- Fatores baixistas
- Produção mundial 25/26 ainda superando o consumo, segundo o USDA;
- Preocupações com o ritmo da demanda mundial;
- StoneX estima produção recorde para a safra brasileira 25/26;
- China não está comprando soja dos EUA;
- Boas condições de lavouras nos EUA;
- Clima favorável nos EUA;
- USDA estima produtividade recorde para os EUA.
- Fatores altistas
- Revisão da área da safra 25/26 dos EUA, com queda de 1 milhão de hectares;
- EPA anuncia aumento do mandato de biodiesel e diesel renovável nos EUA;
- Aprovação do crédito 45Z nos EUA, que deve favorecer o óleo de soja;
- Grandes refinarias nos EUA poderão absorver isenção das pequenas;
- Trump afirma que gostaria que China comprasse mais soja dos EUA;
- Aumento da mistura de biodiesel no diesel no Brasil;
- Importações chinesas de soja aquecidas, com foco na América do Sul.
As cotações da soja em Chicago tiveram uma semana de variações mais limitadas, com o vencimento para novembro encerrando a sexta-feira (dia 29) perto da estabilidade, em 1054,5 cents por bushel. Não houve maiores novidades pelo lado dos fundamentos, com expectativas de uma ótima safra nos EUA, com a relação com a China no radar e com a safra 25/26 do Brasil ainda não tendo começado.
Em agosto, foram divulgados números muito positivos de produtividade para a safra 25/26 dos EUA, com o USDA, e também a StoneX, trazendo uma média nacional em 3,6 toneladas por hectare. Contudo, o USDA surpreendeu a cortar a área da oleaginosa em 1 milhão de hectares, o que impactou negativamente as perspectivas para a produção, mesmo com a produtividade recorde.
Apesar de algumas preocupações com possíveis impactos de chuvas mais pesadas e temperaturas mais baixas em algumas regiões dos EUA, as condições das lavouras continuam muito positivas, como percentual bom/excelente tendo subido 1 p.p. no acompanhamento da semana encerrada em 24 de agosto, ficando em 69%. Esse nível está bem acima da média de cinco anos para o período, em 61%, e também do registrado no ano passado, em 67%.


De qualquer forma, mesmo com a produção estimada, de 116,8 milhões de toneladas, nãos endo recorde, não são grandes preocupações quanto a um aperto no balanço de oferta e demanda. Apesar das boas perspectivas para o esmagamento, ainda há indefinições sobre a política de biocombustíveis do país, como a isenção para pequenas refinarias e a compensação por parte das grandes. Mas são as exportações que inspiram maiores preocupações. A China ainda não comprou soja da safra nova dos EUA, lembrando que o melhor período de embarques norte-americanos é o último trimestre do ano, logo após a colheita. Com o recorde de produção neste ano no Brasil, a China ainda está comprando muita soja brasileira, num momento em que as tensões comerciais preocupam. O presidente chinês não tem se mostrado aberto a um encontro com Trump, o que reduz a possibilidade de algum acordo mais amplo entre os dois países, que poderia envolver diretamente o mercado de soja.
Além disso, o país asiático tem comprado mais soja da Argentina e do Uruguai para o ciclo 25/26, o que preocupa ainda mais do lado das exportações dos EUA, mas que seria uma forma de precaução da China, no caso de um acirramento das tenções com o governo Trump. A China sempre busca garantir sua segurança alimentar e, além da safra recorde no Brasil neste ano, as colheitas na Argentina e no Uruguai também foram favoráveis, o que abre espaço para maiores compras chinesas.
No Brasil, o clima é acompanhado de perto para o início do plantio da safra 25/26, há previsões de chuvas na região Sul nas próximas semanas, com as precipitações devendo se espalhar para áreas do Sudeste e do Centro Oeste a partir da próxima semana. Esse cenário é considerado positivo, com a semeadura podendo começar logo após o fim do vazio sanitária em várias regiões, caso a umidade prevista se concretize.
Por outro lado, o mercado monitora também a possibilidade de ocorrência de La Niña na primavera. As chances de ocorrência do fenômeno entre setembro de 2025 e janeiro de 2026 estão entre 50% e 60%, o que ainda é considerada uma probabilidade baixa. Mesmo assim, esse é um ponto de atenção para a safra de soja, pois o La Niña tende a mudar o padrão de chuvas, com um clima mais seco no Sul do país. De qualquer forma, caso o fenômeno se confirme, deverá ser de fraca intensidade.
Um padrão mais seco devido ao fenômeno La Niña também seria uma preocupação para a Argentina, destacando que o plantio no país começa mais tarde, na segunda metade de outubro.
Nesta semana, as atenções tendem a continuar voltadas ao andamento da safra dos EUA, com estimativas devendo ser atualizadas pelo mercado, antes do número oficial dos USDA no dia 12 de setembro. Além disso, o clima no Brasil estará cada vez mais no radar, devido ao calendário de plantio da safra 25/26.




