 anos cedem para menos de 4,66% e os de 30 anos ficam abaixo de 5,19%. Esse arrefecimento dos rendimentos, especialmente na ponta longa da curva, é certamente uma notícia bem-vinda para o mercado em meio às preocupações mais amplas quanto à sustentabilidade da política fiscal norte-americana, mas ainda será preciso ver se o movimento se sustenta. O petróleo opera em forte queda no início do dia, depois que o anúncio feito ontem pelo Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, veio menos agressivo do que se temia e reforçou a expectativa de que os EUA buscarão escalar a pressão pela via econômica, em vez da militar, o que potencialmente se traduz em menor risco de danos de prazo mais longo à oferta na região. O Ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, também destacou que houve "progresso significativo" nas negociações entre os dois lados, sustentando a ideia de que essas medidas possam funcionar como um reinício para conversas de paz mais relevantes, embora a retórica dura de autoridades iranianas contraste com isso. O WTI para entrega próxima recua 3,4% nesta manhã, negociado perto de US$ 82,10, enquanto o Brent para entrega próxima cai 3,0%, ao redor de US$ 87,80. Enquanto isso, as commodities agrícolas operam em baixa quase generalizada, apesar de um relatório de Crop Progress do USDA, divulgado após o fechamento de ontem, majoritariamente mais altista do que o esperado.

Mike Castle
Mike Castle
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais

Comentários de Abertura

August 24 – Stocks futures are pointing to a lower open to start the week amid a resumption of trade tensions and concerns regarding the potential downstream impact which we’ll dive into in more depth below. The VIX is elevated in response but still remains on the lower end of what we’ve seen in 2026, hovering around the 15.9 level at the time of writing. The dollar is quietly higher to start the week, appearing to find its footing after last week’s sharp break lower as it trades near 98.93. Treasuries are mixed to start the day, with 2-year yields rising to hover near 4.245% while long-term yields are off slightly, with 10-year yields trading at 4.714% and 30-year yields trading just below 5.24%. Crude oil is quietly lower this morning, with nearby WTI down roughly 1.2% on the day to trade near $85.60 and nearby Brent down 3.2% to trade near $91.40. The ags are mixed but mostly higher, led by corn after Friday’s shockingly low Pro Farmer Crop Tour yield estimate which we’ll also dive into in more depth below.

Mike Castle
Mike Castle
  • Grãos e Oleaginosas
  • Energia
  • Leite
  • Combustíveis Renováveis
  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Açúcar
  • Carnes e Pecuária
  • Produtos Florestais
Abrimos mercados

Utilizamos nosso capital, conhecimento e profunda experiência para proteger as margens de nossos clientes, reduzir custos e fornecer soluções personalizadas para obter sucesso nos mercados globais competitivos de hoje.

Confiança

Valorizamos relacionamentos próximos e de longo prazo com nossos clientes. Ao oferecer o melhor serviço e suporte tecnológico, nossos clientes confiam em nós para entrar nos mercados mais desafiadores e atender aos seus pedidos mais difíceis.

Transparência

Oferecemos preços competitivos e transparentes, além de entrega garantida e segura em mais de 140 moedas em mais de 185 países.

Especialização

Com insights e informações de todo o mundo, fornecemos aos nossos clientes notícias, dados e comentários agregados de todas as vertentes de nossos mercados, desde interconexões de complexos de commodities até fluxos globais de capital.