
Milho sofre correção enquanto mercado aguarda novas perspectivas acerca da safra americana
- Bullish
- Consumo aquecido a nível global;
- USDA estima estoques menores para a safra 2025/26 a nível global;
- Exportações fortalecidas nos Estados Unidos;
- Produção de etanol fortalecida nos EUA;
- Melhoria na relação EUA-China.
- Bearish
- Avanço de área plantada 2025/26 no Brasil;
- Safra potencialmente recorde nos Estados Unidos;
- Estoques maiores nos Estados Unidos.
CBOT
Os futuros do milho na CBOT encerraram a semana em queda, refletindo uma correção após um cenário de altas sustentadas desde o início do mês passado. Com isso, o vencimento de dezembro/25 fechou a sexta-feira a US¢427,25/bu (-1,0%).
As especulações com relação ao tamanho da safra americana seguem no radar do mercado. Uma atualização das Estimativas Mundiais de Oferta e Demanda (WASDE) será publicado nesta sexta-feira (14/nov) pelo USDA, apesar da paralisação do governo americano, que, até a publicação deste relatório, continua pelo quadragésimo-primeiro dia. As expectativas são de que o USDA reduza seus números para a produtividade americana. Do lado da demanda, há fundamentos para mais uma revisão positiva para as exportações de milho, o que deverá ajudar a compensar uma provável redução no consumo americano para alimentação animal.
Intraday (15 min) contrato de dez/25 - CBOT

Fonte: CBOT. Elaboração: StoneX.
Na semana passada, a StoneX atualizou a sua estimativa de produtividade da safra americana, mantendo a perspectiva de um rendimento nacional médio de 11,67 ton/ha. Esse resultado, que está acima de outras estimativas privadas, tem potencial de entregar uma safra total de 425,42 milhões de toneladas. Se um cenário de produção parecido for confirmado pelo USDA na sexta-feira, o mercado pode reagir em queda, uma vez que apontaria para um balanço bastante folgado nos Estados Unidos.
Os números de produção semanal de etanol da EIA apresentou o maior volume semanal da história, com 1,123 milhões de barris/dia de média. O valor ajudou a entregar alguma alta na semana passada, uma vez que o momento atual é de um ritmo bastante aquecido na produção do biocombustível, o que tem sido ajudado pelas margens favoráveis nos EUA. Ainda assim, os estoques de etanol também estão altos, o que ajuda a limitar parte do otimismo.
A China parece ter retornado ao mercado americano de soja. Ainda restam dúvidas acerca da possibilidade de o país asiático importar os volumes anunciados na imprensa – a saber, 12 milhões de toneladas nos próximos 2 meses. De qualquer forma, o fato é um grande impulso para as cotações de soja, o que tem ajudado a carregar o milho também. Ainda assim, o efeito para o cereal é muito mais indireto, uma vez que a China tem se ausentado cada vez mais do mercado internacional, dado um cenário de produção ampla e consumo doméstico deprimido.
Brasil
Os preços futuros de milho no Brasil também recuaram na semana passada. Além da clara influência de Chicago, o real se apreciou novamente em relação ao dólar. Ainda assim, preços físicos mais fortalecidos – conforme é esperado em um momento de entressafra – ofereceram certa sustentação para os contratos. O janeiro/26 na B3 encerrou a sexta-feira a R$71,05/saca (-0,5%).
A primeira safra segue com bom ritmo de plantio, apesar de um leve atraso em relação ao ano passado. Ainda assim, ao longo do final de semana, vimos um avanço de um ciclone extratropical ao longo da região sul, que, além de uma infeliz tragédia do ponto de vista humanitário, também deve trazer impactos negativos para a produção agrícola nas regiões atingidas. Os danos ainda estão sendo mensurados, mas o risco de lavouras de milho de primeira safra afetadas é substancial; além de já ser esperado o replantio da soja em algumas regiões, o que pode afetar a área plantada de milho de segunda safra, principalmente no Paraná.
Na semana passada, a StoneX publicou seus primeiros números da safrinha 2025/26 e do balanço de milho 2025/26. Espera-se uma produção de 107 milhões de toneladas na safrinha do ano que vem, o que deve compor uma safra total de 135,2 milhões de toneladas. O consumo doméstico deverá ser de 97 milhões de toneladas, 6 milhões a mais do que em 2024/25, devendo resultar em estoques mais pressionados no ano que vem.
Acesse o relatório completo clicando aqui.
Intraday (15 min) contrato de nov/25 - B3

Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Câmbio
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve as taxas de juros inalteradas no patamar de 15%, conforme esperado pelo mercado. O fato mantém um significativo diferencial de juros entre o Brasil e Estados Unidos, o que sustenta um real mais forte.
Ainda assim, olhando para frente, dados de inflação mais brandos no Brasil e uma escalada de temores inflacionários nos EUA podem reverter esse cenário olhando para 2026, o que será um fator importante a ser observado pelo mercado.
Contratos futuros negociados na CBOT (US¢/bu)

Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Contratos futuros negociados na B3 (R$/sc)


Fonte: B3. Elaboração: StoneX.
Preços físicos no Brasil (R$/sc)


Fonte: StoneX.
AGENDA DE INDICADORES ECONÔMICOS
