Em sessão de forte queda, na terça-feira (30), contrato futuro de trigo (dezembro/21) em Chicago recua US¢ 33,60/bu
fatores baixistas
- Ritmo lento dos embarques físicos dos Estados Unidos;
- Queda da comercialização de trigo da Rússia;
- Aumento do número de contaminados pela variante Ômicron da Covid-19;
- Aumento da estimativa para a produção da Austrália e Canadá.
fatores altistas
- Alta taxa de exportação russa sobre o trigo;
- Perspectiva de queda do excedente exportável global;
- Sinais de forte demanda internacional;
- Previsão de chuva durante a colheita da safra australiana de trigo.
ESTADOS uNIDOS
Na segunda-feira (29), os mercados futuros de trigo iniciaram a semana operando em queda, com a Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês) registrando queda de 18,00 USD cents/bushel sobre o contrato de dezembro/21 (preço de fechamento: US¢ 807,40/bu). O movimento de queda seguiu os dados de outra semana lenta de exportações dos Estados Unidos (EUA) e a elevação da estimativa para a safra australiana de trigo. Para 2021/22, o Escritório Australiano de Economia e Ciências Agrárias e de Recursos (ABARES) estima uma produção recorde de 34,4 milhões de toneladas de trigo, o que representaria um crescimento anual de 3% se concretizada. Vale destacar que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) estima uma produção de 31,5 milhões de toneladas para a Austrália.
Os dados de inspeção das exportações, divulgados pelo USDA, apesar de indicarem um crescimento semanal de 30,0%, no comparativo anual foi registrada uma queda de 53,1%. Na semana encerrada no dia 29 de novembro, o volume exportado de trigo pelos EUA foi de 250,65 mil toneladas, elevando o acumulado para o ano comercial corrente para 10.753.221 toneladas do cereal.
O relatório de
acompanhamento semanal de safra do USDA deixou de reportar os dados de plantio na última semana, uma vez que foi alcançado um percentual de 96% na semana anterior, encerrada no dia 21 de novembro. A taxa de emergência da safra de trigo foi estimada em 92%, em linha com o percentual registrado no mesmo período do ano passado e 1 ponto percentual (p.p.) acima da média dos últimos cinco anos. Em relação à condição de safra, o Departamento reportou 44% em condição boa/excelente (B/E), ou 2 p.p. abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Dentre os estados produtores que apresentam pior condição de safra, estão: Montana (7% B/E), Texas (20%), Washington (22%) e Oregon (25%).
Por fim, vale destacar que, de acordo com o calendário de divulgação do USDA, os relatórios semanais de acompanhamento de safra dos EUA voltarão a ser publicados em abril de 2022. Até então, os dados de safra serão divulgados em resumos mensais.
Intraday | Preço contínuo – Chicago (USD cents/bushel)
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.
Na terça-feira (30), os futuros do trigo registraram forte queda, pressionados pela liquidação de contrato após notícias acerca da nova variante do vírus Covid-19, denominada Ômicron, e pelos comentários do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Em Chicago, o contrato de dezembro/21 fechou a sessão principal a US¢ 773,60/bu, uma variação diária negativa de US¢ 33,60/bu. Para o contínuo na CBOT, o movimento de queda abrupto apagou os ganhos registrados desde 9 de novembro.
Na quarta-feira (1), os mercados futuros de trigo operaram em campo misto, com Chicago, Kansas City operando em alta, enquanto Minneapolis registrou queda. Na CBOT, o contrato de dezembro/21 fechou a sessão principal a US¢ 778,40/bu, sustentado pela perspectiva de menor oferta de trigo SRW (inverno) do que o projetado pelo USDA. Na quinta-feira (2), a recuperação dos mercados futuros se mostrou mais consolidada tanto nos EUA quanto na Europa. Em Chicago, o contrato de dezembro/21 foi valorizado em US¢ 28,00, recuperando parte das perdas da semana – ao final da sessão principal, o contrato foi cotado a US¢ 806,40/bu.
Os dados de
vendas de exportação do USDA trouxeram o nível mais baixo de vendas de trigo registrado no ano comercial corrente (2021/22). Com uma queda semanal de 86% e de 80% frente a média das últimas quatro semanas, o Departamento registrou apenas 79,9 mil toneladas em vendas de exportação do cereal, na semana encerrada no dia 25 de novembro. Para o novo ano comercial, de 2022/23, o USDA reportou a venda de 26,0 mil toneladas para a Colômbia.
Vendas de Exportação Semanais - EUA (mil toneladas)
Fonte: USDA. Elaboração: StoneX.
Na sexta-feira (3), os futuros do trigo voltaram a operar em queda. Na CBOT, a variação diária chegou a -US¢ 12,00/bu sobre o contrato mais próximo (dezembro/21), que fechou a semana sendo cotado a US¢ 794,40/bu. O movimento de queda seguiu o anúncio do governo russo da nova quota de exportações de trigo para a segunda metade do ano comercial corrente, de 15 de fevereiro a 30 de junho – o limite foi estabelecido em 9 milhões de toneladas. Além disso, o escritório nacional de estatística do Canadá elevou sua estimativa para a produção canadense de trigo, agora em 21,6 milhões de toneladas, ou 600 mil toneladas acima da estimativa do USDA.
Pela segunda semana consecutiva, os preços futuros do trigo na bolsa de Paris apresentaram desvalorização: de EUR 299,25/t para EUR 283,00/t, uma queda significativa. Assim como no período anterior, o principal responsável foi a variante ômicron e as incertezas decorrentes dela. De modo geral, os preços do trigo seguiram a volatilidade que predominou em todo o mercado financeiro, com as fortes desvalorizações ocorridas na segunda (29), na terça (30) e na sexta-feira (3) produzindo a queda agregada da semana.
