
Milho avança na semana, mas dúvidas com relação ao balanço americano ainda imperam
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
- Exportações fortalecidas nos Estados Unidos;
- Consumo doméstico brasileiro aquecido.
- Bearish
- Avanço de área plantada 2025/26 no Brasil;
- Safra recorde nos Estados Unidos;
- Estoques maiores nos Estados Unidos.
CBOT
O mercado de milho em Chicago ensaiou uma recuperação na semana passada, com o dezembro/25 se valorizando 2,3% para fechar a semana a US¢413/bu; o patamar de US¢425 foi um ponto de resistência importante, que pode ser novamente testado, caso os fundamentos ajudem. Um regime mais úmido parece estar entregando alguns problemas para a colheita de milho em algumas regiões dos Estados Unidos, o que pode inspirar um menor ímpeto vendedor por parte dos fundos especulativos.
O mercado americano segue observado com bastante atenção as perspectivas para o balanço de milho no país. Nas últimas semanas, fortaleceu-se a visão de que o número do USDA de setembro para a produção americana (427 mi tons) está inflado. Ainda assim, a percepção do mercado é que o número do consumo doméstico esteja igualmente inflado. Dessa forma, os reportes de que a produtividade de milho nos Estados Unidos deve ser mais baixa tem tido dificuldade em inspirar ganhos de monta para as cotações.
As exportações norte-americanas têm sido o grande assunto dos últimos meses. Na semana passada, as inspeções de exportação vieram abaixo do esperado pelos analistas. Ainda assim, os números seguiram fortes. Daqui para frente, temores de que o nível do calado do Rio Mississippi recuará bastante nas próximas semanas ameaçam parcialmente a competitividade do milho americano, o que seguirá como um ponto de atenção relevante.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Brasil
Os preços na B3 também registraram um avanço semanal, embora tenham operado em queda no início da semana. O vencimento de novembro/25 encerrou a sexta-feira negociado a R$ 68,47/saca (+0,9% na semana).
O mercado continua acompanhando o plantio da safra de verão, que segue avançando bem na região sul, embora esteja mais lento na região sudeste.
As exportações brasileiras tiveram bons volumes no início de outubro e devem encerrar o mês em 6,46 milhões de toneladas, de acordo com a ANEC. O volume, se concretizado, será superior às 5,67 milhões de toneladas embarcadas em outubro do ano passado. De qualquer forma, o mercado exportador brasileiro não é, de certa forma, o mais competitivo do mundo nesse momento. Ainda assim, o país poderá se beneficiar de algumas dinâmicas no mercado global de milho, como o atraso na colheita ucraniana. O tema será mais bem explorado na sessão especial, que estará no final deste relatório.
Em outro tópico, a Conab trouxe as primeiras estimativas para a safra 2025/26, com destaque para um crescimento de 3,8% na área plantada de milho safrinha, o que, somado a um aumento da área de milho verão, deverá resultar em uma safra de 138,6 milhões de toneladas. A redução anual vem por uma expectativa de menores níveis de produtividade. Ainda assim, ao que tudo indica, teremos uma safra robusta de milho no Brasil ao longo do próximo ano. Vale pontuar que no dia 03/novembro a StoneX publicará as suas primeiras estimativas para a próximo safrinha de milho,
Outro ponto de destaque importante nas estimativas da Conab é o aumento de 10% na área plantada de sorgo nacionalmente. A demanda de sorgo deve ser aquecida no ano que vem, com expectativas de um fortalecimento do mercado exportador desse grão. Além disso, o fato de que o sorgo pode substituir o milho como matéria-prima em algumas usinas de etanol também pode ser um fator de fortalecimento da demanda por sorgo nos próximos anos.
Mantendo o assunto de usinas de etanol, o mercado foi surpreendido, na semana passada, com o anúncio de que a Inpasa e a Amaggi cessaram um acordo firmado há algumas semanas para a construção de pelo menos três usinas de etanol de milho no Mato Grosso. A Amaggi deve seguir com o projeto de forma autônoma por entender que a celeridade será essencial para determinar o retorno do investimento até a consolidação do setor. A notícia surpreende, mas pouco deve impactar as perspectivas para a produção de etanol de milho no longo prazo.
Intraday (15 min) contrato de nov/25 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Câmbio
O dólar encerrou a semana passada em baixa, o que contribui para atenuar os ganhos do milho na B3. Apesar de um fortalecimento da aversão ao risco globalmente por diversos motivos, as expectativas de que autoridades de Washington e Brasília estão caminhando para resolver entraves comerciais ainda mantêm o real mais fortalecido.
A paralisação do governo americano e a consequente suspensão da divulgação de dados econômicos no país ainda entra como um fator baixista para o câmbio. Ainda assim, a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor, na sexta-feira (24), será fundamento essencial para determinar a trajetória do mercado de divisas, bem como fundamentar a nova decisão de juros nos Estados Unidos, que ocorrerá na semana que vem.
No Brasil, também na sexta-feira, será publicado o IPCA-15, índice que serve como uma prévia da inflação mensal. A expectativa é que o indicador aponte para uma moderação na inflação. Embora cortes de juros no Brasil ainda não estejam no radar, uma inflação mais fraca poderá indicar que esses cortes venham logo, o que poderá enfraquecer o real em relação ao dólar.
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Especial | Ucrânia
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A colheita de milho na Ucrânia está passando por um atraso significativo neste ano, conforme pode ser observado no gráfico abaixo, fornecido gentilmente pela equipe de Mar Negro da StoneX.
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Colheita de milho na Ucrânia (%)

Fonte: StoneX.
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Um clima mais úmido é a principal razão desse atraso, o que se somou a uma revisão negativa em estimativas locais que apontaram para uma safra que provavelmente não chegará às 30 milhões de toneladas. A produção mais baixa e atrasada limitará a capacidade do país em abastecer a China, um dos principais destinos do cereal ucraniano, nos próximos meses. Os resultados práticos disso podem ser um maior interesse chinês no milho brasileiro neste último trimestre. No mês de setembro, as exportações brasileiras de milho para a China foram as mais volumosas desde janeiro de 2024, podendo ser um indício dessa nova demanda.
Ainda assim, hoje em dia, a demanda internacional chinesa é relativamente baixa, com órgãos oficiais do país estimando que o país deve importar entre 6 e 7 milhões de toneladas no ano-safra 2025/26. Dessa forma, dificilmente veremos as importações de milho brasileiro pela china passando das 2 milhões de toneladas neste último semestre.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
