Na semana passada, novamente, novamente as cotações da soja em Chicago registraram baixa. O vencimento para novembro terminou a sexta-feira (dia 29) em 1275 cents por bushel, queda semanal de 1,6%.
A falta de maiores novidades pelo lado dos fundamentos, em meio a expectativas de um balanço mundial mais folgada, além do período de colheita da safra norte-americana, deram o tom das negociações. Somente na sexta-feira (dia 29), que foi divulgado o aguardado relatório de posição trimestral dos estoques nos EUA e que contribuiu para a baixa dos preços na semana.
A colheita da safra do país alcançou 12% do total no domingo (dia 24), nível pouco acima da média de cinco anos para o período, em 11%. Já as condições das lavouras registraram um recuo de 2% do percentual bom/excelente, que caiu de 52% para 50%, quando se esperava uma estabilidade. Mesmo assim, essa piora não teve maiores impactos no mercado, uma vez que a correlação das condições avaliadas pelo USDA nesse momento da safra com o resultado final da produtividade é, no geral, baixa.


Com a colheita da safra norte-americana, a disponibilidade da soja aumenta, o que também ajusta a explicar a queda recente das cotações. Além disso, as exportações do país ganham ainda mais relevância, uma vez que o trimestre entre outubro em dezembro sazonalmente registra os maiores volumes exportados. Contudo, neste ano, a soja brasileira tem se mantido competitiva mesmo nesse segundo semestre do ano, situação reforçada pela baixa do Rio Mississipi, a exemplo do ocorrido no ano passado, complicando e encarecendo a logística do país.
As vendas de exportação na semana encerrada em 21/09 alcançaram 672,2 mil toneladas, volume mais próximo do piso das estimativas, que iam de 500 mil a 1,2 milhão de toneladas. No acumulado, as negociações da safra norte-americana 2023/24 alcançam 17,75 milhões de toneladas, volume mais baixo que as 26,7 milhões registradas no mesmo período do ano passado. De qualquer forma, é importante lembrar que a estimativa de exportações do USDA para o ano safra 2023/24 também está mais baixa, em 48,7 milhões de toneladas, contra 54,16 milhões no ciclo anterior.

Na sexta-feira (dia 29), a tendência de baixa das cotações ganhou um reforço do relatório de posição trimestral dos estoques nos EUA. Em 01/09, o país contava com 7,29 milhões de toneladas de soja, o que representa o estoque final 2022/23 e indica ajustes no balanço de oferta e demanda. Esse nível de estoques não é folgado, mas sinaliza um uso menor de soja no quarto trimestre do ano safra, o que pesou sobre os preços. As expectativas para o esmagamento de soja norte-americano se mantêm positivas, diante do avanço da produção de diesel renovável, mas esse dado do último trimestre da safra 2022/23 acabou surpreendendo.
No Brasil, hoje será divulgado o dado de exportações para o mês de setembro completo, com o acumulado até o dia 22/29 já alcançando 4,8 milhões de toneladas, acima do registrado para setembro de 2022 como um todo. No acumulado, desde o início de janeiro, os embarques alcançam 85,7 milhões de toneladas. Para o ano safra 2022/23 (ano calendário 2023), a StoneX estima que as exportações brasileiras possam atingir 99 milhões de toneladas.
Já o plantio da safra 2023/24 no Brasil alcançou 4,1% da área total estimada na última sexta-feira (dia 29), segundo acompanhamento da StoneX, nível pouco abaixo do registrado nessa mesma semana do ano passado, em 4,8%.
Destaca-se que nesta manhã, a StoneX atualizou sua estimativa de safra para o Brasil, com a produção de soja 2023/24 subindo para 164,1 milhões de toneladas. Destaque para as revisões de área plantada em alguns estados, com o total nacional subindo para 45,3 milhões de hectares, 2,7% a mais que no ano passado e também um recorde. Acesse o relatório completo aqui.
Nesta semana que começa, o ritmo das vendas de exportação dos EUA deve continuar no centro das atenções, assim como o andamento da colheita no país e as questões logísticas associadas ao Rio Mississipi.