Além da questão do coronavírus, algumas mudanças nos fundamentos do grão também ajudaram na queda das cotações, com notícias provenientes de diversos importantes países produtores indicando um certo alívio na escassez de oferta de trigo. Nos Estados Unidos, as estimativas para as condições da lavoura melhoraram. Na Rússia, choveu em regiões que antes estavam sendo afetadas pela seca, mudança que será discutida com mais detalhes na próxima sessão. E especificamente na Europa, surgiu a perspectiva de uma safra de altíssima qualidade. Isso porque o FranceAgriMer, o ministério da agricultura da França, anunciou que até o dia 29 de novembro 99% do trigo de inverno do país estavam em ótimos/boas condições. No ano passado, ao final de novembro as condições da lavoura eram apenas 96% ótimas/boas. Se o clima continuar propício para a lavoura, poderemos ver uma oferta europeia de trigo grande e com alto teor proteico.
Olhando para as exportações, a Comissão Europeia divulgou que até o dia 28 de novembro deixaram o bloco econômico um total de 12,19 milhões de toneladas, volume 12,41% maior que o registrado em 2020 no mesmo período. Como vem sendo discutido, esse aumento decorre em grande parte da aquisição de fatias do mercado que antes pertenciam a exportadores russos, que perderam espaço devido aos altos preços do seu produto. A novidade nessa semana é que parte das vendas francesas foram adicionadas na soma total da União Europeia, atualização que não acontecia desde julho. Entretanto, parte significativa dos embarques ainda não foram computados, o que deixa a França como o segundo país do bloco que mais exportou em 2021/22 (16,01%), ficando atrás de Romênia (29,58%). A Bulgária fecha o pódio (13,63%). Em relação aos maiores compradores, temos Argélia (14,87%), Egito (9,86%) e Nigéria (7,47%).
Intraday | Preço contínuo – Paris (EUR/tonelada)
Fonte: Euronext. Elaboração: StoneX.
Na região do mar Negro, mais especificamente na Rússia e na Ucrânia, os preços do trigo variaram de maneira inconstante, seguindo a tendência global. Na bolsa de Moscou, a tonelada saltou de USD 320,20 para USD 328,60. Nos portos da região, entretanto, tendência contrária foi observada: os preços russos recuaram de USD 345,00/t para USD 341,00/t e os ucranianos foram de USD 341,00/t para USD 334,00/t. Percebe-se que as incertezas da variante ômicron também afetaram o mercado do mar Negro.
Olhando para as questões da safra 2022/23, algumas mudanças nos fundamentos foram observadas. Quando o plantio na região foi finalizado, algumas regiões eram afetadas por seca, que ameaçavam o tamanho e a qualidade da safra. Entretanto, na última sexta-feira (3) foi relatado que choveu nas áreas russas que estavam sofrendo, trazendo melhores perspectivas. Lembrando que cerca de 19 milhões de hectares na Rússia e 6,7 milhões de hectares na Ucrânia foram plantados com trigo de inverno.
Em relação às exportações, mantém-se a dinâmica que predomina desde o início do ciclo 2021/22: crescimento das vendas ucranianas e queda das vendas russas. Até o dia 30 de novembro, deixaram a Ucrânia 14,5 milhões de toneladas, volume 20,8% maior que o registrado no ano passado. Até o dia 25 de novembro, deixaram a Rússia 18,0 milhões de toneladas, 17% menos do que em 2020.
Rússia - 12,5% | Preço FOB – contínuo (USD/tonelada)
Fonte: Cash Wheat Report. Elaboração: StoneX.
No Brasil, o Departamento de Economia Rural do
Paraná (Deral/PR) reportou a finalização da colheita no estado, com 1,202 milhão de hectares colhidos (o percentual de perda frente a área planta ficou em 1,1%, ou 13,216 mil hectares). Vale destacar que o órgão estadual deve divulgar os dados finais de produção e produtividade no dia 22 de dezembro, em seu relatório mensal. Contudo, na última divulgação (em 22 de novembro), a estimativa era de uma produção superior a 3,212 milhões de toneladas de trigo. No estado de
Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar destacou que o balanço da safra de trigo é positivo, com bons níveis de produtividade e qualidade do cereal. Os trabalhos de colheita nas lavouras já se estendem a 98% da safra, enquanto 2% ainda se encontram em fase de maturação. A última estimativa do órgão estadual (de setembro/21) para a produção é de 3,597 milhões de toneladas de trigo.
Na
Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA) reportou que 44,9% da área apta (área plantada menos perdida) havia sido colhida até o dia 01 de dezembro, o que aponta para um avanço semanal de 12,1% e anual de 5,0%. De acordo com relatos, a produtividade nas regiões central e sul da área agrícola estão acima do inicialmente esperado e podem levar a BCBA a elevar ainda mais sua estimativa para a produção argentina de trigo, que atualmente é de 20,3 milhões de toneladas. Contudo, também foi destacado que ainda não se sabe a extensão dos danos causados pelas geadas registradas no mês de novembro sobre a região sudeste da área agrícola. Em relação aos dados de condição, a BCBA estima que 65% da área esteja em condição de cultivo B/E, enquanto 91% apresentam condição hídrica adequada/ótima.
TRIGO NOS MERCADOS FUTUROS DOS EUA
Fonte: CME. Elaboração: StoneX.