- Produção mundial 2023/24 estimada acima do consumo, segundo o USDA;
- Melhora da produtividade com o avanço da colheita no Brasil;
- USDA corta safra do Brasil em apenas 1 milhão de toneladas;
- Safra deve ser favorável na Argentina;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- Vendas de exportações fracas dos EUA;
- Fórum Agrícola traz crescimento de área para o EUA.
- StoneX corta novamente a produção de soja 2023/24;
- Cortes da produção estimada por Conab e USDA.
- Clima quente e seco piora condições de safra na Argentina;
- Situação argentina ainda favorece reter a soja como um seguro.
A semana passada foi mais uma vez de queda para as cotações da soja em Chicago, apesar dos resultados diários positivos na segunda (dia 12) e na sexta-feira (dia 16). O vencimento para março terminou o período em 1172,25 cents por bushel, queda semana de 1%.
O mercado continua diante de preocupações com o ritmo da demanda, enquanto as quebras no Brasil não são suficientes para reduzir a oferta mundial a ponto de levar a alguma restrição importante no balanço da oleaginosa.
O clima na América do Sul está sendo acompanhado, mas quanto mais passa o tempo, uma menor proporção das lavouras está sujeita a mudanças importantes em decorrência do clima. A colheita no Brasil alcançou 32,3% na última sexta-feira (dia 16), de acordo com a StoneX, enquanto o clima na Argentina melhorou, impactando positivamente as condições das lavouras de soja do país.
Após a onda de calor, associada a precipitações mais escassas, que afetou a Argentina, a ocorrências de chuvas recentes melhorou as condições hídricas, com a condição ótima/adequada subindo 13 p.p. para 73% da área agrícola do país. Houve também melhora das condições gerais das plantas, com 50% classificadas em bom/excelente, contra 47% uma semana antes, enquanto houve queda do percentual ruim/regular de 22% para 19%.
Assim, por mais que o clima possa ter trazido algum prejuízo para o potencial produtivo, as perspectivas não mudaram, apontando para uma safra cheia na Argentina, com a Bolsa de Buenos Aires estimando a produção de soja em 52,5 milhões de toneladas.


O grande destaque da semana foi o Fórum Agrícola do USDA, realizado nos dias 15 e 16 de setembro e que trouxe números para a safra 2024/25 dos EUA. Apesar de esses números ainda não refletirem as intenções dos produtores, com base em pesquisa a campo, indicam a tendência esperada como resultado do cenário de oferta e demanda e de preços dos grãos.
A área plantada para o país foi estimada em 35,4 milhões de hectares, contra 33,8 milhões no ciclo 2023/24, uma diferença de 1,58 milhões de hectares no comparativo anual. Considerando uma produtividade dentro da tendência, em 3,5 toneladas por hectare, a produção alcançaria 122,6 milhões de toneladas. As apostas para esse ano são de ganho de área de soja sobre o milho, uma vez que o balanço dos EUA para a oleaginosa está ajustado e, considerando o comportamento dos preços desde o ano passado. De qualquer forma, muita coisa ainda pode mudar, e o tamanho da área será conhecido com mais precisão somente no relatório de área plantada no final de junho.
Pelo lado da demanda, é ainda muito cedo, mas o USDA estima aumento tanto do consumo interno quanto das exportações. Mesmo assim, a produção maior levaria a um balanço mais folgado no país, com os estoques finais estimados em 11,8 milhões de toneladas. Acesse o balanço completo aqui.
Pelo lado da demanda pela soja norte-americana, as vendas de exportação continuam mostrando resultados fracos. Na semana encerrada em 08/02, as negociações líquidas da safra 2023/24 atingiram 353,8 mil toneladas, no piso das estimativas, que variavam de 300 a 800 mil toneladas. No acumulado, as vendas alcançam 38,8 milhões de toneladas, abaixo do ano passado em quase 48 milhões, mas lembrando que o USDA ajustou a estimativa de embarques do país para baixo, para 47,76 milhões de toneladas. É importante lembrar que a soja brasileira se mantém mais competitiva que a norte-americana, num contexto de preocupações com o andamento da demanda mundial, em especial com o desempenho da China.

Destacam-se, também, os dados da Associação Nacional de Processadores de Oleaginosas (NOPA, na sigla em inglês) trouxeram um esmagamento de 5,056 milhões de toneladas de soja em janeiro, abaixo da média das expectativas do mercado, que estavam em 5,17 milhões. Parte desse resultado, aquém do esperado, decorreu de questões climáticas no Meio Oeste, mas que não explicam totalmente o número mais baixo. Mesmo assim, destaca-se que o ritmo de esmagamento é mais que suficiente para atingir a estimativa atual de processamento do USDA na safra 2023/24, em 62,6 milhões de toneladas. Mesmo assim, o mercado monitora o segmento de diesel renovável do país, que, apesar de aquecido, tem dado alguns sinais menos positivos, como a queda dos RINs D4. Como a indústria de biocombustíveis depende das políticas de incentivo ao setor, qualquer fator que possa modificar/afetar essas políticas tem um potencial muito grande de afetar o mercado das matérias-primas utilizadas, como o óleo de soja.




