Déficit dos embarques em relação à temporada 2021/22 amplia. De acordo com o divulgado no Relatório de Inspeção de Exportações do USDA, os EUA embarcaram 805,2 mil toneladas na semana encerrada em 6 de abril, 293,3 mil toneladas a menos que uma semana antes e quase 700 mil abaixo do registrado na mesma semana do ano passado. Desse modo, o país ampliou o déficit dos embarques acumulados em relação à temporada 2021/22, de 11,2 para 11,9 milhões de toneladas. Até o dia 6 de abril, os EUA exportaram 20,2 milhões de toneladas de milho.
Progresso do plantio fica abaixo do esperado, mas acima da média. Na segunda-feira (10), o USDA divulgou seu Relatório de Acompanhamento de Safra. O Departamento reportou que o plantio de milho nos EUA atingiu 3% até o dia 9 de abril, 2 p. p. abaixo do esperado pelo mercado, mas acima da média de 5 anos para o mesmo período (2%). Ao longo da última semana, foi registrado um padrão climático bastante favorável para o avanço dos trabalhos de campo no Meio-Oeste. Com isso, o mercado aguarda por um expressivo progresso no percentual plantado que será divulgado hoje (17). Apesar desse otimismo para parte expressiva do cinturão do milho, o mercado ainda se preocupa com a cobertura de neve nas Grandes Planícies. Por mais que a área coberta nas Dakotas e em Minesotta tenha reduzido consideravelmente na última semana, e sem causar inundações, os agentes têm acompanhado de perto as condições na região, visto que porção do estado ainda está coberta por neve e os modelos climáticos indicam que chuvas atingirão as Grandes Planícies nesta semana, o que poderá atrasar o avanço da semeadura, levantando preocupações sobre plantio impedido, especialmente nas Dakotas e em Minnesotta.
Produção de etanol nos EUA recua, mas estoques se mantêm estáveis. De acordo com os dados divulgados pela Administração de Informação Energética (EIA), a produção norte-americana de etanol recuou para 959 mil barris por dia (mbpd) na semana entre 1º e 7 de abril, uma contração de 44 mbpd no comparativo semanal e 36 mbpd abaixo da média de 5 anos para o mesmo período. Já os estoques do biocombustível permaneceram praticamente estáveis, em 25,13 milhões de barris, apenas 8 mil barris a menos que uma semana antes. É verdade que os estoques estão 1,3 milhão de barris abaixo do observado no dia 10 de março – maior patamar dos estoques desde março de 2022 –, mas estão 1,6 milhão de barris acima da média de 5 anos para o período.
USDA faz novos anúncios de vendas flash para a China. Na última semana, o USDA anunciou um total de 709 mil toneladas em vendas flash para a China, sendo que desse total 437 mil toneladas são para entrega em 2022/23 e 272 mil para entrega em 2023/24. O anúncio dessas vendas flash ajudou a compensar a pressão causada pelo ritmo enfraquecido dos embarques norte-americanos.
Déficit do volume de vendas de exportação em relação à temporada passada volta a ampliar. Em seu Relatório de Vendas de Exportação, o USDA reportou que as vendas líquidas norte-americanas totalizaram 527,7 mil toneladas na semana encerrada em 6 de abril, 718,9 mil toneladas a menos que uma semana antes, 805,2 mil toneladas inferior ao registrado no mesmo período de 2022 e 263,3 mil abaixo da média de 5 anos. Com isso, as vendas acumuladas avançaram para 37,7 milhões de toneladas, mas o déficit em comparação com a temporada 2021/22 passou de 17,2 milhões de toneladas para 18 milhões.
Vendas semanais de exportação - EUA (mil toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
WASDE não traz grandes surpresas. No dia 11 de abril, o USDA divulgou seu relatório mensal de O&D. No caso do milho, o relatório foi considerado tranquilo, não trazendo nenhuma grande surpresa para o mercado. O Departamento praticamente não alterou o balanço da safra 22/23 norte-americana. Pelo lado da oferta, a única mudança foi o leve recuo de 250 mil toneladas nas importações, para 1,02 milhão, que foi compensado pela contração de mesmo volume no uso do cereal para Alimentação, Semente e Indústria. Com isso, os estoques finais da safra 22/23 dos EUA permaneceram estimados em 34 milhões de toneladas, 500 mil toneladas acima da média das expectativas do mercado, o que pouco impactou os futuros do cereal em Chicago.
USDA reduz produção argentina de milho. Para os demais players, vale destacar o corte de 3 milhões de toneladas na produção argentina, para 37 milhões, variação em linha com o esperado pelo mercado. Em função da menor disponibilidade do cereal no país sul-americano, as exportações foram também reduzidas em 3 milhões de toneladas, para 25 milhões. O Departamento declarou que a redução na safra argentina foi motivada pelas altas temperaturas observadas em março, que prejudicaram o desenvolvimento do milho plantado tardiamente, apesar das chuvas observadas recentemente, e que novos cortes não estão descartados. O número do USDA está abaixo do estimado pela Bolsa de Cereales (36 milhões de toneladas) e da Bolsa de Rosário, que no último dia 12 de abril reduziu sua previsão de 35 para 32 milhões de toneladas. A equipe de Inteligência de Mercado da StoneX elaborou uma matéria especial aboradando as principais alterações feitas nos balanços de Soja, Milho, Trigo e Algodão. Clique aqui para acessar o material completo.
Condições da safra argentina pioram novamente. A Bolsa de Cereales de Buenos Aires informou que 6% das lavouras do cereal argentino se encontrava em condição boa/excelente no dia 12 de abril, recuo de 1 p.p. no comparativo semanal e 14 p.p. abaixo do registrado na mesma semana de 2022. A colheita do cereal no país atingiu 12,7%, um avanço de 2,3 p. p. Contudo, o ritmo segue abaixo do observado na temporada passada (19,4%) e da média de 5 anos (23,8%).
CONAB promove leves aumentos na produção brasileira de milho. No último dia 13 de abril, a CONAB divulgou seu relatório mensal de O&D. No caso to milho, a produção total foi elevada marginalmente, para 124,88 milhões de toneladas, motivada por pequenos ajustes positivos na 1ª e na 2ª safra. Clique aqui para acessar o relatório completo.
Preocupação com a continuidade do acordo de exportação de grãos pelo Mar Negro dá suporte ao mercado. Na última semana, um dos principais fatores de suporte aos preços do cereal foi o aumento da preocupação relacionada à continuidade do acordo de exportação de grãos pelo Mar Negro. Rússia ameaçou não aceitar uma nova prorrogação do acordo, que tem validade até meados de maio. A Rússia exige algumas contrapartidas, como a reintegração do banco Rosselkhzbank ao sistema de comunicações financeiras swifts e o fim do bloqueio das contas bancárias de empresas russas ligadas à produção de fertilizantes e alimentos. Desde seu início, a acordo tem sido alvo de incertezas, causadas principalmente por declarações russas, e seu possível fim traria mais limitações para a oferta global e grãos, especialmente milho e trigo, que já apresentam balanços apertados.
PREÇOS FÍSICOS (R$/sc 60kg)